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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Anônimo (225)

Por que Cristo quis nascer de uma mulher?

Os Padres da Igreja se fizeram essa pergunta por muito tempo: por que Deus escolheu encarnar-se, nascer de uma mulher? Cristo, o novo Adão, poderia, de fato, ter sido criado como um adulto, como o primeiro homem. Essa pergunta nos dá ocasião para meditar e contemplar o plano que Deus escolheu ao querer a Virgem Maria como sua mãe.

As razões são fáceis de descobrir. As profecias sobre o Messias anunciaram que Ele nasceria de uma mulher, bem como o protoevangelho (Gn 3,15), que anuncia a inimizade entre o Messias e Sua Mãe com a serpente, isto é, o demônio. Essas profecias deviam ser cumpridas.

O fato de que o poder divino seria melhor demonstrado se o Salvador nascesse de uma mulher é outra razão: Deus triunfa através de uma criatura, o que manifesta Seu soberano poder, capaz de usar instrumentos frágeis para as maiores obras.

Uma terceira razão é que, entre as criaturas, apenas uma mulher poderia se tornar a Mãe de Deus. A natureza humana permite ao Filho de Deus encontrar uma mulher, uma pessoa que Lhe dará aquela natureza que será oferecida em holocausto para a glória de Deus e a salvação da humanidade.

Os Padres e teólogos descobriram outras razões maravilhosas.

Uma razão muito importante é atestar a verdade da Encarnação. Muitos hereges, como os docetistas, alegaram que Jesus Cristo não era homem, que Ele apenas “atravessou” pela Virgem Maria. A afirmação da maternidade divina refuta essas fantasias.

Além disso, a natureza humana é corporal e espiritual e envolve o fato de que o corpo procede da maternidade: contrariamente às alegações dos hereges mencionados acima, possuir uma natureza verdadeiramente humana não diminui a dignidade do Verbo.

De modo semelhante, a vida familiar é parte da nossa natureza: toda criança nasce numa família. Não há imperfeições nessa situação. É apropriado, portanto, que o Verbo Encarnado assuma uma vida familiar.

Essa vida familiar gerou a oportunidade do Verbo Encarnado servir de modelo de piedade filial.

Santo Agostinho deu outra boa razão: a humanidade é honrada em um representante masculino, um homem que é Deus, e em um representante feminino, uma mulher revestida da dignidade de Mãe de Deus.

Outra boa razão diz respeito ao casamento místico da humanidade com o Verbo: o Fiat de Maria foi dado em nome de toda a humanidade.

Quanto à salvação da humanidade, o fato de que o Verbo Encarnado Se tornou homem, descendente de Adão de acordo com a carne, nascido de mulher, colocou-O em posição de mediador: Ele é aceito pelas duas partes que Ele conecta, Céu e terra, Deus e os homens.

Finalmente, para que a expiação do Messias possa ser aceita por Deus como advindo dos pecadores que O ofenderam, era necessário que Ele pudesse estar com os pecadores: é isso que Isaías e São Paulo dizem. Não que Ele seja um pecador, mas em razão de sua natureza humana e de sua origem em Adão.

É claro que todas essas razões não nos fornecem a resposta à questão indagada. Mas elas a explicam e ilustram, e permitem-nos adentrar os segredos de Deus sobre Seu Filho encarnado e Sua mãe.

Introdução ao décimo sétimo domingo de Pentecostes

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Evangelho)

 

Paramentos verdes

 

A história de Tobias que se lê por esta altura no Ofício divino coincide frequentemente com este domingo. Julgamos, pois, conveniente estuda-la para estabelecer, conforme o nosso plano, a íntima união que existe e que muitas vezes não se nota entre o Breviário e o Missal.

Tobias terá vivido no tempo de Salmanasar pelos fins do século VIII antes de Cristo, ao tempo das deportações dos israelitas do Norte para a Síria. Foi homem pobre, observava todas as coisas conforme a Lei de Deus. Porém, depois que chegou à idade varonil casou-se com Ana, mulher da sua tribo, e teve dela um filho, a quem deu o seu nome e ensinou desde a infância a temer a Deus e a abster-se do pecado. Levado cativo para Nínive, Tobias não esqueceu o nome do Senhor e visitando os seus irmãos de exílio e de raça, dava-lhes salutares conselhos e distribuía com eles do seu pouco.

Dava de comer aos famintos, vestia os nus e sepultava com paternal solicitude os que morriam enfermos ou ao cutelo do tirano. “E Deus para acrescentar a sua coroa e dar aos homens um nobre exemplo de paciência e fidelidade, quis que ele cegasse já no fim dos seus dias”. E continua a Escritura: “tendo temido o Senhor desde a infância e andado sempre na sua Lei, não se contristou nem se revoltou contra Deus por causa da chaga com que o feriu, mas ficou imóvel no temor do Senhor, dando graças a Deus todos os dias da sua vida”

Somos filhos de santos, dizia, e esperamos a vida que Deus prometeu aos que põem N’Ele a sua esperança. E como a esposa o insultasse, Tobias gemeu dentro da sua alma e orou ao Senhor quase pelas palavras do Intróito de hoje: “Senhor, Vós sois justo e todos os vossos juízos são retos. Tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia”. Depois, voltando-se para o seu filho: “Meu filho, guarda no teu coração o nome do Senhor e foge de consentires no pecado. Dá esmola do que tens e não desvies a tua face do que tem fome. Faz todo o bem que puderes. O que não queres que te façam, livra-te de o fazeres a alguém”. Em resumo, o amor de Deus e do próximo, na sua realização magnífica, tal como a Epístola e o Evangelho de hoje no-lo aconselham. Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito e ao próximo como a ti mesmo (Evangelho). Praticai em tudo a humildade, a mansidão e a paciência. Sofrei-vos mutuamente e sede solícitos em vos conservar unidos nos vínculos da paz. Praticando estes sapientíssimos conselhos poderemos exclamar um dia com o velho Tobias ao recobrar a vista do corpo: “Ó Jerusalém, tu hás de brilhar como os astros e todas as nações virão adorar dentro dos teus muros o Deus de Israel. As tuas praças serão pavimentadas de pedras preciosas e nas tuas ruas ressoará para sempre o Aleluia eterno” Assim é a Jerusalém celeste e o reino de Deus na Terra, a Igreja Católica, Apostólica, Romana. “Quem a abençoar será bendito”. Todos são chamados a formar nela um só corpo, animado dum só espírito, que é o mesmo Espírito Santo que lhe foi infundido no dia de Pentecostes. “Todos temos a mesma Esperança, a mesma Fé e o mesmo Batismo”

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Introdução ao décimo sexto domingo de Pentecostes

 “Tomando este homem pela mão, Ele o curou” (Evangelho)

 

Paramentos verdes

 

Costuma ler-se por esta altura no Ofício de Matinas, a história de Jó. Continuemos a nossa tarefa de estudo comparativo do texto do Missal e do Breviário.

