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Anônimo (138)

Introdução ao terceiro domingo do advento

“Eu sou, diz João Batista, a voz do que clama no deserto:
endireitai o caminho do Senhor. ”
(Jo 1, 23)

[ Paramentos roxos ou cor de rosa ]

São João Batista é, com Isaías e a SS. Virgem, uma das três grandes figuras que enchem o Advento. Ao mesmo tempo Profeta do Messias (o último dos Profetas) e testemunha de Cristo (foi o primeiro a pregar às multidões a sua vinda).

S. João Batista suscitado por Deus para preparar os caminhos do Senhor continua como outrora a cumprir a sua missão junto de nós. A Santa Igreja compraz-se em repetir-nos o testemunho do Precursor, as suas exortações à penitência, e apontando-o como exemplo de profunda humildade. Como os homens o tomassem por Cristo, humilhou-se até o ponto de se declarar indigno de desatar os cordões de seus sapatos. As suas exortações conservam ainda hoje toda a importância. O Salvador, que para nós já veio, está para vir ainda a muitas almas que continuam a ignorá-lo. Nós mesmos devemos recebe-lo cada vez mais em nossas almas. Na festa do Natal realiza-se a nossa filiação divina. Além disso, devemos preparar-nos para a última vinda do Senhor, em que Ele virá julgar-nos sobre a maneira como O recebemos neste mundo. A Igreja prepara-nos assim para a festa do Natal e também para essa última vinda de Jesus. A grande alegria dos cristãos à qual nos convida a Igreja, é a de sentirmos que o dia do Senhor se aproxima, dia em que virá cheio de glória para nos introduzir consigo na cidade celeste. Façamos votos para que o Natal nos prepare para este grande dia que o Apóstolo diz estar próximo, e para que ele se realize depressa. Todas estas aspirações do Advento, estes “Vinde”, são como que o eco dos Profetas e daquele “Veni” com que S. João termina o Apocalipse: “Vinde Senhor Jesus” é a última palavra do Novo Testamento. Como sinal de alegria, tocam-se os órgãos à Missa solene e o sacerdote pode usar paramentos cor de rosa, os quais simbolizam a alegria da Jerusalém celeste — Alegra-te Jerusalém, com grande alegria, porque a ti virá o Salvador, aleluia (2ª ant. de Vésperas). “Per adventum tuum libera nos, Domine”, cantamos nós nas Ladainhas de todos os Santos.

Do Intróito: O povo de Jacó libertado do cativeiro de Babilônia é uma figura do povo cristão libertado por Jesus da escravidão do pecado.

Da Epístola: S. Paulo exorta os fiéis a alegrarem-se com o pensamento da última vinda de Jesus para a qual, preparando-nos também para celebrarmos o aniversário da primeira vinda, nos prepara o Advento.

Do Evangelho: A esperança da vinda do Messias era tão grande, que todos o desejavam ver aparecer. S. João Batista foi obrigado a defender-se, declarando não ser ele o Messias.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Nada será como antes (II)

2. Os efeitos reais do COVID-19

Para não evocar as consequências econômicas que se revelarão no futuro, basta-nos observar as repercussões imediatas das medidas:

- Redução drástica das liberdades: de circulação, de atividade profissional, de cuidados, de educação, encontros públicos e privados, de culto...

- Efeitos sobre as pessoas: efeitos psicológicos observados em consequência do isolamento, do confinamento, do distanciamento: conflitos familiares, dúvidas mórbidas, temor, medo, paralisia e atrofia da personalidade... tanto em adultos como em crianças.

- Efeitos na vida social: divisão entre as pessoas até as raias da denúncia. Um clima de suspeita: o próximo se torna um inimigo temível; cada um se torna um perigo vivo para todos, quer estejamos com boa saúde (incluindo portadores assintomáticos) ou doentes infectados... "Toda pessoa saudável é um doente que se ignora "(Knock, ou o triunfo de medicina, por Jules Romains).

