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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Anônimo (225)

apresentação do Domingo da Paixão

 

Paramentos roxos

 

“O mistério pascal, diz S. Leão, tem de direito e de fato o primeiro lugar entre as solenidades cristãs. E se é certo que o nosso viver de todo o ano nos devia ir sempre dispondo gradualmente para o celebrarmos de maneira digna e adequada, os dias que vamos atravessar devem incitar-nos a uma devoção mais fervorosa, porque, tenhamo-lo presente, aproxima-se a solenidade do mais divino mistério da divina misericórdia”. Este mistério é o da Paixão e Ressurreição do Salvador; Pontífice e Mediador do Novo Testamento, Jesus vai subir em breve o patíbulo da Cruz e apresentar ao Pai, ao penetrar no Sancta Sanctorum dos Céus, o preço do nosso resgate na moeda batida e cunhada com o Sangue do seu sacrifício.

“Eis, canta a Igreja, que resplandece o mistério da Cruz em que a Vida morreu, mas de tal sorte que morrendo nos deu a vida”. A Eucaristia é o memorial deste amor imenso de Deus aos homens, porque o Senhor ao instituí-lo disse: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós. Este é o cálice da nova aliança no meu sangue. Fazei isto em memória minha”. E para corresponder a toda esta bondade divina, que fez o homem? “Os seus não O receberam, diz São João, e pagamos com mal o bem que nos fez”, retribuímo-lo com ultrajes, “desonramo-lo”, como Ele mesmo se queixou.

O Evangelho nos mostra, com efeito, o ódio crescente do Sinédrio. Abraão, pai do povo de Deus, acreditara firmemente nas promessas divinas que anunciavam o Salvador e no limbo a sua alma alegrou-se ao vê-las realizadas com a vinda do Messias. Mas os judeus, que deviam reconhecer em Jesus Cristo o Filho de Deus, maior que Abraão e os profetas, não quiseram entender o sentido das palavras, e depois de o maltratar por todos os meios que a malícia pode inventar, tentaram apedrejá-lo. No entanto, Jesus domina-os com todo o poder da sua personalidade divina, porque, como diz Jeremias, foi estabelecido como uma cidade fortificada, cingida com muralhas de ferro e de bronze na face dos reis da Judéia, dos príncipes dos sacerdotes e do povo. “Hão de te combater, mas não te vencerão porque eu estou contigo para te salvar”. Quanto a mim, dissera o Salvador, não busco a própria glória mas há quem a busque e julgue. E pela boca do salmista continua nestes dolorosos acentos: “Julgai-me, Senhor, e discerni a minha causa da deste povo ímpio. Livrai-me do homem perverso e enganador. Livrai-me dos meus inimigos, arrancai-me das mãos do homem violento e de vontade pervertida”. Deus, com efeito, não permite que os homens façam mal ao Senhor antes de chegar a sua hora. E quando a hora da imolação chegar, virá a da glorificação também, a da ressurreição.

Esta morte e ressurreição predisseram-na os profetas e simbolizou-a Isaías. Foi vontade de Deus que Jesus passasse pela humilhação, pelo sofrimento e pela morte, antes de entrar na glória. Os judeus, porém, cegos pela paixão, esperavam um Messias glorioso e, escandalizados com a Cruz de Jesus, rejeitaram a salvação. Foi por isso que Deus os rejeitou e acolheu com benevolência aqueles que esperam na Cruz do Salvador; porque, diz São Leão, a esperança da vida eterna é coisa certa e segura para todos os que participam da Paixão do Senhor. E agora que vamos comemorar a Paixão do Senhor, pensemos que para participar dos seus benéficos efeitos é necessário lutar e sofrer. Só o que lutar será coroado.

 

Do Evangelho: “As palavras que o Senhor proferiu são verdadeiramente terríveis. Aquele que é de Deus ouve a palavra de Deus. E se vós a não ouvis é porque não sois de Deus”

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

apresentação do quarto domingo da quaresma

A multiplicação dos pães, figura da Páscoa cristã.

 

Paramentos roxos ou cor de rosa

 

Nesta semana lê-se no Breviário a história de Moisés. Duas ideias principais a dominam toda. Por um lado, Moisés retira o povo de Deus do cativeiro e o faz atravessar o Mar Vermelho; por outro lado, dá-lhe de comer o maná no deserto, dá-lhe a Lei no Sinai, e o conduz à terra prometida onde se erguerá um dia Jerusalém, a cidade santa que regurgitará com as tribos vindas de todo o Israel para cantar os louvores de Jeová. A Missa de hoje nos dá a realização dessas figuras. O verdadeiro Moisés, com efeito, é Jesus Cristo, que nos resgatou do cativeiro da lei e do pecado, nos fez passar pelas águas do Batismo, nos alimenta no deserto da existência terrena com o verdadeiro maná, a sua carne, e nos introduziu na terra prometida que é a Santa Igreja.

A estação de hoje congregava-se na Igreja de Santa Cruz de Jerusalém, velho palácio romano que Santa Helena transformou em santuário para nele guardar as relíquias da Cruz descoberta no Calvário e representar no coração da capital do Cristianismo a cidade de Jerusalém e os lugares santos.

E, de fato, a escolha desta basílica impunha-se para cantar as alegrias e grandezas da nova Jerusalém, que é simultaneamente a Igreja da Terra e a Cidade dos Céus, cujas portas o Senhor nos veio com a sua morte abrir. Neste Domingo (Laetare) a Igreja pois congrega aí os fiéis para os fazer experimentar um raio da grande alegria que se aproxima. Era com este sentimento de júbilo que a Igreja benzia outrora a rosa “laetare” e é com ele que ainda hoje reveste de paramentos cor de rosa os ministros do altar. “Regozijai-vos e exultai-vos de alegria” diz o Intróito, porque mortos com Jesus Cristo para o pecado havemos de ressuscitar com Ele. O Evangelho relata-nos o episódio da multiplicação dos pães e dos peixes, símbolo da Eucaristia e do Batismo1 que são por excelência os sacramentos da ressurreição. E na Epístola, São Paulo procura nos fazer compreender a liberdade dos filhos da Igreja, que é a liberdade de Cristo.

Que a Missa deste domingo, já tão impregnada das alegrias pascais, nos dê coragem para prosseguirmos com generosidade a segunda parte da Quaresma.

Da Epístola: Jerusalém negando-se a receber o Salvador permaneceu sujeita à escravidão da Lei Mosaica. São Paulo compara-a a Agar, a mulher escrava, que dá à luz para a escravidão, e que viverá doravante condenada ao servilismo da terra, a ser uma Jerusalém terrestre, deserdada dos bens do Céu. A Jerusalém celeste, que é a Igreja, é livre, pelo contrário, porque aceitou a lei do amor que Jesus lhe deu. São Paulo compara-a a Sara, a mulher livre de Abraão, que deu à luz o herdeiro da promessa.