Jó é o tipo do homem justo que o espírito do mal persegue e humilha para o excitar à revolta contra Deus. E assim acontece de fato deixar a Providência por um pouco a alma nas mãos de Satanás para confessar na dor e na desgraça a sabedoria de Deus e submeter-se incondicionalmente à sua vontade. Privado de todos os bens e abandonado só sobre o monturo, exposto às vaias dos maus e ao riso até dos seus amigos, o pobre Jó submetia-se confiadamente aos juízos insondáveis de Deus e implorava a sua misericórdia. O Salmo do Intróito pode considerar-se a expressão exata da sua angústia. Era assim realmente que Jó orava. Ele é o grito de todas as almas atribuladas. “Tende piedade de mim, Senhor. Tenho gritado por Vós durante todo o dia. Baixai o ouvido e escutai-me. Sou pobre e nada tenho de meu”.

O Ofertório e a Comunhão exprimem de maneira surpreendentemente exata os sentimentos do grande perseguido da desventura: “Deitai sobre mim o vosso olhar e vinde em meu auxílio. Confundi e humilhai diante de mim aqueles que querem tirar-me a vida. Senhor, não esqueci a vossa justiça. Vós conduzistes os meus passos desde a juventude. Agora que estou velho, não me abandoneis, Senhor”. Deus, diziam os amigos de Jó para encorajá-lo, exalta os humildes e levanta e cura os aflitos de coração. E o Evangelho da Missa de hoje repete: “Todo o que se exaltar será humilhado, e todo o que se humilhar, será exaltado”

Deus, com efeito, depois de provar Jó com as maiores humilhações, eleva-o de novo e dá-lhe o dobro de tudo quanto anteriormente possuía. Jó é figura de Cristo que, depois das humilhações do Gólgota, seria exaltado com a apoteose da ressurreição. É ainda figura de todo cristão, que terá lugar de honra no banquete de núpcias do Cordeiro se na terra praticar com amor e com fé a virtude da humildade. O orgulho, diz S. Tomás, é um vício pelo qual o homem se eleva contra a razão acima do que realmente é. O orgulho assenta consequentemente no erro e na ilusão. A humildade, pelo contrário, funda-se na mesma verdade. É uma virtude que modera os ímpetos da alma e a inibe de se elevar acima do que é. É por isso que o orgulho também se chama soberba — “superbia”. A alma verdadeiramente humilde aceita submissamente o lugar que lhe cabe e que Deus, verdade suprema e infalível, lhe consignou. Humildade nas palavras, na conversa, nos atos, nas provas, é a humildade genuína que Jó nos ensina e que o Senhor no Evangelho de hoje nos aconselha. Vendo como os fariseus escolhiam os primeiros lugares, quis fazer-lhes compreender o mal grave de que estavam tomados e levá-los por este modo a procurar a cura. Curou, com efeito, primeiramente um hidrópico inflado no mal e procurou depois, velando a lâmina do escalpelo na gaze sutil duma parábola, curar a hidropisia espiritual dessas pobres almas cegas e condutoras de cegos. O mundo só se encontra bem na exaltação e na enfatuação permanente do orgulho e esquece-se de que a humildade é condição indispensável para entrar no Reino de Deus. É esta virtude que a oração da Missa nos inculca e é-nos admiravelmente exposta na Epístola. Sem merecimento nenhum da nossa parte, explica o Apóstolo aos Efésios, mas unicamente para servirmos a glória de Deus, o Senhor escolheu-nos e fez de nós, de filhos da ira, que éramos, herdeiros do Seu Reino.

Do Evangelho: “Vai e põe-te no último lugar”; não quer dizer que o superior se deva colocar abaixo dos subordinados e expor à irrisão a autoridade; mas que se deve sempre lembrar da sentença que diz: “Quanto maior fores, mais humilde te mostra e encontrarás graça na presença de Deus”

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Introdução ao décimo quinto domingo de Pentecostes

 “Jovem, eu te ordeno, levanta-te” (Evangelho)

 

Paramentos verdes

 

 As lições deste domingo são geralmente do livro de Jó, desse venerável patriarca da Idumeia, que Satanás quis experimentar com danada tenção de ver se realmente servia a Deus com desinteresse ou porque o tinha cumulado de bens e de riqueza. Um dia, diz o Livro sagrado, Satanás apresentou-se diante de Deus e disse-Lhe: Corri a Terra toda e encontrei o vosso servo Jó, que Vós tendes protegido e enriquecido de consideráveis riquezas. Estendei, no entanto, um pouco a Vossa mão e tocai-lhe, que sempre quero ver se ele não Vos bendiz só por diante. E o Senhor respondeu-lhe: Vai e faze-lhe quanto esteja no teu poder, mas não lhe tires a vida. Partiu Satanás e depois de o privar de todos os bens, feriu-o com uma chaga terrível e purulenta desde a planta dos pés até a cabeça. É pensando na malícia de Satanás que a Igreja pede hoje ao Senhor que nos defenda das insídias do espírito das trevas. Jó clamava: “Na casa dos mortos é a minha morada e o meu leito num lugar tenebroso. Disse ao pus, tu és o meu pai; e aos vermes, vós sois a minha mãe e a minha irmã. Consumiu-se a minha carne como um vestido roído pela traça e os ossos pegaram-se-me à pele. Tende compaixão de mim, vós ao menos que sois meus amigos, porque a mão do Senhor feriu-me”. Porém, ninguém atendia ao seu apelo, e, desiludido dos homens falsos e ingratos, voltou-se para Deus, entoando o mais belo cântico de esperança que jamais se ouviu sobre a Terra: “Eu sei que vive o meu Redentor, que me ressuscitará da terra no último dia. Então, serei revestido novamente da minha pele e verei o meu Deus. Eu mesmo O verei e contemplarei com os meus olhos. Esta esperança vive dentro de mim”.

