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Anônimo (114)

44. Quinta-feira santa: *A ceia do Senhor

Quinta-feira santa
 
O Sacramento do Corpo do Senhor foi convenientemente instituído na Última Ceia, e isso por três razões:
 
1. Em razão daquilo que este sacramento contém: ou seja, o próprio Cristo. No momento de deixar os discípulos em sua própria figura, Ele permanece com eles sob a forma sacramental, assim como, na ausência do imperador, exibe-se a sua imagem. Daí o dizer Eusébio: "Como o corpo que assumira havia de ser retirado da nossa visão corporal e elevado ao céu, era preciso que, na Ultima Ceia, Ele consagrasse para nós o sacramento de seu corpo e de seu sangue, afim de que pudéssemos continuar a adorar no mistério o que uma vez ofereceu para nosso resgate".

3. Sexta-feira depois das cinzas: A coroa de espinhos [*]

6a. feira depois das Cinzas
   
«Saí, filhas de Sião, e vêde o rei Salomão com o diadema de que sua mãe o coroou no dia do seu casamento e no dia do júbilo do seu coração» (Ct 3, 11)
   
É a voz da Igreja que convida as almas dos fiéis a contemplar quão admirável e belo é seu Esposo. Pois as filhas de Sião são iguais às filhas de Jerusalém, almas santas, habitantes do Reino de Deus, que gozam, com os anjos, da paz perpétua e da contemplação da glória do Senhor.

02 de fevereiro: A Purificação da Santíssima Virgem [*]

2 de fevereiro
 
 
Depois que se completaram os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor (Lc 2, 22).
 
 
Neste Evangelho podem ser notadas sete virtudes da bem-aventurada Virgem: Primeiro, a humildade na purificação, da qual não precisava; segundo, o amor da pureza pela superabundância da purificação; terceiro, o amor da obediência: segundo a lei; quarto, a reverência ao Filho ao levá-lo ao Templo: levaram-no; quinto, a devoção aos lugares santos: a Jerusalém; sexto, a ação de graças na oblação do Filho: para o apresentar ao Senhor, pois a vós, Senhor, oferecemos tudo que nos destes; sétimo, a pobreza na oblação: dois pombinhos, que era a oblação dos pobres.
 
Ora, ao querer a bem-aventurada Virgem ser purificada, sem ter necessidade, nos ensinou como nós, que carecemos, devemos ser purificados. Devemos ser purificados de oito modos, conforme se pode tirar do texto:
 
1. Da mancha do pecado. O Senhor o purificou dos seus pecados. Ecle 47, 13.
 
2. No conhecimento, quanto à inteligência. De um coração puro. 1 Tm 1, 5; i. é, de um entendimento sem erro.
 
3. No afeto, quanto ao amor. Aqueles que invocam o Senhor com um coração puro. 2 Tm 2, 22.
 
4. No espírito, pela reta intenção. Purificai-vos do velho fermento. 1 Cor 5, 7; i. é, da hipocrisia. Guardai-vos do fermento dos fariseus. Lc 12, 1.
 
5. Na boca, quanto à fala. O Senhor está longe dos ímpios, mas atende às orações dos justos. Pr 15, 29.
 
6. Na mão, quanto às obras. Levantando as mãos puras. 1 Tm 2, 8.
 
7. Em todo o corpo, quanto à maneira de viver.
 
8. Nas coisas, quanto a supressão dos supérfluos. Toda a vara que não dá fruto em mim, ele a cortará. Jo 15, 2.
(Serm.)
      
 (P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

29 de dezembro: O parto da alma penitente [*]

29 de dezembro
 
Em sentido místico, podemos considerar que o parto da bem-aventurada Virgem Maria significa o parto da alma penitente, conforme a Escritura (Is 26, 17): Assim como a que concebeu, quando está próximo ao parto, confrangendo-se, dá gritos no meio das suas dores, assim somos nós, Senhor, diante da tua face.
 
A este parto convém místico convém o lugar do nascimento de Cristo, Belém. Diz São Bernardo: “Si também fores Belém pela contrição do coração, de modo que tuas lágrimas sejam teu pão de dia e de noite, e esta refeição te proporcione alegria contínua (Belém interpreta-se como a casa de pão), e se fores Judá pela confissão e cidade de David pelas obras de satisfação, nascera Cristo em ti, e encherá teu coração de alegria, hoje na graça, amanhã, na glória”.
 
Deve-se advertir que, depois do parto da penitência, a alma penitente deve envolver-se com os panos da caridade contra a torpeza do pecado, que consiste na desordem interior da alma;
 
Deve inclinar-se ao amor da humildade, e contra a soberba, que é uma aversão a Deus;
 
Deve ser colocada na creche da austeridade por uma penitência proporcionada, contra o deleite do pecado, que é uma orientação ao mal.
 