Do Evangelho: A multiplicação dos pães é uma figura da Eucaristia. ‘Eu sou o pão da vida’, dizia o Senhor. "Os vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Eu sou o pão que desceu do Céu, para que aquele que Me comer viva eternamente

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

  1. 1. Cristo era figurado, nas catacumbas, por um peixe, porque em grego esta palavra é formada das primeiras letras de cinco palavras que significam Jesus Cristo Filho de Deus Salvador. Os Padres da Igreja vêm ainda no peixe uma figura dos cristãos, porque eles nasceram na piscina batismal e hauriram na água o princípio da vida espiritual. São Paulo nos lembrará também, na Páscoa, que sendo libertados do velho crescente do pecado, somos o pão ázimo, sob a espécie do que recebemos na Eucaristia.

apresentação do terceiro domingo da quaresma

Jesus expulsa um demônio impuro. E uma mulher exclama “Bem-aventurado o seio que Vos trouxe””

 

Paramentos roxos

 

A assembleia de hoje reunia-se na Igreja de São Lourenço Fora dos Muros, onde descansam os restos de S. Lourenço e de S. Estevão, e que é uma das cinco basílicas patriarcais de Roma. A oração de S. Lourenço pede a Deus a graça de vencermos o ardor da concupiscência com o heroísmo e a tenacidade com que o mártir venceu as chamas do suplício; e a de S. Estevão convida-nos a amar os inimigos e a pedir por aqueles que nos perseguem. Estas duas grandes virtudes, melhor que ninguém as praticou o Patriarca José, cuja história o Ofício desta semana nos relata1. Fugiu às solicitações da mulher de Putifar e perdoou e intercedeu pelos irmãos que o tinham vendido. Mas é como figura de Cristo, sobretudo, que a fisionomia de José toma particular relevo.

Conhecem todos assaz a história de José, vendido pelos irmãos, preso e levado cativo para o Egito, conquistando as graças do Faraó até se lhe sentar à direita, encarregado por ele do governo do reino, para ver em tudo isto os traços da figura, por assim dizer, preexistente de Jesus Cristo nos mistérios da Paixão e Ressurreição. Familiarizados com a simbologia do Antigo Testamento, os nossos maiores amaram-na com predileção e encontravam nela a explicação dos mistérios da Redenção. Quando liam na Bíblia a história de José, o seu pensamento logo voava para o Salvador: “Sou eu José, a quem vendestes. Mas não temais. Que Deus fez tudo para que vos salvasse da morte”. Mais de um texto da Missa de hoje pode colocar-se como uma oração nos lábios de José. Ao cantá-los, procuremos fazê-lo com aquele espírito confiante e profundamente religioso que animou e conduziu todos os passos desta grande figura. O Evangelho apresenta o Senhor a expulsar um demônio do corpo de um possesso. Confiemos n’Ele, porque mais forte que Satanás, vencerá conosco o filho das trevas e coroará a nossa fronte com a liberdade dos filhos de Deus. Aos fariseus que não queriam admitir a Sua missão redentora, declara que já chegou a hora em que o príncipe deste mundo será corrido. Haverá também quem volte atrás, à lama do pecado, mas nem por isso a Sua vitória será menos completa.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

  1. 1. No sacramentário galicano, José é chamado o pregador da misericórdia; e a Igreja, na Solenidade de S. José, proclama especialmente a sua castidade.

20. Rosário das Santas Chagas de N. S. J. C. ou da Misericórdia

Rosário das Santas Chagas de N. S. J. C. ou da Misericórdia1

 

Pode-se começar pela seguinte oração:

“Ó Jesus, Divino Redentor, sêde misericordioso para conosco e para com o mundo inteiro. - R. Amen.”

“Deus Forte, Deus Santo, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. - R. Amen.”

“Graça, misericórdia meu Jesus, durante os perigos presentes: cobri-nos com o vosso sangue precioso. - R. Amen.”

“Padre Eterno, misericórdia pelo Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho único. Tende misericórdia de nós, nós vo-lo suplicamos. - R. Amen, Amen, Amen.”

 

Sobre as contas pequenas:

“Meu Jesus, perdão, misericórdia. - R. Pelos méritos das vossas Santas Chagas.” (300 dias de indulgência cada vez).

 

Sobre as contas grandes:

“Padre Eterno, eu vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. - R. Para curar as chagas das nossas almas.” (300 dias de indulgência cada vez.-S. S. Pio XI. - Sagrada Penitenciária, 16 de janeiro de 1924).

 

Ao terminar diz-se três vezes: “Padre Eterno, eu vos ofereço as Chagas, etc.”

 

Uma humilde Conversa, Irmã Maria Marta Chambon, falecida em odor de santidade no Mosteiro da Visitação de Chambéry (21 de março de 1907), assegurava ter-lhe Nosso Senhor ensinado estas duas invocações.

Ela declarava ter recebido d’Ele uma dupla “missão”: a de invocar constantemente as Santas Chagas e a de avivar no mundo esta devoção.

Nosso Senhor comprazia-se em prepará-la para a sua missão, fazendo-lhe quase todos os dias como um “Catecismo das Santas Chagas”, catecismo que ela devia repetir à sua superiora.

Eis alguns desses ensinamentos:

A devoção às Santas Chagas tem os mais sólidos fundamentos: os merecimentos infinitos do Salvador.

“Minha filha, reconheces o tesouro do mundo?”

“Quando ofereceis a meu Pai as minhas Divinas Chagas, ganhais uma fortuna imensa.”

“Não queirais ficar pobres... A vossa riqueza? É a minha Santa Paixão. - Esse tesouro pertenece-vos.”

“Meu Pai compraz-se no oferecimento das minhas Santas Chagas... oferecê-las é oferecer-lhe a sua glória, é oferecer o Céu ao Céu!”

“As minhas Santas Chagas susteem o mundo.”

A esta devoção dignou-se Nosso Senhor fazer as mais animadoras promessas.

“ Concederei tudo quanto me pedirem pela invocação das minhas Santas Chagas. É preciso propagar esta devoção.”

“Obtereis tudo, porque é pelo merecimento do meu Sangue que é de um preço infinito.”

“Com as minhas Chagas e o meu Divino Coração, podeis alcançar tudo.”

“Das minhas Chagas saem frutos de santidade.”

“As minhas Chagas repararão as vossas.”