A Santa Igreja, de que Jó é figura, tem a consciência dos ataques incessantes com que o demônio pretende destruí-la, e não cessa de pedir a Deus que a proteja, que a conduza e a defenda. A sua voz é ainda o eco da oração de Jó, a confissão humilde da sua impotência e a esperança invencível n’Aquele que é poderoso e cheio de entranhas de misericórdia com os que O invocam.

A Epístola é uma exortação fremente e ansiosa a que andemos nos caminhos do Senhor e sejamos fiéis às inspirações do Espírito. Se vivemos no Espírito, andemos também em conformidade com Ele, quer dizer, sejamos mais humildes, tenhamos mais caridade com os que saem do caminho da justiça e pensemos que somos fracos também e que havemos de prestar apertada conta dos nossos pecados e não dos pecados dos outros.

O Evangelho, segundo a interpretação unânime dos Padres, é um símbolo admirável da Igreja, deplorando os seus filhos que vivem em pecado mortal e pedindo Àquele que veio à Terra para perdoar, que se amercie deles e os ressuscite.

Do Evangelho: Se a ressurreição deste jovem, diz S. Agostinho, alegrou a viúva, sua mãe, também a Santa Igreja, que é mãe de todos os homens, se alegra com as ressurreições espirituais que se operam todos os dias nas almas de seus filhos. Choram-se as mortes que se veem, a morte que menos importa, a do corpo; e ninguém pensa nem pressente sequer essas mortes terríveis que se passam dentro da consciência de cada um. Todavia, Aquele que vê estes mortos, pensa neles.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

A queda do Afeganistão e o ressurgimento do Islamismo radical

William Kilpatrick

 

Enquanto escrevo este artigo, as notícias narram que Kabul caiu nas mãos dos Talibãs, que o presidente do Afeganistão está foragido e que o novo governo será nomeado de Emirado Islâmico do Afeganistão. Enquanto isso, está sendo noticiado que a Embaixada dos EUA foi evacuada, mas não está claro, ainda, se os funcionários da Embaixada conseguiram sair do país.

Até ontem [15 de Agosto de 2020], muitos na administração Biden estavam dizendo que nada disso iria acontecer, ou que, se acontecesse, não aconteceria em um longo tempo. Mas está acontecendo agora. E a velocidade da tomada nos deve levar a fazer uma reflexão.

Nos últimos dois anos, houve uma cascata de eventos súbitos para os quais poucos estavam preparados – levantes violentos em centenas de cidades americanas, uma elevação do crime, uma pandemia mundial, a eleição controversa de um presidente alienado da realidade, o ressurgimento de tensões raciais e uma invasão de centenas de milhares de imigrantes ilegais na nossa fronteira do Sul. Mais chocante que tudo, as rédeas do governo americano, agora, estão nas mãos de esquerdistas.

Desde uma perspectiva histórica, tudo ocorreu em um piscar de olhos. E – ao menos para a maioria dos americanos – foi tudo inesperado.

A rápida e inesperada derrota do governo afegão deveria servir de aviso para o fato de que tempos mais turbulentos e perigosos estão à vista. Não é uma previsão difícil de se fazer. Nossa derrota no Afeganistão advém, de várias maneiras, da ilusão mesma dos “woke”(**) que permitiu à anarquia e ao caos moral crescerem e prosperarem nos EUA.

De fato, muitos de nossos erros de cálculo no Afeganistão parecem estar fundados diretamente no mesmo tipo de pensamento mágico que, agora, permeia nossas escolas, nossos conselhos municipais e até mesmo nossas Forças Armadas. Em tempos de crise, nós dependemos de que nossos militares estejam sempre um passo à frente ao lidarem com um inimigo como os Talibãs. Mas, agora, parece que nossas Forças Armadas foi uma das primeiras instituições a sucumbir à doutrina “woke” – isto é, ao wishful thinking. Como os ativistas radicais que pediam o corte de verbas da polícia, generais radicais, entusiasticamente, apoiaram programas que levaram a um desarmamento moral das tropas.

Em vez de aumentar o moral, a coesão das unidades e a prontidão,  solaparam essas qualidades ao introduzir treinamento em teoria racial crítica, racismo sistemático, preconceito com brancos e orgulho LGBT. É claro, como o bom senso indica, tais programas serviram apenas para aumentar as divisões entre as tropas: negros contra brancos, cristãos e conservadores contra liberais e esquerdistas etc. A "grande ideia" da Força Aérea para aumentar o moral foi trazer drag queens para entreter os aviadores. As pessoas que sancionaram esses bizarros programas de treinamento não eram funcionários do baixo escalão, mas do topo do topo. O Secretário de Defesa Lloyd Austin presidiu um evento de “orgulho gay” no Pentágono e, em outra ocasião, anunciou que combater a mudança climática era a maior prioridade dos militares. Por outro lado, o General Mark Milley, o Estado-Maior Conjunto dos EUA e ex-comandante das nossas tropas no Afeganistão, parece pensar que a “supremacia branca” é a maior ameaça a nossa nação. Posições semelhantes têm sido adotadas pelo Comandante da Marinha, Almirante Michael Gilday, pelo Estado-Maior da Força Aérea, Charles Q. Brown Jr., e por vários outros oficiais de alta patente.

Com toda essa engenharia social em suas mentes, não é de espantar que os generais não tivessem muito tempo para pensar na ameaça dos Talibãs. Além disso, esse tipo de doutrinação a que nossas tropas têm sido submetidas não apenas solapa a coesão, a unidade e o moral da tropa (suicídios estão em alta recorde), mas também distrói a lógica por trás da defesa do próprio país. Se a sua pátria é apresentada como a nação mais preconceituosa e racista da história, por que arriscar a vida lutando por ela? Se os EUA não são melhores que os Talibãs (ou o ISIS, ou Al-Qaeda), então que direito temos de intervir?