Hoje em dia, a sociedade está dividida em três classes:

- Por um lado, os defensores indiscriminados de máscaras, luvas, viseiras, pulseiras de som, medidas sanitárias de distanciamento, gaiolas de plexiglass, aplicativos de rastreamento, vacina para todos;

- Por outro lado, os oponentes dessas práticas sistemáticas que, sem negar o COVID-19, estão inquietos, questionam-se a títulos diversos sobre as consequências sanitárias, sociais, políticas, religiosas e ideológicas das medidas tomadas, inclusive a nível mundial;

- Finalmente os intocáveis ​​a quem os governantes se abstêm de controlar e sancionar: as chamadas áreas "sem lei", manifestações e encontros "festivos".

 

3. Fatos e declarações recentes

3.1. "Evento 201", simulação ou antecipação?

Anualmente, desde 2016, são convidadas algumas personalidades internacionais, especialistas de saúde e economia, para considerar e estudar as consequências econômicas e os aspectos sociais de uma situação de pandemia. O exercício, organizado pelo Johns Hopkins Center for Health Security, e realizado em 18 de outubro de 2019 em Nova York, em parceria com o WEF (Davos) e a Fundação Gates, girou em torno de um vírus fictício então denominado nCoV-2019.

Depois que a China relatou a existência de um novo vírus, em 07.01.2020, o lançamento de uma iniciativa para o desenvolvimento de vacina foi anunciado no WEF em 24-25.01.2020 pela CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations). Criada em Davos, em 2017, e com o apoio da Fundação Gates, o CEPI vem trabalhando em um programa de vacinação junto com laboratórios que dominam quase 85% do mercado de vacinação.

Em 30.01.2020, o Diretor-Geral da OMS alertou sobre um "Emergência de saúde pública de interesse internacional" e anunciou a pandemia global em 11.03.2020. Claro, esta sequência de fatos está na origem do "infox", que o Le Monde, financiado por Gates, foi rápido em negar(21) 1.

 

3.2. Poder de fogo da mídia

Podemos questionar a independência da mídia francesa quando se sabe que 90% dela está nas mãos de nove bilionários2. Por meses, e o tempo todo, canais de televisão, rádios, jornais e internet transmitem as mesmas informações sem cessar, idênticas de um país a outro". Em toda parte, se ouve as mesmas palavras-chave (aglomeração, distanciamento, medidas sanitárias, quarentena, assintomático...), expressões de uma espécie de "pensamento único ". As imagens difundidas: caixões, ambulâncias, sirenes e necrotérios improvisados. Existe a intenção de produzir medo e trauma? Por quê?

 

3.3. Rastreamento de população

Alguns países adotaram o rastreamento compulsório. Na França, a Assembléia Nacional e o Senado votaram em 27.05.2020 a favor de implantação do aplicativo STOP-COVID, que não obteve o entusiasmo da população.

 

3.4. Finanças e COVID

Acontece que o jornal Le Monde recebeu da Fundação Gates um subvenção de US$ 4 milhões parcelados em cinco anos: US$ 299 mil em 2014, $438 mil 2015, $517k em 2016, $681k em 2017 e $2.127k em 20193. Estas somas fazem parte de um programa chamado Global Policy & Advocacy (política global e aconselhamento) com o objetivo oficial de “Informar e mobilizar as comunidades” (Inform and Engage Communities).

O periódico Tanzania Perspective4 de 14.05.2020 relata as palavras do Presidente de Madagascar, segundo o qual "a OMS ofereceu um suborno de US$ 20 milhões para envenenar o remédio para o COVID-19 à base de plantas chamado COVID-19 Organics, feito a partir de Artemisia, que pode curar pacientes atingidos pelo COVID-19 em dez dias”. A mídia francesa tem, recentemente, amplamente discutido estudos que concluem pela ineficácia do tratamento.

O Daily Post da Nigéria5 afirma que Bill Gates propôs ao Governo nigeriano $ 10 milhões para aprovar uma lei, fora do circuito parlamentar usual, exigindo vacinas. Gates também se tornou o maior financiador da OMS tendo adicionado $ 150 milhões em abril de 2020.