Esta devoção tem preciosas vantagens para a vida quotidiana.

“Em qualquer desgosto, qualquer sofrimento, recorrei logo às minhas Chagas que a dor será suavizada.”

“Oferece-me as tuas ações... unidas às minhas Santas Chagas, onde há riquezas incompreensíveis mesmo nas mais pequenas.”

Deve-se recorrer às Santas Chagas em favor dos doentes.

“Deve-se repetir com freqüência junto dos doentes esta aspiração: Meu Jesus, perdão e misericórdia pelos méritos das vossas Santas Chagas!”

“Esta oração aliviará a alma e o corpo.”

Em favor dos agonizantes:

“Deve-se morrer com os lábios colados a estas Sagradas Feridas.”

“Não haverá morte para a alma que exalar o último suspiro nas minhas Chagas; elas dão a verdadeira vida.”

“O caminho das minhas Chagas é tão simples, tão fácil para chegar ao Céu!...”

Em favor dos pecadores:

“As minhas Chagas apagarão todas as vossas faltas.”

“Oferece-me muitas vezes pelos pecadores, porque eu tenho fome das almas.”

“O pecador que disser a oração seguinte: - Padre Eterno, eu vos ofereço as Chagas de N. S. J. C. para curar as chagas das nossas almas - alcançará a sua conversão.”

“A cada palavra que pronunciardes do Terço da Misericórdia, eu deixo caír uma gota do meu Sangue sobre a alma dum pecador.”

“Este Terço da Misericórdia faz contrapeso à minha justiça, suspende a minha vingança.”

Em favor das Almas do Purgatório:

“O beneficio das Santas Chagas faz descer as graças do Céu, e subir ao Céu as almas do Purgatório.”

“As Santas Chagas são o tesouro dos tesouros para as almas do Purgatório.”

Em favor da Igreja:

“Minha filha, é preciso desempenhares-te bem da tua missão, que é de oferecer as minhas divinas Chagas a meu Eterno Pai, porque daí deve vir o triunfo da Igreja, o qual passará pela minha Mãe Imaculada.”

“É necessário que recorras sem cessar a estas Fontes para o triunfo da minha Igreja.” (O que não significa o triunfo material.)

“Uma alma que, durante a sua vida, tiver honrado as Chagas de N. S. J. C. e as tiver oferecido ao Pai Eterno pelas almas do Purgatório, será acompanhada no momento da morte pela Santíssima Virgem e pelos Anjos, e Nosso Senhor na Cruz, resplandecente de glória a receberá e lhe dará a coroa eterna.”

A Santíssima Virgem aparecendo um dia sob a figura de Nossa Senhora das Dores, com Jesus nos braços, disse à feliz privilegiada: - “Minha filha, a primeira vez que contemplei as Chagas do meu querido Filho foi na ocasião que depuseram o seu Santíssimo Corpo nos meus braços.”

“Meditei as suas dores e procurei fazê-las passar ao meu coração... Contemplei os seus Pés divinos um depois do outro... depois o seu Coração, onde vi essa grande ferida, a mais profunda para o meu coração de Mãe... contemplei a Mão esquerda, depois a direita e em seguida a Corôa de espinhos. - Todas estas Chagas me dilaceravam o coração!... Eis a minha Paixão!... Tenho sete espadas no meu coração, e é pelo meu coração que se deve honrar as Sagradas Chagas do meu Divino Filho!...”

 

D. S. B.

 

IMPRIMATUR:

Chambéry, 15 de Maio de 1926.

 

+ DOMINIQUE CASTELLAN,

Arcebispo de Chambéry.

 

+ EMMANUEL M.a,

Episcopus Tudensis.

  1. 1. Pode-se rezar somente um terço... uma dezena...

19. Palavra final do Mosteiro de Chambéry

Palavra final do Mosteiro de Chambéry

 

Quando, pelos fins de dezembro de 1923, os acontecimentos nos levaram a publicar estas páginas, pensávamos que elas não sairíam do recinto familiar dos nossos mosteiros e que bastaria imprimir algumas centenas de exemplares. Porém, sem falar das traduções em diversas línguas, perto de dez mil exemplares foram distribuídos em seis meses. E não cessando de afluír os pedidos, fez-se uma quarta edição, atingindo-se com ela o número de trinta mil exemplares.

Eis agora a quinta edição, e são já sessenta mil exemplares.

Damos graças a Deus por esta difusão tão rápida quanto imprevista, o que é para nós uma prova de que Nosso Senhor abençoou esta obra empreendida para glória das suas Sagradas Chagas e que este livrinho - atraíndo as almas a essas Fontes de Salvação - satisfaz em muitas pessoas uma necessidade do coração.

E de fato, chegam-nos de todos os pontos do mundo comovidos agradecimentos das almas piedosas, as quais encontram na devoção às Santas Chagas um estímulo ao seu amor generoso; - almas amarguradas ou desamparadas, recolhem, por assim dizer, dos próprios lábios de Jesus padecente, a palavra que levanta e guia, tranquiliza e consola.

Os sacerdotes manifestam a sua alegria vendo os fiéis voltarem-se para Aquele que “levantado na Cruz, atrai tudo a si!”

Um fato parece sobresair muito especialmente nesta correspondência: é o cumprimento das promessas de N. S. J. C. em favor dos pecadores:

“A cada palavra que pronunciais do Terço da Misericórdia, deixo cair uma gota do meu Sangue sobre a alma dum pecador.”

Muitas cartas assinalam “graças obtidas”. Que nos seja permitido escolher, entre muitas outras, dois traços, dos quais temos testemunhos imediatos.

O Sr. ..... acabava de cair gravemente doente. Nao tinha ninguém para o rodear de cuidados neste momento crítico. Caritativos vizinhos acudiram a pedir em seu favor as Irmãs de Caridade. Todas estavam cheias de trabalho, contudo, uma delas, posta ao corrente desta situação, ofereceu-se para este apostolado.

Logo na primeira noite, notou a iminência do perigo... assim como as disposições lamentáveis do moribundo.

O Sr. .... vivia, há muito tempo, longe de toda a prática religiosa. Seu filho conhecia tão bem os seus sentimentos que, às solicitações da religiosa, deu a resposta seguinte:

“É impossível pensar em mandar vir um padre. Ele já veio, meu pai recebeu-o cortezmente, mas não quis confessar-se... Eu quero, declarou-me ele, um enterro pela Igreja; mas quanto ao resto não me faleis, é inútil!... E sobretudo, que não venha aqui nenhum padre!...”