Esses mitos “woke” inibiram muito a eficiência dos militares no Afeganistão e em outros lugares. Mas a ilusão mais perigosa na qual acreditam tanto os militares, quanto governos sucessivos diz respeito ao Islã em si. É a ilusão de que o Islã é uma religião de paz. A noção ilusória de que a cultura e a religião islâmicas não são diferentes da nossa, ou que os muçulmanos devotos querem o mesmo que o Ocidente – liberdade de consciência, tolerância de opiniões divergentes, democracia e a igualdade de homens e mulheres.

Qualquer um que tenha conhecimento do Corão, da Hadith e da Sharia ou da história do Islã sabe que, quanto mais devoto um muçulmano é, menos provável será que queira alguma dessas coisas. Muitos de nossos politicos, porém, não são pessoas religiosas, de modo que tendem a subestimar a importância da religião na vida das pessoas. Ora, o Talibã, Al-Qaeda, ISIS, Boko Haram e afins são profundamente religiosos. Eles não estão lutando, apenas, por terra, ou por recursos naturais, mas por Allah. As guerras que travam são guerras religiosas. E um dos princípios maiores da religião deles é que o mundo inteiro deve estar submetido a Allah. Como o comandante do Talibã Muhammed Arif Mustafa, recentemente, afirmou: “É nossa crença que, um dia... A lei islâmica virá não apenas para o Afeganistão, mas para todo o mundo... a Jihad não terminará até o fim dos tempos”. Por essa razão, a maioria desses incentivos oferecidos pelos EUA e pela OTAN, que lembram uma cenoura penduradas num graveto, simplesmente não funcionarão – e menos ainda o aviso de Jen Psaki de que os Talibãs estão correndo risco de perder prestígio perante a “comunidade internacional”.

A ameaça do Islã tem sido muito subestimada, porque pouquíssimos realmente tentaram compreender o Islã, seu fundador beligerante e seu ethos guerreiro. Embora gerações de americanos tenham se entusiasmado com filmes de James Bond estrelando vilões maus que buscam a dominação global, parecem esquecidos da possibilidade de que ideologias na vida real, de fato, busquem essa dominação global. E, ainda assim, uma das lições mais claras da História é que é exatamente isso que o Islã quer.

Um indício da falta de entendimento do Islã e de suas ambições globais é que o significado dos atentados de 11/09 está sumindo da memória. Muitos da geração “woke” eram, apenas, bebês no tempo dos ataques, então não experimentaram a sensação de choque e pavor sentida por muitos americanos por anos após o ataque. Mas esse medo desapareceu com o passar do tempo. Recentemente, muitas das famílias das vítimas do 11/09 se sentiram ultrajadas com alegações da mídia de que os acontecimentos no Capitólio de 6 de Janeiro, que resultaram em uma morte, foram piores que os ataques do 11/09, que deixaram quase 3 mil mortos e geraram guerras.

Haverá outro 11/09? Infelizmente, seria difícil dizer o contrário. Devido a nossa relutância em tirar lições daquele acontecimento, parece que estamos fadados a receber lições ainda mais duras. Dado o modo rápido e decisivo com que o Talibã retomou o Afeganistão, outro ataque parece bastante provável.

De fato, parece provável que, agora, testemunharemos um ressurgimento poderoso da atividade islâmica de jihad em todo o mundo. A partida humilhante das forças americanas do Afeganistão será tomada como um sinal da vontade de Allah por muitos muçulmanos ao redor do mundo. Alguns dos aliados dos EUA a interpretarão como um sinal de que não podem mais confiar nos EUA, e alguns optarão por tomar uma posição mais neutra na guerra contra o terrorismo islâmico. Assim como o exército afegão acabou se rendendo ao Talibã, também podemos esperar que outros povos em terras que estão combatendo jihadistas abandonarão a luta e aceitarão o duro jugo da Sharia, para não correrem o risco de perder tudo.

Aqui, nos EUA, devemos nos perguntar se estamos prontos para outro ataque da mesma magnitude que o 11/09. A Polícia de Nova York, por exemplo, está preparada? Eles estão seriamente desmoralizados com o fracasso do prefeito progressita em lhes dar apoio. Enquanto isso, muitos policiais abandonaram a corporação ou aposentaram-se mais cedo em razão do sentimento antipolicial, de taxas crescentes de criminalidade e das tentativas de cortes de verbas da polícia. Estarão eles de prontidão [para os ataques terroristas], ou estarão preocupados com outras coisas, tentando defender-se de ataques físicos ou verbais?

Ainda que a polícia americana se mantenha firme, e quanto ao resto do mundo? Como Osama bin Laden uma vez observou, os homens, naturalmente, preferirão um cavalo forte a um cavalo fraco. E, cada vez mais, o Islã radical parece ser o cavalo forte. A Turquia, a China, o Paquistão e o Irã já sinalizaram que reconhecerão o Talibã como o governo legítimo do Afeganistão. Todos eles estão prontos a fornecer armas e dinheiro ao Talibã. Enquanto isso, o Talibã adquiriu armas – fuzis americanos, artilharia, Humvees, drones e helicópteros abandonados pelo exército afegão em debandada. Eles também libertaram cerca de 5 mil prisioneiros Talibãs e Al-Qaeda experientes em combates da Base Aérea de Bagram. Inspirados em seus ímans e no Corão, esses lutadores não estarão muito inclinados a se aposentarem e a viverem vidas pacíficas daqui em diante.

Para muitos muçulmanos – especialmente muçulmanos jovens – a vitória será fonte de inspiração para aderir à jihad, e o número de recrutamentos provavelmente explodirá. O sangue fresco poderia virar a balança em muitas áreas em combate – por exemplo, em partes da África, as Filipinas e a Índia.

A Índia, é claro, tem armas nucleares – várias delas. E isso traz outra possibilidade assustadora. Ao derrotar o exército afegão, os Talibãs adquiriram um considerável número de armas avançadas. Outras forças islâmicas poderiam adquirir armas nucleares de governos que se renderem em outras partes do mundo? A Índia é uma possibilidade, mas ela daria uma luta dura. A Índia tem uma longa lembrança de conquistas islâmicas passadas e não se renderá tão facilmente.