Quanto ao primeiro, aquilo das Escrituras (Pr 10, 12): a caridade cobre todas as faltas. Porém, devemos nos envolver com este pano por todas as partes: primeiro, a fim de amar a Deus que está acima de nós; segundo, para amarmos a nós mesmos; terceiro, para amar ao que está junto de nós, isto é, ao próximo; quarto, para amar o que está abaixo de nós, isto é, nosso corpo. Estes quatro devem ser amados com caridade, como diz santo Agostinho.
 
Quanto ao segundo, diz o salmista (Sl 50, 19): não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado. São Bernardo: “A humildade nos merece a estima de Deus, nos submete a Deus, nos atrai a complacência de Deus, como disse a bem-aventurada Virgem (Lc 1, 48): porque lançou os olhos para a baixeza da sua serva”.
 
Quanto ao terceiro, aquilo do Evangelho (Lc 3, 8): Fazei, portanto, frutos dignos de penitência. Comenta São Bernardo: “Fugi a voluptuosidade, porque nela está a morte, emboscada nas portas do deleite. Faze penitência porque por ela se aproxima o reino de Deus. É isso o que prega o estábulo, clama a mangedoura, dizem aqueles membros infantis, anunciam suas lágrimas e vagidos”
 
 
(De humanitate Christi)
 
Meditationes ex operibus S. Thomae – Pe. Mézard, O.P.
Tradução: Permanência

28 de dezembro: Quatro utilidades do nascimento de Cristo [*]

28 de dezembro
 
Um menino nasceu para nós, para que imitemos sua pureza e humildade, para sermos comovidos pela sua amabilidade e termos confiança na sua misericórdia.
 
[1] Este pequenino nasceu para nós em sacramento de pureza. Narra a Escritura (Mt 1, 21): ele salvará o seu povo. Comenta são Bernardo, “eis que o próprio Cristo nos purgará de nossos delitos, eis o que limpará nossas misérias”. E santo Agostinho: “Ó bem-aventurada infância, pela qual foi reparada a vida de nosso gênero humano. Ó tão grato e deleitável vagido, pelos quais escapamos do pranto e ranger de dentes. Ó felizes panos, com os quais se limpou a sordidez de nossos pecados”
 
[2] Nasceu para nós como exemplo de humildade. Diz São Bernardo: “Tratemos de imitar este pequenino; aprendamos dele que é manso e humilde de coração. Certamente, o grande Deus não se fez pequenino por nada. Por isso é intolerável atrevimento, após ter a própria Majestade rebaixado-se, inchar-se e engrandecer-se o  vermezinho.”
 
[3] Nasceu para nós para acréscimo de caridade (Lc 12, 49): Eu vim trazer fogo à terra. Diz São Bernardo: “O Senhor grande, digno de todo louvor, fez-se pequenino e amável. Um menino nasceu, diz a Escritura. Ele nos é de todo amável, Ele que é pai, irmão, Senhor, ministro, recompensa e exemplo”. Noutro lugar: “Quanto mais humilhou-se ao tomar nossa humanidade, tanto maior revelou-se sua bondade. E quanto maior revelou-se sua bondade, tanto mais inflamou-se nosso amor”.
 
[4] Nasceu para nós para consolo da esperança e segurança (Heb 4, 16): Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, isto é, Cristo, a fim de alcançar misericórdia, i. é, remissão dos pecados precedentes, e de encontrar graça , para sermos socorridos em tempo oportuno. Santo Agostinho: “Ò dia tão doce em que Cristo nasceu, dia que viu a compunção chegar aos infiéis, o ímpio ser tocado pela misericórdia, o arrependido esperar o perdão, o cativo não desesperar da liberdade, o doente procurar remédio; dia em que nasceu o Cordeiro que tira o pecado do mundo; em cuja natividade mais docemente se alegra o de consciência tranqüila, e mais fortemente teme o de consciência má; mais fervorosamente reza o bom; o pecador suplica devotíssimamente”. Ó doce dia, sobretudo para os penitentes, dia que traz o perdão. Prometo-vos, filhinhos, e estou seguro de que se alguém se arrepender neste dia de todo seu coração, e não retornar ao vômito do pecado, obterá tudo o que pedir”   
 
 
 
(De humanitate Christi)
 
Meditationes ex operibus S. Thomae – Pe. Mézard, O.P.
Tradução: Permanência

09 de janeiro: Os presentes dos Magos

9 de janeiro
          
« E, abrindo os seus tesouros, lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra » (Mt 2, 11)
    
Prostando-se, o adoraram. Sobre isso, diz S. Agostinho: «Ó menino, a quem os astros se submetem! De quem é tamanha grandeza e glória de ter, perante seus próprios panos, Anjos que velam, reis que tremem e sábios que se ajoelham? Quem é este, que é tal e tanto? Admiro de olhar para panos e contemplar o céu; ardo de amor ao ver no presépio um mendigo que reina sobre os astros. Que a fé venha em nosso socorro, pois falha a razão natural. » 
 
1. O ouro significa a sabedoria celeste. S. Bernardo escreve: «Tereis encontrado esta sabedoria se antes tiverdes chorado os pecados cometidos, desprezado os gozos do mundo e desejado, de todo coração, a vida eterna. Tereis encontrado a sabedoria se cada uma destas tiverem o gosto que tem: as coisas amargas e as coisas de que se deve evitar; estas devem ser desprezadas como caducas e transitórias; aquelas devem ser cobiçadas com todo desejo como bens perfeitos; discerni o gosto no íntimo da alma ».
  