Passaram-se três dias de angústia, durante os quais a dedicada Irmã, que tinha tomado a peito salvar a alma do seu doente, não cessava de repetir, a meia voz, ao mesmo tempo que lhe prodigalizava os seus cuidados, as invocações às Santas Chagas:

“Meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos...”

Depois destes três dias, a pedido da religiosa, o filho fez uma nova tentativa. Sem a menor hesitação, o padre é aceite! A partir deste momento, assiste-se a uma verdadeira transformação. Até ali, taciturno e sombrio, o Sr. ..... , começa agora a unir-se às invocações. Por vezes ainda, a força do costume e da dor arrancam-lhe palavras ímpias.

“´Não se deve falar assim, sugere-lhe a Irmã; quando sofreis, dizei: Meu Jesus, perdão e misericórdia...”

E ele, com uma comovedora boa vontade, detém-se no meio duma blasfêmia:

“Ah! eu não devo mais dizer isto!... Mas sim: Meu Jesus, perdão e misericórdia pelos méritos das Vossas Santas Chagas.”

De tempos a tempos dirige-se à sua enfermeira:

“Minha Irmã, orai mim, porque tenho muito que expiar.”

Ele mesmo não cessa de orar...

Eis que chega a morte, mas uma morte que, sem dúvida, lhe abriu o Céu:

“Não haverá morte para a alma que expirar nas minhas Chagas; elas dão a verdadeira vida.”

Um outro fato não menos notável e consolador é-nos comunicado de Londres. Não fazemos mais que traduzir a carta recebida:

“Um amigo dum Rev.o P.e Passionista, a quem eu tinha dado um folheto das Santas Chagas, mostrou-o a esse padre, que pregava uma missão no norte da Inglaterra.

“Havia ali um velho que não recebia os Sacramentos há 40 anos...

“Nenhum padre podia mover o seu coração e o rev.o p.e passionista também não conseguia nada. Uma noite este bom padre pediu a todos os seus paroquianos que se unissem a ele na recitação do Rosário das Santas Chagas pelos pecadores da paróquia tomando, em particular, uma intenção especial pelo seu velho pecador.

“Logo na manhã seguinte a essa noite de oração, o querido velho veio por si mesmo apresentar-se na igreja, pedindo para se confessar. Seguiu depois todos os exercícios do retiro.”

“Não é maravilhosa esta resposta tão rápida e completa à oração?”

“E não é isto um triunfo magnífico das Santas Chagas?...”

 

D. S. B.

 

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V. + J.

18. Ultimos anos e morte da Irmã Maria Marta

Ultimos anos e morte da Irmã Maria Marta

 

O fim deste opúsculo era simplesmente tornar conhecido um resumo do plano divino na vida da Irmã Maria Marta, expondo a sua missão, a “tarefa” de depositária e apóstola das Santas Chagas. Mas isto não é senão um pequeno esboço da sua vida interior. Faltava-nos falar da Santa Infância e da convivência tão íntima e graciosa que existia entre “esta alma infantil” tão pura e simples, e o celeste Amigo dos pequeninos e das Virgens. Faltava-nos dizer o amor do seu coração - despojado de todo outro amor - a Jesus Sacramentado. Faltava-nos mostrar como este comércio constante e tão intimo com Jesus Crucificado e Jesus Menino a levava natural e como instintivamente às grandes e sólidas devoções: a mostrar, por exemplo, a sua devoção para com a Santíssima Trindade, com as coisas extraordinárias (por não ousarmos dizer miraculosas) que foram, mais de uma vez, a sua recompensa; pintar-lhe a terna devoção para com Maria, que ela tomou por Mãe com toda a força de expressão e que - mostrando-se verdadeiramente Mãe - vinha completar as lições de Jesus e corrigir maternalmente a sua filha, quando era preciso.

Faltava-nos enfim inumerar as mortificações, descrever os seus êxtases... Ler-se-ão todas essas coisas, detalhadamente, na “Vida da Irmã Maria Marta” que, se Deus o permitir, será publicada ...

* * *

As graças e as comunicações divinas enchem verdadeiramente todos os instantes desta vida excepcional - durante vinte anos! - isto é, até à morte da Rev.ma Madre Teresa Eugênia Revel (30 de dezembro de 1887).

Muito tempo antes, Jesus, mostrando à Irmã Maria Marta as duas Madres que conheciam o segredo de todas as suas graças, tinha-lhe feito esta pergunta:

“Não estarias pronta a fazer-me o sacrifício delas?...”

E esta alma desprendida de tudo que não fosse Jesus, tinha aderido - com uma reserva apenas: - a de não aparecerem mais os favores de que Ele a cumulava... que tudo ficaria bem oculto somente entre os dois: Jesus prometeu e cumpriu.

Depois da morte da nossa boa Madre Teresa Eugênia, Jesus cobriu com um véu, cada vez mais espesso, aquela que Ele tinha resolvido conservar oculta até à morte. Deus permitiu - por meio de uma série de circunstâncias - que seria longo referir, que as superioras que sucedessem não tivessem senão um conhecimento muito vago das graças recebidas porque os cadernos que continham a narração de tudo foram guardados por outras mãos enquanto ela viveu.

Durante os vinte últimos anos, isto é, até à sua morte, nada se revelou exteriormente dessas graças maravilhosas - nada - senão as longas horas que a nossa Irmã Maria Marta passava junto do SS.mo Sacramento, imóvel, insensível, como em êxtase!... E ninguém ousava interrogá-la sobre o que se passava nestes benditos instantes, entre a sua alma arrebatada e o Hóspede Divino do Tabernáculo. Esta cadeia contínua de orações, de trabalho e de mortificação... este silencio, este apagamento absoluto, parece-nos uma prova a mais - e não das menos convincentes - da verdade dos favores inauditos com que ela foi favorecida. Uma alma de humildade suspeita, ou mesmo vulgar, procuraria chamar a atenção e vangloriar-se-ia da obra que Jesus operava nela... mas a Irmã Maria Marta nunca!... Submergia-se com delícias na sombra da vida comum e escondida... Mas, como o grão da mostarda lançado à terra, a devoção as Santas Chagas germinava nos corações.

* * *

Durante a última noite de Natal que a nossa Irmã passou na terra, Jesus - como presumimos - tinha-a advertido da sua próxima partida deste mundo, e, ao mesmo tempo, dos sofrimentos que ainda lhe queria pedir. Uma Irmã que estava junto dela, durante a Missa da meia-noite, ouviu-a exclamar com angústia:

“Ó meu Jesus, isso não!... tudo, sim tudo, menos isso!...”

Esse “isso” devia ser a penosa e dolorosa doença... Esse “isso” devia ser sobretudo o abandono interior, a ausência do Bem-Amado!... Ela, habituada à sua querida presença, à sua conversação quotidiana, não podia - sem se lhe despedaçar o coração - aceitar essa privação.