Mas boa parte da Europa é outra história. Há sinais de que seus povos estão perdendo a vontade de resistir. A Europa tem uma população envelhecida, e, em anos recentes, tem mostrado uma propensão a tentar agradar ao Islã. Enquanto isso, a população muçulmana da Europa continua a crescer e é uma população muito mais jovem. Em outras palavras, grande parte dos muçulmanos europeus estão em idade de combate.

Tanto a França quanto a Inglaterra têm armas nucleares e sistemas avançados aptos a lança-las, mas, obviamente, tais armas nunca foram adquiridas para o tipo de situação que, hoje, os franceses e os ingleses enfrentam. Mas é cogitável que essas armas poderiam cair nas mãos dos islâmicos, se algum desses países sucumbisse à islamização. Ambos os países sofreram mais ataques jihadistas – alguns com números impressionantes de mortos – que os EUA. E alguns, como o escritor francês Mihcel Houellebecq, acreditam que a França está pronta para se render.

E, ainda que a Europa se mantenha firme, e quanto ao EUA? Como mencionei acima, os generais americanos têm ideias muito estranhas de qual sua missão. Se os líderes militares americanos são burros o suficiente para cair na teoria racial crítica, na ameaça de um golpe branco supremacista, nos méritos do neomarxismo e no papel crucial que os drag queens desempenham para aumentar o moral, então eles cairão em qualquer invenção.

Um sinal de que é assim é que o Pentágono, recentemente, nomeou seis muçulmanos radicais (um terço do total) ao recém criado “Grupo de Trabalhos para Conter o Extremismo”. O grupo recebeu a tarefa de eliminar os extremistas (conservadores, cristãos e patriotas) das linhas dos militares. Então, muçulmanos extremistas receberam a tarefa de eliminar das Forças Armadas seus soldados mais leais e patriotas. É um caso clássico da raposa guardando o galinheiro. E isso está acontecendo apesar do fato de que, em várias ocasiões, muçulmanos extremistas se infiltraram em bases das Forças americanas, com consequências mortais.

Quando estavam em campanha pela presidência, Joe Biden prometeu nomear muçulmanos para posições governamentais “em todos os níveis”. Mas parece que os muçulmanos já estão servindo em todos os níveis do governo estadual e federal. Alguns deles, sem sombra de dúvidas, estão servindo lealmente, mas alguns podem estar servindo a outros interesses. Em seu livro de 2015, Catastrophic Failure, o analista de segurança, Major Stephen Coughlin falou de infiltração considerável do Pentágono pela Irmandade Muçulmana. Em 2016, Philip Haney escreveu sobre uma penetração parecida no Department of Homeland Security em seu livro See Something, Say Nothing. Em 2020, enquanto escrevia a continuação do livro, Haney foi encontrado morto com um ferimento de tiro em uma estrada. Não é apenas uma paranoia que evita que as pessoas digam o que veem. Em muitos casos, é um medo real de que o que provavelmente aconteceu a Haney possa acontecer a elas.

Apenas recentemente os americanos acordaram para o fato de que os comunistas chineses, por anos, têm exercido influência considerável nas universidades, empresas e pessoas em altas posições de governo. Algum dia acordaremos e descobriremos que radicais islâmicos têm conduzido operações de influência semelhantes na sociedade americana?

Mas a coisa mais curiosa é que essas operações de influência dificilmente são necessárias. Isso porque uma maioria na academia, mídia e establishments políticos, há muito tempo, venderam-se ao mito de que o Islã verdadeiro é pacífico, tolerante e moderado em essência. Além disso, eles fizeram tudo ao seu alcance para cancelar e silenciar aqueles que não acreditam no mito – as pessoas que eles desqualificam como “islamófobos”.

Essa manhã, uma das manchetes na minha TV dizia: “Autoridades: Talibã tomou o poder mais rápido que o esperado” Muitas coisas estão acontecendo mais rápido que o esperado. É provável que a influência da China e do Islã pelo resto do mundo continuará a crescer mais rápido que o esperado.

Mas não é para você perceber isso. A vitória de domingo do Talibã sacudiu os americanos anestesiados. Mas várias dessas sacudidas já aconteceram ao longo do anos, e, após cada uma, nós voltamos a dormir. A maioria dos americanos têm menos medo do Islã que de ofender a ideologia “woke” – menos medo do Islã que de ser considerados “islamófobos”.

O que precisamos temer, porém, não é a “islamofobia”, mas o retorno do Talibã, da Al-Qaeda, do ISIS e a aliança dos três com a China, Turquia, Irã, Paquistão e vários outras potências que desejam nossa derrota.

 

**N.T.: O termo “woke” refere-se à ideologia progressista americana contemporânea, bem como aos americanos que a ela aderem

 

Tradução: Permanência / Fonte:Catholic Family News / A pintura que ilustra este artigo é de R. Moinvoisin 

Introdução ao décimo quarto domingo de Pentecostes

“Salomão jamais se vestiu como um destes lírios” (Evangelho).

 

Paramentos verdes

 

As lições do Breviário são tiradas do Livro do Eclesiástico, se o domingo vem no mês de agosto, ou de Jó, se vem no de setembro. S. Gregório comentando o Eclesiástico, diz assim: “Há homens que se entregam inteiramente à sedução dos bens materiais, ignorantes sem dúvida ou pelo menos esquecidos do tesouro deslumbrante e inexaurível que a matéria vela. Sem a saudade dos bens que ficam para além e que eles culpavelmente perderam, sentem-se felizes, os mesquinhos, com um punhado de terra. Criados para a luz da verdade, não sentem dentro de si o desejo de a olhar, de a compreender, de se perderem nela. Desorientados no meio dos prazeres em que se precipitaram, chegam a pensar que lhes é pátria o exílio em que vivem e que é luz radiosa a treva que os envolve. Ao contrário, os eleitos para quem os bens da Terra não têm valor algum, procuram sem descanso, entre as areias agitadas deste deserto amargo, a pérola preciosa que a sua alma anseia. Presos à Terra pela carne que também é terra, debatem-se na ânsia de se libertarem, absolutamente determinados a desprezar o que passa para recolher o que permanece”.