2. O incenso significa a oração devota. Daí o salmista, « Suba direto a ti a minha oração, como o incenso » (Sl. 140, 2). O perigo para a oração é o de ser tímida, morna ou temerária. A oração tímida não sobe ao céu, pois o medo desmedido reduz o ânimo e impede a alma de lançar sua oração. A oração morna se enfraquece na subida, pois não tem vigor. A temerária sobe ao céu, mas tomba; ela encontra resistência; não apenas não obtém a graça, como é ofensa. No entanto, a oração fiel, humilde e fervente, sobe ao céu e não regressa vazia.       
  
3. A mirra significa a mortificação da carne. « as minhas mãos destilaram mirra, e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa » (Ct 5, 5). Comenta S. Gregório: As mãos significam as obras virtuosas, os dedos, a discrição. Portanto, as mãos destilam a mirra quando, pelas obras virtuosas, castiga-se a carne; mas os dedos são ditos cheios da mais preciosa mirra, pois é muito preciosa a mortificação que se faz com discrição.
 
Acrescenta S. Gregório dos três presentes: « Ao Rei nascido ofereceremos o ouro se, na sua presença, resplendermos com o brilho da divina sabedoria; ofereceremos incenso, se consumirmos, sobre o altar de nosso coração, os pensamentos da carne no santo zelo da oração, afim de que nossos desejos celestes sejam como que um perfume para Ele; ofereceremos mirra, se mortificarmos a carne pela abstinência ».
 
 
(Serm.)
 
 (P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

25 de dezembro: Bondade e utilidade de Cristo ao nascer [*]

25 de dezembro
 
I.             Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens. (Tt 3, 4)
 
Nosso Senhor nos prova sua bondade pela comunicação de sua divindade; e sua misericórdia, tomando nossa humanidade.

Introdução

Conforme o testemunho de seus contemporâneos, entre os quais se contam muitos de seus irmãos de ordem, sabemos que um ano antes de sua morte, isto é, desde o Domingo da Sexagésima, 12 de fevereiro de 1273, até o dia da Páscoa, 9. de abril, Santo Tomás se consagrou, com todo o cuidado, à instrução dos fiéis, na igreja conventual de São Domingos, em Nápoles.

As mártires de Compiègne

[Nota da Permanência] O texto que se vai ler foi tirado do apêndice histórico da edição brasileira da obra de Gertrud von le Fort (A Última ao Cadafalso, trad. de Roberto Furquim, Quadrante, São Paulo, 1998), e tem por base o livro de Bruno de Jesus Maria, O.C.D, Le Sang du Carmel ou la véritable passion des seize carmelites de Compiègne, Plon, Paris, 1954 e o informe do Secretariatus pro monialibus, Curia Generalis O.C.D., As Bem-aventuradas mártires de Compiègne, Roma, S.d. As citações entre aspas, exceto quando é indicado o contrário, provêm dos manuscritos da Irmã Maria da Encarnação. 

Pastoral coletiva do Episcopado brasileiro contra a Liberdade Religiosa

INTRODUÇÃO DA PERMANÊNCIA
 
"Este é um bispo, meu Deus!", exclamou Corção do martírio de S. Inácio de Antioquia. Proporções guardadas, queremos repetir a exclamação do velho mestre, estendendo-a a todo o episcopado brasileiro que, em 1890 — mal finda a revolução — ergueu-se condenando, na mais enérgica pastoral jamais escrita neste país, a infâmia que então se promovia graças a aliança liberal-maçônica: a Separação Igreja e Estado e a promulgação da Liberdade Religiosa.   
 
O redator desta pastoral foi Dom Antônio de Macedo Costa, o célebre companheiro de Dom Vital nos combates e no cárcere, e líder intelectual do clero brasileiro. Sua posição inflexivelmente anti-liberal, aliada a um talento literário e firmeza incomuns, dão ao texto que se vai ler toda a gravidade que a ele convinha:   
 
"Mas o que pedis à Igreja Católica é a tolerância ou é o suicídio? Ela não pode, sem contradizer toda a sua história, sem renegar a sua própria essência, sem anular-se, sem aniquilar-se completamente, sem trair a Jesus Cristo, admitir o princípio que todas as religiões são igualmente verdadeiras, ou que todas são falsas, ou que sendo uma só verdadeira, seja indiferente abraçar esta ou as outras; como se a verdade e o erro tivessem os mesmos direitos perante a consciência!"

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