Desde esse dia notava-se uma tristeza profunda impressa na sua fisionomia. Atacada duma forte constipação, à qual se juntaram diversas complicações muito graves, recebeu a Extrema-Unção com alegria, no dia 13 de fevereiro de 1907.

Restava-lhe ainda subir um doloroso Calvário: cinco semanas de supremas purificações durante as quais o Salvador a identificou, mais que nunca, consigo, para a tornar mais semelhante a si, nas agonias físicas e morais da sua Paixão.

Já a tinha prevenido com antecipação:

“O mal que te fará morrer sairá das minhas Chagas.”

Sentíamos que havia alguma coisa de misterioso neste último combate da natureza... No dia 21 de Março, após uma noite de terríveis sofrimentos, seguiu-se uma grande calma, um grande silencio... Toda a Comunidade cercava a moribunda, recitando milhares de vezes as queridas invocações às Santas Chagas. Finalmente, às oito horas da noite, nas primeiras Vésperas das suas Dores, Maria veio buscar a sua filha a quem tinha ensinado a amar Jesus!... E o Esposo recebia para sempre na Ferida do seu Coração Sagrado, a esposa que tinha escolhido para sua vítima bem-amada na terra para confidente e a apóstola das Santas Chagas.

 

Deus seja bendito!

17. Como a Irmã María Marta soube corresponder aos desejos de Jesus

Como a Irmã María Marta soube corresponder aos desejos de Jesus

 

Comovida até ao mais íntimo do ser com tais revelações, a nossa querida Irmã deixou-se impregnar delas inteiramente. Estava tão apaixonada pelas Chagas do Salvador que lhe parecia “que ia devorá-las”. O seu mais ardente desejo era suscitar no universo os sentimentos de amor e de reconhecimento que elas devem inspirar, pronta a dar a vida pela extensão dum culto que ela queria imenso, apaixonado, sem limites! Se, aliás, o seu ardor esmorecia, se as invocações se tornavam menos numerosas sobre os lábios, Jesus não tardava em apresentar-se a ela no estado lastimoso a que o reduziram as nossas iniquidades e, mostrando-lhe as Chagas, fazia-lhe amorosas repreensões:

“Elas olham sempre para ti, mesmo quando tu as esqueces, tu, que devias contemplá-las sempre... - Já tas mostrei tantas vezes que isso deveria bastar-te; mas não, é preciso que eu te desperte contìnuamente o fervor.”

Ou ainda:

“As invenções dos algozes para me fazer sofrer, era Eu que as queria. - Queria-as por vosso amor e para satisfazer a meu Pai. Tudo se fazia por minha vontade!... E agora, minha filha, também te farei sofrer, porque Eu o quero.”

“Desejo e quero que me consoles dos ultrajes que recebo!... - Quero-te vítima corajosa: Eu serei o teu Sacrificador. Eleva o teu coração e lança-o nas minhas Chagas.”

Apresentando-se a ela como num quadro, suplicou-lhe um dia Jesus, com um tom de indizível ternura e de ardente desejo:

“Deves copiar-me, deves copiar-me!... Os pintores fazem quadros quase conformes com o original, mas aqui sou Eu o pintor que faço a minha imagem em vós, se vós me contemplardes.”

Insistindo sobre este mesmo convite, o nosso Divino Salvador ensinava-lhe um día:

“Minha filha, quando um pintor quer fazer um quadro, prepara primeiro a tela que deve receber pinceladas.”

“- Bom Mestre, não sei o que isso quer dizer” - dizia ela na sua extrema ignorância.

E Jesus teve que explicar-lhe que a sua alma era esta tela preparada:

“Minha filha, prepara-te para receber todas as pinceladas que Eu te quiser dar.”

Algum tempo mais tarde, Jesus perguntou·lhe: “Minha filha, queres ser crucificada comigo ou glorificada?”

“Ah! meu bom Jesus, antes quero ser crucificada! Queria sofrer tanto por Vós, como Vós sofrestes por mim!...”

“Sofrerás por Mim, como Eu sofri por ti, fazendo todas as tuas ações para me agradar e não me recusando nenhum sacrifício...”

Ao ouvir isto, a Irmã Maria Marta ficou subitamente invadida por uma grande impressão e começou a inumerar os seus defeitos, como um obstáculo às graças de Deus:

“Os teus defeitos, replicou o seu terno Mestre, hão-de aparecer todos no dia do Juízo, mas para tua glória e minha!... - Recebo todas as tuas ações e sofrimentos pelos pecadores e pelas almas do Purgatório, mas é preciso que tu permaneças como que colada ao meu Coração, às minhas Chagas, não fazendo senão um comigo... - Não deves sair do meu Coração, porque, se o fizesses, já não poderia comunicar-me a ti.”

“- Bom Mestre, ensinai-me o catecismo” - pediu-lhe ela, uma vez, com a sua candura e ousadia infantil.

“Vem à tua morada, minha esposa, respondeu Jesus, mostrando-lhe as Chagas, vem à tua morada; lá encontrarás tudo!... Serei teu pregador e ensinar-te-ei a imolar-te por meu amor e pelo teu próximo.”

“O Crucifixo, eis o teu livro!... Toda a verdadeira ciência está no estudo das minhas Chagas. Quando todas as criaturas as estudassem a todas bastaria, sem precisarem de livro algum. - É nele que os meus santos leem e lerão eternamente, é o único a que vos deveis afeiçoar, é a única ciência que deveis estudar.”

“Quando beberdes nas minhas Chagas, disse-lhe ainda Nosso Senhor, aliviais o divino Crucificado!”

E voltando-se para o nosso Santo Fundador, que estava presente a este colóquio, disse:

“Eis o teu fruto! Uma das tuas filhas que toma o meu Sangue das sagradas aberturas para o dar às almas e aplacar a minha justiça.”

A nossa Irmã, devorada pelo amor de Deus, aproveitou esta ocasião para pedir ao nosso bem-aventurado pai que lhe obtivessse a graça de ir em breve para a Pátria, gozar do Soberano Bem. Mas ele respondeu-lhe:

“Minha filha, é preciso que cumpras a tua tarefa!...”

“Ninguém pode entrar no Céu sem ter cumprido a sua missão no mundo. - Se tu morresses já, vendo que a tua tarefa não estava completa, desejarias voltar à terra para a terminar, considerando a glória prestada ao Divino Mestre e como aplacas a Justiça de Deus tão fortemente irritada... - Estou bem contente com a glória que vós me dais também a mim, invocando as Santas Chagas.”