Quanto a Jó, é o tipo genuíno do homem desprendido da terra e da perfeita resignação na vontade adorável de Deus: “Se de Deus recebemos a fortuna, dizia ele, porque não havemos de também aceitar o revés, se for servido no-lo mandar? ”

A Missa de hoje abunda nestes pensamentos. O Espírito Santo, que a Igreja recebeu no dia de Pentecostes, formou em nós o homem novo que se opõe e procura destruir as inveteradas tendências do velho homem — que são as intemperanças da carne e a busca insaciável da riqueza para as satisfazer. O Espírito de Deus, o espírito de liberdade que habita em nós e nos torna filhos do Pai e irmãos de Nosso Senhor Jesus Cristo, segrega-nos da servidão ignóbil do pecado, porque os que pertencem a Jesus Cristo, crucificaram a própria carne com os seus vícios e baixezas. Caminham no Espírito e não satisfazem os instintos da carne, porque a carne está em oposição irredutível com o espírito.

Convencido da verdade evangélica de que ninguém pode servir a dois senhores, o cristão põe-se de guarda contra si mesmo, contra as velhas paixões amortecidas talvez nas cinzas funerárias do velho homem, não vão às vezes ressuscitarem. “O que se deixa escravizar pelos bens deste mundo, diz S. Agostinho, está às ordens dum senhor duro e terrível. Está debaixo da tirania do demônio. Sem dúvida, ele não o ama, pois quem é que pode amar o demônio? Todavia, suporta-o. Por outro lado, também não odeia Deus. Ninguém odeia Deus no fundo de sua consciência. No entanto, despreza-O e não O teme, como se estivesse seguro de estar perdoado. Mas o Espírito Santo põe-nos de atalaia contra estes perigos, quando nos diz pelo profeta que a misericórdia de Deus é infinita e que a sua paciência nos convida à penitência. Se alguém pois quer amar a Deus em sinceridade e verdade, se alguém tem o desejo normal de ser feliz, considere a sentença do Senhor, procure em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo o mais lhe virá por acréscimo”.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Introdução ao décimo terceiro domingo de Pentecostes

 “Levanta-te, vai; a tua fé te salvou” (Evangelho).

 

Paramentos verdes

 

Continua a Santa Igreja a ler os Livros Sapienciais começados no domingo passado e abre hoje pela celebrada sentença do sábio: “Vaidade das vaidades e tudo é vaidade”. Quando Salomão se deixou arrastar na onda subversiva do amor às coisas da Terra, pensou e chegou a convencer-se de que eram realmente grandes e admiráveis. E nesta convicção, não se poupou a trabalhos e cuidados para amontoar ouro e construir palácios e se proporcionar os mais requintados prazeres. Mas quando voltou a si mesmo e pôde contemplar, à luz da sabedoria divina, o abismo tenebroso e o nada que era aquilo tudo, arrancou esse grito sublime e verdadeiramente digno do Céu: “Vaidade das vaidades e tudo é vaidade”. E se não podemos exigir de Salomão uma sabedoria perfeita, visto que viveu na lei antiga que não vedava de todo estas coisas, que diremos de nós que somos chamados a uma vida mais alta, senão que devemos imitar as virtudes celestes que são só espírito e inteligência?

Toda a Missa de hoje anda precisamente à volta deste ponto e procura excitar em nós a fé em Jesus Cristo, o único que nos poderá arrancar desta miséria. Já no Antigo Testamento, diz S. Paulo, era a fé em Jesus Cristo que salvava. Existia a lei, é verdade, mas era por si impotente para resgatar e Abraão salvou-se pela fé. O Evangelho diz-nos o mesmo. Curou o Senhor dez leprosos e só um voltou a render-Lhe graças; os nove, diz S. Agostinho, talvez tenham julgado rebaixar-se se dessem graças. E porque as não deram foram rejeitados. O outro que voltou foi acolhido na Igreja de Deus. Assim aos judeus por seu orgulho perderam também o reino que os profetas lhes anunciaram e o Filho de Deus veio abrir. Pelo contrário, nós todos, descendentes dos gentios, dissemos a Jesus que ponhamos n’Ele toda a nossa esperança e que Ele nos salvaria e alentaria com o maná do Seu corpo Santíssimo até chegarmos à pátria que antevemos para além do deserto desta vida terrena.   

Do Evangelho: Queriam os judeus impor a lei mosaica a todos os cristãos como princípio necessário e indispensável à salvação. S. Paulo demonstra na Epístola com argumentos decisivos que só a fé em Jesus Cristo nos pode salvar e de nenhum modo a lei do Sinai, e recorda as promessas concernentes a Abraão e à sua descendência, quer dizer, a Cristo e a todos os que fossem membros de Cristo pela Fé, pela Esperança e pela Caridade.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Missa da Assunção da Santíssima Virgem

Paramentos brancos

 

Em 1° de novembro de 1950, o Santo Padre Pio XII definiu o dogma da Assunção da SS. Virgem Maria. Proclamava assim solenemente que a crença segundo a qual Maria, ao fim da sua vida terrestre, foi levada em corpo e alma à glória do Céu, faz realmente parte do depósito da fé, recebido dos Apóstolos. “Bendita entre as mulheres”, em razão da sua maternidade divina, a Virgem Imaculada, que desde a sua concepção, tivera o privilégio de ser isenta do pecado original, não devia conhecer a corrupção do túmulo. Para evitar qualquer dado impreciso, o Papa absteve-se inteiramente de determinar o modo e as circunstâncias de tempo e de lugar em que a Assunção deveria ter-se realizado: somente o fato da Assunção, em corpo e alma, à glória do Céu, constitui o objeto da definição.

Também a Missa, publicada pela S. Congregação dos Ritos na mesma data, se contenta em pôr em evidência a Assunção em si mesma com as suas conveniências teológicas. Ela vê Maria glorificada na Mulher descrita no Apocalipse (Intróito), na Filha do Rei vestida com um manto de ouro do Salmo 44 (Gradual), na Mulher que, com seu Filho, será a inimiga vitoriosa do demônio, do Gênesis (Ofertório). Aplica-lhe os louvores cantados a Judite triunfante (Epístola), e, sobretudo, vê na Assunção o coroamento de todas as glórias que procedem da maternidade divina e que Maria cantou ela mesma no seu Magnificat (Evangelho). As orações fazem-nos pedir a Deus a graça de podermos, como a SS. Virgem, estar continuamente voltados para as coisas do alto, esperar a ressurreição feliz e partilhar da sua glória no Céu.