Em última análise, o tratamento da vacina COVID-19 representaria uma mina de ouro de vários bilhões de dólares.

 

3.5. Coordenação ou burocracia planetária?

Para ajudar os mais desfavorecidos, Bill Gates evoca a necessidade de uma preocupação global comum:

Nas últimas semanas, falei com dezenas de especialistas em COVID-19... o vírus SARS- CoV-2 ignora totalmente as fronteiras ... Os governos têm se concentrado em sua própria resposta nacional... O que é compreensível. Mas em face a um vírus tão contagioso e largamente disseminado, os líderes também devem entender que, enquanto o SARS-CoV-2 estiver presente em alguma parte, ele diz respeito a todos nós. (Le Monde, 15/04/2020)

Em um relatório de março de 2020, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)6 estima que:

Ações políticas coordenadas em todas as grandes economias são necessárias para garantir o fornecimento de cuidados de saúde eficazes no mundo e fornecer o estímulo mais eficaz para a economia global. [Neste caso,] reformas estruturais [assim como] o apoio adicional à política orçamental e monetária [devem ser considerados].

Em uma declaração ao The Guardian7 , Gordon Brown estima que um "governo global temporário (seria) uma resposta global coordenada, (porque) este assunto não pode ser resolvido ao nível de um único país".

"Construir uma saúde juntos torna-se um imperativo moral, ético e democrático”, concluiu em julho Jean-François Alesandrini, ex-diretor de relações públicas da DNDi8.

 

3.6. The Great Reset

A recente publicação do livro de Klaus Schwab e Thierry Malleret, O grande reset9, e o anúncio10do 51º Fórum de Davos, aberto a todos, ao contrário da prática dos 50 anteriores, nos deixam de orelhas em pé!

Em janeiro de 2021, o WEF deve organizar um diálogo virtual entre os líderes do mundo político, econômico e financeiro reunidos em Davos e milhares de jovens de mais de 400 cidades do planeta. O objetivo é se preparar para os próximos 50 anos após a "tragédia humana"11 por que passa a nossa época.

Entre outras intervenções, Klaus Schwab destaca:

Esta pandemia global há igualmente demonstrado mais uma vez a que ponto nós estamos interconectados. É nosso dever restabelecer um sistema funcional de cooperação global inteligente, estruturado para enfrentar os desafios dos próximos 50 anos. A Grande Reinicialização (Great Reset) exigirá que nós integremos todos os atores da sociedade global em uma comunidade de interesse, de objetivo e de ação comum...

 

4. Antigos fatos e palavras

Podemos impedir que alguém relacione os fatos atuais com o passado conhecido? A situação presente certamente promove esse despertar da memória...

 

4.1. Malthusianismo e COVID-19

Podemos associar o perigo mortal do COVID-19 à corrente Ideológica malthusiana, ainda que apenas por causa de iniciativas realizadas a nível global, como declarações de personalidades de primeiro plano nos campos político, financeiro e científico; além das somas colossais, de fonte pública ou privada, dedicadas a conter o crescimento populacional:

 

1968: Em um livro que teve um impacto explosivo, The Population Bomb, publicado em 1968, Paul Ehrlich, professor de Stanford, então conselheiro científico de Obama, escreveu:

O câncer é uma multiplicação descontrolada de células; a explosão demográfica é uma multiplicação descontrolada de pessoas... Devemos passar do tratamento dos sintomas para o tratamento do próprio câncer. Isso exigirá a tomada de decisões que podem parecer brutais e desprovidas de sentimentos.