Deste modo, a Irmã Maria Marta era constantemente sustentada, animada na “sua tarefa”, segundo a expressão que incessantemente lhe vinha aos lábios. Esta tarefa, como vimos, era em primeiro lugar oferecer contìnuamente os méritos das Santas Chagas de N. S. J. C. pelas necessidades da Igreja militante e padecente. Era depois trabalhar por renovar, tanto quanto possível, esta salutar devoção no mundo inteiro. A primeira parte referia-se a ela pessoalmente: Nosso Senhor a tinha estimulado a isso levando-a a fazer promessas solenes, já antigas e redigidas pela mão da superiora:

“Eu, Irmã Maria Marta Chambon, prometo a N. S. J. C. oferecer-me todas as manhãs a Deus Pai, em união com as Divinas Chagas de Jesus Crucificado, pela salvação do mundo inteiro e para o bem e perfeição da minha Comunidade. - Adorá-l’O-ei em todos os corações que O recebam na Santa Eucaristia... Agradecer-lhe-ei por se dignar vir a tantos corações tão pouco preparados... Prometo a Nosso Senhor oferecer, de dez em dez minutos, com o auxílio da sua graça e em espírito de penitência as Divinas Chagas do Sagrado Corpo ao Pai Eterno... unir todas as minhas ações às Santas Chagas, segundo as intenções do Adorável Coração, pelo triunfo da Santa Igreja, pelos pecadores e pelas almas do Purgatório, por todas as necessidades da minha Comunidade, do Noviciado, do Pensionato e em expiação de todas as faltas que neles se cometem... Tudo isto por amor, sem obrigação de pecado.”

A invocação:

“Padre Eterno, eu vos ofereço as Chagas de N. S. J. C. para curar as das nossas almas, é a fórmula desta oferta...”

A Irmã Maria Marta tinha prometido fazê-lo “de dez em dez minutos”, mas não se passava um momento no dia, sem que a sua boca a renovasse, juntando-lhe a segunda invocação:

“Meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das Vossas Santas Chagas.”

A existência da nossa querida Irmã tornou-se assim uma oração ininterrupta. A união com Deus e um silencioso recolhimento sempre se liam na sua fisionomia. Ao vê-la com os olhos quase sempre fechados e os lábios murmurando incessantemente uma oração, ficava-se comovido. Sobretudo no coro, perdia-se verdadeiramente n’Aquele que se dignava mostrar-se aos olhos da sua alma como um Pai e um Amigo.

* * *

Quanto à segunda parte da “tarefa” - a de despertar nas almas a devoção às Santas Chagas - não dependia só da generosidade heróica da Irmã Maria Marta... N. S. tinha o cuidado de lhe fazer entrever a extensão das dificuldades:

“O teu caminho é tornar-me conhecido e amado pelas minhas Chagas, sobretudo no futuro.”

“Será preciso muito tempo para estabelecer esta devoção.”

O véu do futuro parece ter sido levantado parcialmente diante do olhar da Irmã Maria Marta numa espécie de visão, cuja obscuridade Rev.ma Madre Teresa Eugénia Revel deplora, com um sensível pesar:

“Nao pudemos saber ao certo o fim desta visão nem o seu significado1.”.

Sem entrarmos nas particularidades desta narração, sem procurar uma interpretação que só podia ser pessoal e, indubitavelmente, fantasiada, apontamos simplesmente os fatos reais: a Irmã Maria Marta tinha, com o auxílio das superioras, introduzido a devoção às Santas Chagas na Comunidade - era o primeiro passo. Numerosos mosteiros seguiram este exemplo e adotaram esta devoção - segundo passo. A concessão de 300 dias de indulgências em favor de todos os Mosteiros da Visitação do mundo, era o terceiro passo. O quarto passo data da publicação desta brochura e prosegue magnìficamente.

A leitura das graças concedidas à nossa Irmã, a benéfica influência das palavras de Jesus com respeito à sua santa e amorosa Paixão, o zelo das almas religiosas e de tantos corações dedicados, a extensão das indulgências a todos os fiéis, os grandes alentos recebidos... provocaram uma renovação de amor para com o Divino Crucificado, enquanto através de todo o mundo se multiplicam as confiadas invocações as Santas Chagas.

  1. 1. No dia 29 de agosto de 1868, uma obra começada em 1843 proseguia em Lyon com grande progresso. Foi elevada à classe de Arquiconfraria em 1875. É a Arquiconfraria das Cinco Chagas, cuja sede era Rue de l'Enfance, 65, Lyon.

16. As Santas Chagas e as almas religiosas

As Santas Chagas e as Almas Religiosas

 

“Na Casa de Deus, é preciso viver unidas às minhas Chagas”, disse o Salvador.

“Os vossos votos saem das minhas Chagas!...”

Um dia, quando a Irmã Maria Marta fazia a Vía Sacra, chegando à décima estação, Jesus deu a compreender à esposa o mérito do seu despojamento pelo voto de pobreza, pedindo-lhe que oferecesse as Santas Chagas – “pelas suas esposas que precisam de despojamento, para que o saibam revestir por uma prática mais exata do voto de pobreza.”

Depois, na Crucifixão, ajunta – “que sendo consagradas a Ele, devíamos estar pregadas na cruz com Ele... - quando seguimos a nossa vontade própria, declaramo-nos inimigos da Cruz.”

“Deveis deixar-vos governar pela vossa superiora, como Eu, estendendo as mãos, me deixei pregar na Cruz.”

Depois pede-lhe ainda que ore por aqueles que quereriam despregar-se da Cruz, faltando à obediência...

“Minha filha, repetiu Jesus noutra ocasião, olha para a minha coroa e aprenderás a mortificação, para as minhas mãos estendidas, e aprenderás a obediência, compreenderás a pobreza vendo-me despido sobre a cruz, tornar-te-ás pura contemplando Aquele que é puro e que te ama como um Esposo!...”

Ensina-lhe que as almas religiosas são também almas dedicadas ao sofrimento:

“Eu queria ver em todas as minhas esposas outros tantos Crucifixos!... Não deverá a esposa assemelhar-se ao Esposo?”, declara Aquele que a santa Amante dos Cânticos pinta assim:

“O meu Bem-Amado é branco e vermelho.”

“Dar-te-ei sofrimentos para todo o dia, promete-lhe Jesus, para que vás mais vezes às Fontes benditas das minhas Divinas Chagas.”

“Eu quero que sejas crucificada comigo; quero-o de todas as maneiras... - À medida que disseres sim, mais te crucificarei.”