Na Liturgia encontra-se o culto da Assunção desde o século VI no Oriente. Em Jerusalém, comportava uma procissão ao túmulo da Virgem. Esta procissão estendeu-se a Constantinopla. Em Roma, do século VII ao XVI constituía uma das “procissões de ladainhas” e tinha lugar na Basílica de Santa Maria Maior.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Introdução ao décimo primeiro domingo de Pentecostes

Ephpheta! — Abra-te! ” (Evangelho).

 

Paramentos verdes

 

Separado das doze tribos do Norte, apenas morto Salomão, o reino de Judá durou 350 anos e contou 20 monarcas. Muitos de entre eles foram ímpios e maus, tendo alguns, como Salomão, acabado no pecado. Quatro, no entanto, distinguiram-se na virtude e nas armas e mereceram ser colocados pela veneração do povo na galeria dos varões ilustres de Israel. Ezequias, de que nos fala hoje o Breviário: “Confiou no Senhor, Deus de Israel, e não teve semelhante nos reis de Judá. Por isso, Deus foi sempre com ele”. Quando Senacarib, rei dos assírios se quis apoderar de Jerusalém, Ezequias subiu ao templo e orou com tanto fervor como teriam orado Davi e Salomão. Mandou-lhe então o Senhor o Profeta Isaías para lhe anunciar que não temesse. E, com efeito, o anjo exterminador de Jeová feriu de peste 185.000 assírios e Senacarib teve de voltar, a marchas forçadas, para Nínive. Alguns anos mais tarde, caíra o rei doente e Isaías anunciara-lhe que tinha chegado ao fim dos seus dias. Temeu então Ezequias que Senacarib se aproveitasse da sua morte para desforrar-se da derrota e cercar Jerusalém e pediu ao Senhor que lhe prolongasse a vida. Mais uma vez o Senhor o ouviu, como assevera a Escritura: “Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas e curar-te-ei e subirás ao Templo no terceiro dia”. O rei convalesceu, com efeito, e Jerusalém foi libertada do terror dos inimigos. Ezequias, prostrado no leito e levantando-se três dias depois para defender o reino, é figura da morte e da ressurreição do Senhor. Este pensamento domina toda a Missa. O Intróito proclama a vitória do povo de Deus e a fuga dos inimigos. Na Epístola, insiste S. Paulo na ressurreição de Cristo, fundamento e garantia da nossa predestinação. No Evangelho, finalmente, a cura do surdo-mudo com o Ephpheta que o Senhor pronunciou e a Igreja aplicou sabiamente no rito do Batismo, recorda-nos que, passados da morte para a vida, ficamos daí em diante também “abertos” às coisas da fé. E podemos dizer que a escolha para o Ofertório de um versículo do Salmo 29 aplicado pela tradição da Igreja à Ressurreição e Ascensão do Senhor foi inspirada pela mesma ordem de ideias. De modo que a Missa de hoje apresenta-se-nos numa espécie de tríptico. No primeiro plano, destaca-se a figura de Cristo ressurgindo glorioso do sepulcro; no painel da esquerda, Ezequias prostrado pela doença e curado por Deus; à direita os frutos da vitória de Cristo aplicados ao povo pelo Batismo.

É, pois, um programa de vida magnífico. Oxalá o ponhamos em prática para vivermos com Cristo a vida nova a que fomos chamados pela fé.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Como lidar com o seu filho

Michael J. Rayes

 

[Nota da Permanência: O leitor interessado no tema dos quatro temperamentos encontrará um estudo valioso publicado na Revista Permanência no. 270, à venda na nossa livraria]

Você está disciplinando dois dos seus filhos. Um deles está bem na sua frente com olhar firme na cara, ouvindo seu sermão e seu tom de voz ríspido. O outro está do seu lado e não consegue sequer olhar para você. Ele começa a chorar. Por que as crianças reagem de modo tão diferente à mesma coisa?

Talvez você já tenha lido sobre os quatro temperamentos. Mas o que isso tem a ver com você enquanto pai hoje? Como aplicar o conhecimento dos temperamentos ao seu estilo de educação? Talvez você já tenha uma ideia genérica de que não pode responder a cada filho da mesma maneira, mas modificar seu jeito para se adaptar às necessidades de cada um deles. No mundo real, como reagir do modo mais eficiente e caritativo a cada um de seus filhos?

 

Temperamento e personalidade

O que é o temperamento, afinal de contas? Temperamento é algo que alguém está inclinado a fazer devido ao modo como foi “programado” no nascimento. A personalidade combina o temperamento com o sexo, a educação (inclusive o ambiente familiar), a força de vontade interna, os hábitos adquiridos da pessoa e outros fatores externos e eventos na vida.

Então o temperamento é como você nasceu, mas a personalidade é o que você se torna. O temperamento é como você reage a algo. Você já percebeu que algumas pessoas são naturalmente agitadas, enquanto outras são naturalmente calmas? Isso é o temperamento.

Sua personalidade como um todo enquanto adulto é a combinação do temperamento com os outros fatores mencionados acima. Por exemplo, dois sanguíneos de 25 anos terão personalidades muito diferentes se um cresceu em Beverly Hills, e o outro no Afeganistão. A força de vontade também tem muito a ver com a personalidade de um adulto. Dois coléricos de 50 anos que viveram suas vidas inteiras na mesma cidade, na mesma cultura e no mesmo background familiar terão personalidades diferentes se um deles passou os últimos 30 anos, deliberadamente, tentando conter suas paixões e arranjando tempo para oração privada.

Por que levar em conta os temperamentos, então? Estamos etiquetando as pessoas? Não exatamente. Perceba que, quando falamos da personalidade de alguém, estamos nos referindo a adultos apenas. As crianças não têm personalidades plenamente formadas, e, portanto, nós olhamos para o temperamento delas. Elas estão muito mais propensas, por estarem no seu estado temperamental “cru”, a reagir a eventos de maneira previsível. Os pais podem usar sua compreensão do temperamento dos filhos para facilitar seu trabalho.