“Minha filha, olha para a minha coroa! Eu não disse: ela faz-me sofrer muito - mas aceitei-a das mãos de meu Pai por vosso amor! Olha para as minhas mãos! Eu não disse: não as dou, isso faz-me sofrer muito! - e o mesmo aconteceu com os meus pés.”

Depois, Jesus mostra à serva a sagrada carne, despedaçada, aos bocados:

“Encontrarás Chagas em todo o corpo do teu Esposo! - Eu quero que assim sejas - Contempla-Me na Cruz: quando Eu nela estava não olhava nem para os algozes nem para os seus ultrajes... olhava para meu Pai. - É preciso que cumprais assim o vosso dever, fazendo o que Eu quero sem olhar para a criatura... como Eu que olhava unicamente para o meu Pai!”

Um outro dia, aparecendo-lhe na Cruz todo descarnado, “não tendo senão a pele e os ossos”, este terno Mestre exclamou:

“Vê, minha filha, por onde devem passar aqueles que escolhi e que querem chegar à glória, não porém aqueles que levantam a cabeça. - Minha Mãe passou por este caminho... Ele é rude para aqueles que o seguem à força e sem amor, mas suave e consolador para as almas que levam a sua cruz com generosidade. - É preciso que as Esposas de Jesus-Crucificado sofram... - Já não tenho senão as minhas esposas para me esmolar.”

Numa outra entrevista, Jesus disse ainda:

“Minha filha, deveis amar muito o Crucifixo e crucificar-vos para amar Jesus, para poderdes morrer como Jesus e ressuscitar como Ele. - Renovo agora as graças da minha Paixão... - sois vós que deveis derramar os seus benefícios sobre o mundo inteiro.”

15. Os pecadores

Os Pecadores

 

Mesmo depois da Comunidade se ter submetido aos pedidos de N. S., sobre estes dois pontos, Jesus não deixou de continuar a pedir. Era cada vez mais solícito em apresentar as suas Chagas como fontes de graças para os pecadores e como lições eloqüentes para as almas religiosas:

“Há muito tempo - é sempre Jesus que fala - que Eu desejo ver-vos distribuir os frutos da minha Redenção! Vós fazeis agora o que Eu quero pela salvação do mundo. - A cada palavra que pronunciais do terço da misericórdia, Eu deixo e cair uma gota do meu Sangue sobre a alma dum pecador.”

“Os homens calcam aos pés o meu Sangue, e Eu quero que vós, minhas esposas, me ameis e trabalheis por meu amor. Se com todas as riquezas encerradas nas minhas Chagas para vós, não vos aproveitásseis delas, seríeis bem culpadas...”

“- As almas que não veneram as minhas Santas Chagas e que, pelo contrário, as ridicularizam, essas almas rejeito-as.”

“Os pecadores desprezam o Crucifixo; agora tenho paciencia, mas virá um dia em que me vingarei.”

“Vem com o teu coração, minha esposa, vem com o teu coração bem vazio, porque Eu tenho bem com que o encher. Vem à conquista das almas.”

E mostrando-lhe no mundo uma quantidade de pecadores disse:

“Eu tos mostro, para que não percas tempo.”

Durante o mês do Preciosíssimo Sangue, a visão de Jesus Crucificado tornava-se habitualmente constante à Irmã Maria Marta:

“Minha filha, sofri tanto por uma só alma, como por todas juntas... A Redenção foi abundante!”

E o Sangue Redentor corria em abundância das Chagas adoráveis, e Jesus dizia com amor:

“Este é o Sangue do teu Esposo!... do teu Pai!... Pelas vossas almas é que ele foi derramado! - Só Eu podia derramar assim este Sangue Divino!... Minha filha, Eu sou teu Esposo! Sou todo teu, por amor das almas!...”

Algumas vezes, via ela a Justiça de Deus irritada, pronta a castigar o mundo:

“Não me peças, quero castigar”, dizia Jesus Cristo na sua indignação.

“O mundo para ser regenerado precisava duma segunda redenção.”

O Padre Eterno, intervindo, declarava:

“Nao posso dar o meu Filho uma segunda vez.”

Mas a nossa Irmã compreendia que, pela oferta repetida das Santas Chagas, nós podíamos operar esta redenção. - À medida que ela as oferecia, via a cólera divina transformar-se em graças suavíssimas, as quais se derramavam sobre o mundo.

“Minha filha - dizia noutra ocasião Nosso Senhor - é preciso ganhar a palma da vitória: ela vem da minha Santa Paixão... No Calvário, parecia a Vitória impossível e, todavia, foi lá que o meu triunfo se manifestou. - Desejo constantemente que os homens aproveitem a minha Redenção, mas - sejam fiéis ou não - sempre hão-de contribuir para a minha glória.”

Nosso Senhor assustou-a mostrando-lhe a sua justiça excitada pelos pecados dos homens... Ela, consternada, exclamou, humilhando-se profundamente:

“Meu Deus, não olheis para a nossa miséria, mas olhai para a vossa misericórdia.”

E recomeçou a aplacar o Salvador com as invocações multiplicadas às Santas Chagas.

“Oferece-mas muitas vezes para me ganhar pecadores, dizia o Bom Mestre, animando-a, porque Eu tenho fome de almas!...”

14. Pedidos de Nosso Senhor

Pedidos de Nosso Senhor

 

Em troca de tantas graças excepcionais, Jesus apenas pedia à Comunidade duas práticas a que vamos referir-nos rapidamente: a Hora Santa e o Rosário das Santas Chagas. Na época do cólera, em 1867, que tantas vítimas fez em Chambéry, N. S. manifestou o desejo de que, todas as sextas-feiras, a Hora Santa fosse feita por cinco Irmãs, cada uma das quais seria encarregada de honrar uma Chaga.

A SS.ma Virgem uniu o seu pedido ao do seu Divino Filho com estas palavras que revelam um doloroso pesar:

“Nao há nenhuma casa na terra onde as Sagradas Chagas de Jesus sejam honradas, particularmente na sexta-feira à tarde... Deveis durante essa hora contemplar essas santas aberturas e esconder-vos nelas.”

E depois ensinou à feliz privilegiada como devia cumprir este piedoso exercício. Mostrando-se sob a figura de Nossa Senhora das Dores, com o seu Filho nos braços, disse-lhe:

“Minha filha, a primeira vez que contemplei as Chagas do meu querido Filho, foi quando o seu Santo Corpo foi deposto nos meus braços. Meditei as suas dores e fi-las passar ao meu coração... Olhei para os seus Divinos Pés, um após o outro... depois contemplei o seu Coração onde vi esta grande abertura, a mais profunda para o meu coração de Mãe... contemplei a Mão esquerda, depois a direita, e em seguida a Coroa de Espinhos. Todas estas Chagas me trespassaram o coração!... Eis a minha Paixão!... Sete espadas estão no meu coração, e é pelo meu coração que deveis honrar as Chagas Sagradas do meu Divino Filho!...”