 

Como determinar o temperamento do seu filho

Dê uma olhada nessa tabela e veja quais atributos, reações e orientações sua criança tende mais a exibir. E lembre-se: provavelmente ninguém tem um temperamento puro. Somos combinações de temperamentos dominantes e secundários (ex: sanguíneo colérico)

 

Temperamento

Tipo

Atributos

Reação

Orientação

Necessidades

Colérico

(C) intrometido
(A)  realizador

Ambicioso, ativo, insensível, autoritário

Rápida, profunda

Tarefas

Lealdade dos demais, ocupação

Sanguíneo

(C) brincalhão
(A) festeiro

Palhaço, amigável, extrovertido, sem foco, dramático, ativo.

Rápida, superficial

Diversão

Diversão, grupos, pessoas

Melancólico

(C) preocupado
(A)  meticuloso

Introspectivo, introvertido, preocupado, temperamental, s/ autoconfiança

Lenta, profunda

Detalhes

Apoio, elogio

Fleumático

(C) desleixado
(A) pacificador

Lento, pode ser preguiçoso, calmo, passivo, cabeça-dura.

Lenta, superficial

Ideias

Paz, harmonia

             

(C) Criança; (A) Adulto

 

Abordagem prática para a vida familiar

Em uma família grande, você pode juntar os filhos mais velhos e os mais novos para cuidarem dos irmãos, em vez de simplesmente contar com o filho mais velho para cuidar da tropa inteira. Por exemplo, junte um fleumático mais velho e calmo com um colérico mais ativo em idade pré-escolar; um melancólico preocupado mais velho com um sanguíneo mais novo e otimista.

Na hora da tarefa de casa, os sanguíneos costumam gostar de ter música tocando no fundo enquanto começam os trabalhos. Muitos melancólicos não podem ouvir música nessas circunstâncias, pois isso tiraria seu foco. Você pode ter que separar as crianças para que elas não se distraiam umas às outras.

Vamos usar a matemática como exemplo de como iniciar as tarefas escolares de casa. O pai pode usar uma das seguintes abordagens a depender do temperamento do filho:

Se o filho for colérico, o pai pode dizer: “Aqui está sua tarefa de matemática. É muito importante, pois nos ajuda a pensar e a resolver problemas. Você consegue resolver essa tarefa?”

Para o sanguíneo: “Aqui está sua tarefa de matemática. Faça apenas metade por enquanto, tudo bem? Vamos começar a primeira juntos”.

Para o melancólico: “Sente aqui comigo, e vamos começar a tarefa de matemática juntos”.

Para o fleumático: “Hora da tarefa de matemática. Vá lá e faça a tarefa agora. Vamos começar agora mesmo”.

Repare nos pontos centrais: com o colérico, o pai enfatiza que a matemática é importante e, então, desafia a criança; com o sanguíneo, o pai compartilha o trabalho com o filho para que ele não esteja só e diminui a quantidade de trabalho (por enquanto); o filho melancólico recebe apoio por estar junto do pai; e o fleumático ouve a palavra “agora” mais de uma vez.

 

Como ensinar crianças temperamentais

Crianças coléricas não têm muita paciência para aulas longas e chatas. Essas crianças podem praticar bullying na escola se não receberem atividades suficientes.

Crianças sanguíneas têm problemas de concentração. Você não pode dar a elas um monte de material de estudos e dever de casa e ir embora, como faria com um colérico. Elas precisam de monitoramento frequente. Dê prazos a elas e recompensas. Elas gostam de ver o todo, mas é preciso dividir suas tarefas para que possam se concentrar melhor assim. Se for divertido, elas farão sem a menor dificuldade; se não for divertido, será como mover montanhas.

Crianças melancólicas precisam do seu próprio espaço. Precisam de ordem, estrutura e rotina. Elas, normalmente, são as vítimas do bullying escolar. Conseguem fazer toda a tarefa de casa uma vez que sintam que tem o apoio de que tanto necessitam e, então, ficarão confortáveis trabalhando. Se não estiverem acostumadas com uma tarefa, sua timidez as impedirá de fazê-la. Quando uma criança melancólica precisa de ajuda com a tarefa escolar, virá diretamente a você. Quando uma criança sanguínea precisar de ajuda, vai se esgueirar silenciosamente em direção a outra coisa mais divertida.

Crianças fleumáticas têm traços de teimosia. Elas não costumam realizar grandes façanhas e podem se comprazer apenas em ver as outras crianças brincarem. Precisam ouvir, respeitosamente, que é hora da próxima atividade ou tarefa. Essas crianças precisam de paz e harmonia. Se o mau desempenho delas for apresentado como um problema, elas se sentirão motivadas a consertar isso para que possam retornar à sua rotina normal, pacífica. Elas também precisam de respeito e são desencorajadas por ranzinzices.

Como você elogia seu filho vai depender do temperamento dele. Ao colérico diga: “Gostei do seu trabalho”. Ao fleumático: “Eu gosto de você”. Uma criança sanguínea precisa ouvir: “Você é bonita!” Mas o melancólico precisa ouvir: “Bom trabalho”, ou “Gostei do jeito como você fez isso!”

Em outras palavras, os coléricos precisam de reconhecimento pelo que fazem. Fleumáticos precisam de reconhecimento por simplesmente serem o que são. Sanguíneos precisam de reconhecimento pela sua aparência ou pelo modo como agem. Melancólicos precisam de reconhecimento pelo modo com que fizeram algo. Lembre-se, o elogio que você faz a cada filho precisa ser específico, ou vai soar falso.

 

O que toda criança precisa

Os quatro tipos de temperamento são diferentes, mas todas as crianças são criadas à imagem e semelhança de Deus, e todos têm livre arbítrio para escolher seu comportamento. À luz disso, há algo de que todo tipo de criança precisa? Que traços universais ajudarão as crianças a crescerem e irem para o céu?

 

A resposta é amor e estabilidade

Quando os pais se amam, amam seus filhos e proporcionam um ambiente emocionalmente estável para a vida familiar, as crianças encontram um lar onde podem prosperar e se tornar adultos católicos. É a isso que Deus lhes direciona no sacramento do matrimônio. O propósito da vida familiar é voltar as almas a Deus. Lembre-se disso quando se sentir exasperado nos problemas com os filhos e serviços domésticos. Ao lhes dar amor, estabilidade e respostas adequadas aos seus temperamentos, estamos fazendo uma obra de Deus.

 

(The Angelus, March/2012. Tradução: Permanência)

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