Foi por esta mesma época (1867-1868) que, para satisfazer a vontade igualmente manifestada por Nossso Senhor, as superioras estabeleceram por causa das necessidades do momento, mas sem promessa nem compromisso para o futuro, a recitação quotidiana do “Rosário das Santas Chagas”. Eis como, desde a origem, se tem recitado este rosário: Em lugar do “Credo” e nas primeiras três contas diz-se a bela oração inspirada a um Sacerdote de Roma:

“Ó Jesus, Divino Redentor, sede misericordioso para conosco e para com o mundo inteiro. R. Amen.”

“Deus Forte, Deus Santo, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. - R. Amen.”

“Graça, misericórdia, meu Jesus, durante os perigos presentes; cobri-nos com o vosso Sangue precioso. - R. Amen.”

“Padre Eterno, tende misericórdia de nós, pelo Sangue de Jesus Cristo Vosso Filho único; tende misericórdia de nós, nós vo-lo suplicamos. - R. Amen, amen, amen.”

Nas contas pequenas:

“Meu Jesus, perdão e misericórdia. - R. Pelos méritos das Vossas Santas Chagas.” (300 dias de indulgências, toties quoties.)

Nas contas grandes:

“Padre Eterno, eu vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. - R. Para curar as das nossas almas.” (300 dias de indulgências, toties quoties. SS. Pio XI S. P. 16-1-1924.)

 

Estas duas últimas invocações são as que Nosso Senhor mesmo tinha indicado e às quais fez promessas tão belas! Foram primeiro indulgenciadas só para o Instituto da Visitação, estendendo-se depois as indulgências a todos os fiéis, e perpetuamente, em virtude dum indulto da Sagrada Penitenciária (16 de Janeiro de 1924).

Não foi sem dificuldade que as superioras conseguiram que se adotasse a recitação do Rosário das Sagradas Chagas; assim como em Paray, por um zelo extremo da regra, houve mais que uma reclamação, as nossas Madres, assim como a pobre Irmã conversa sofreram bastante com isso, mas Nosso Senhor animava-as:

“Minha filha, as graças de Deus não são dadas sem que haja dificuldade em cumprir a minha vontade... As minhas Chagas são vossas: o demônio perdeu o mérito delas e é por isso que ele se enraivece contra vós. Mas quantos mais obstáculos e oposições encontrardes, mais abundante será a minha graça.”

“Não deveis temer nada e é preciso que passeis por cima de todos os obstáculos; nisto consiste o verdadeiro amor... Aquele que vos ampara não pode ser abalado; serei sempre a vossa defesa!... mas é preciso este sofrimento.”

Deus Pai, segurando uma chave na mão, parecia ameaçar com um ar severo:

“Se não fazeis o que Eu quero, fecharei estas Fontes e dá-las-ei a outros.”

Com uma firmeza repassada de paciência e de humildade, as nossas Madres, Teresa Eugénia e Maria Aleixo, conseguiram introduzir esta prática. Jesus sustentou-as visìvelmente. Havia uma Irmã muito autorizada no Mosteiro, por causa da sua grande inteligência e sólido raciocínio, a qual se opunha tenazmente à nova devoção. Um dia dirigiu-se-lhe a humilde Irmã conversa encarregada duma missão da parte do Senhor; a Irmã ouviu que ela lhe revelava uma coisa absolutamente secreta, que se tinha passado entre ela e Ele, no íntimo da sua alma, coisa que nunca tinha confiado a ninguém e que, por isso, a Irmã Maria Marta não podia saber senão de Deus... Perante tal prova, a Irmã rendeu-se sinceramente e quis reparar a oposição passada, fazendo pequeninas imagens das Santas Chagas, destinadas a propagar o culto.

“A devoção as minhas Chagas é o remédio para este tempo de iniquidade”, assegurava o Salvador.

“Sou Eu que o quero: é preciso que façais as aspirações com grande fervor.”

Perante tais progressos, a raiva do demônio não podia conter-se e atirava-se sobretudo à Irmã de quem escarnecia:

“Que é que tu fazes?... perdes o teu tempo. - As outras pessoas recitam lindas orações que encontram nos livros, enquanto tu, dizes sempre a mesma coisa.”

Mas Jesus expulsava o demônio:

“Minha filha, Eu vejo tudo e conto tudo. - Diz à tua superiora que Eu conto cada aspiração que ela faz. - É preciso que ela empregue todos os meios para manter o terço da misericórdia.”

“Eu estou contente por vos ver honrar as minhas Santas Chagas; posso agora derramar mais abundantemente os frutos da minha Redenção. É preciso que vós, que conheceis os meus desejos, sejais duplamente fervorosas... Se afrouxardes na devoção às minhas Chagas, perdereis muito.”

“Assim como existe um exército pronto para o mal, há também um dirigido por Mim. – Com esta oração, tendes mais poder que um exército, para deter os meus inimigos.”

“Vós sois bem felizes, vós a quem Eu ensinei a oração que me desarma: Meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das Vossas Santas Chagas.”

“As graças que recebeis por estas invocações, são graças de fogo... Elas vêm do Céu e é preciso que voltem para o Céu...”

“Diz à tua superiora que será sempre ouvida em qualquer necessidade que seja, quando me pedir pelas Santas Chagas, mandando recitar o Rosário da Misericórdia.”

“Os vossos Mosteiros atraem as graças de Deus sobre as dioceses em que se encontram; quando ofereceis a meu Pai as minhas Santas Chagas, olho para vós como estendendo as mãos ao Céu para receber graças!... Em verdade, esta oração não é da terra, mas do Céu!... ela pode obter tudo!” “- É preciso dizê-lo à tua Superiora, recordá-lo, escrevê-lo para o futuro, a fim de que recorrais a ela de preferência a outras.”

As recomendações de N. S. não foram vãs. Conservou-se o uso de recorrer quotidianamente a “esta oração do Céu”. Quando surgem grandes dificuldades, necessidades graves, perigos iminentes, mais numerosas e instantes são as invocações... E depois duma experiência de cinqüenta anos, a Comunidade pode declarar que sempre se felicitou pela sua confiança! Não foi porque fossem poupadas as provações nem que a morte espaçasse as suas visitas... Longe disso! Mas as mesmas provações são suavizadas com tantas consolações! E morre-se tão suavemente a sombra das Santas Chagas!

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