1980: Em março de 1980, na Geórgia, nos EUA, seis blocos de granito "surgiram" do solo, cada um com quase seis metros de altura para um peso total de 138 toneladas. Neles, se pode ler, escritos em oito idiomas, os dez mandamentos para um planeta harmonioso... Estas são as famosas Georgia Guidestones (Pedras-guia da Geórgia) construídas à pedido de um misterioso Christian Rosenkreutz12. À frente destes prescrições: "Manter a humanidade abaixo de 500.000.000 indivíduos em equilíbrio perpétuo com a natureza. "

1991: Quanto ao famoso oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau, ele disse em entrevista ao Courrier de l´UNESCO:

É terrível dizer. A população mundial precisa se estabilizar e para isso, seria necessário eliminar 350 mil homens por dia. É assim horrível dizer que nem deveria ser dito. Mas é o conjunto da situação na qual nos encontramos que é lamentável13.

2006: O Prof. Eric Pianka, sumidade científica no mundo da biologia, desencadeou um escândalo em uma conferência no Texas Academy of Science em 27/03/2006; ele afirmou que as doenças são a maneira mais eficiente e rápida para resolver o mais rápido possível, a crise de superpopulação. Sendo a AIDS muito lenta, apresenta o vírus Ebola, que, disseminado por via aérea é a forma mais segura de eliminar 90% da população mundial, porque é ao mesmo tempo extremamente mortal e mata em poucos dias.

2007: O produtor e diretor de Hollywood, Aaron Russo14 relatou, durante a entrevista que deu seis meses antes de sua morte súbita, as conversas que teve com seu amigo Nicolas Rockefeller:

Com Nick, discutimos muitas coisas. Entre os assuntos conversados, um se referia à redução da população global. Ele achava que havia gente demais na Terra. Em certo sentido, eu estava de acordo com ele, mas não me sentia com autoridade para dizer quem deveria morrer e quem deveria sobreviver. Ele me disse que eles planejavam reduzir a população mundial pela metade (…).Disse-me que eles estudavam as formas de chegar a isso.

2009: A Dra. Nina Fedoroff, bióloga, consultora de ciências e tecnologias tanto de  George W. Bush como de Barack Obama, insistiu durante uma entrevista de rádio:

Precisamos continuar a diminuir a taxa de crescimento da população mundial; o planeta não pode hospedar muito mais pessoas. (BBC, 31.03.2009)

• O site do Sunday Times (Times online), publicou em 24.05.2009 uma matéria com o título: Um clube de bilionários procura restringir a superpopulação. Nela se lia:

Alguns dos bilionários mais influentes da América, reuniram-se secretamente para examinar se suas riquezas poderiam ser usadas para desacelerar o crescimento da população mundial e acelerar melhorias na saúde e na educação. Estes filantropos, reunidos por iniciativa de Bill Gates, cofundador da Microsoft, decidiram unir forças para superar os obstáculos de ordem política e religiosa às mudanças. Entre eles: o patriarca da dinastia americana mais rica, David Rockefeller Jr., os financistas Warren Buffett e Georges Soros, o Prefeito de Nova York, Michael Bloomberg e chefes de mídia Ted Turner e Oprah Winfrey.

O peso da taxa de natalidade ameaça o clima, manchete de primeira página do jornal Le Monde de 19.11.2009; especificado no subtítulo: A ONU evoca uma cifra ecologicamente viável da população mundial. E nas páginas internas:

Limitar os nascimentos, um remédio para o perigo climático. A Organização das Nações Unidas pede que a questão demográfica seja levada em consideração na cúpula de Copenhague.

 

4.2. Epidemias anteriores

• No blogs.lexpress (03.05.2009), uma postagem do Sr. J. Attali durante o episódio que ficou conhecido como “gripe suína” passou despercebida. Este texto profético não suscitou naquele momento nenhum comentário. Republicado hoje, o texto provoca reações na mídia semelhantes as geradas pelo “Evento 201”: erro de interpretação, mal-entendido, fake news etc. Eis o que Jacques Attali, conselheiro de vários presidentes franceses, escreveu logo após a epidemia de H1-N1:

A história nos ensina que a humanidade só evolui significativamente quando tomada de medo: então ela lança mão de mecanismos de defesa [...]. Passada a crise, transforma esses mecanismos para torná-los compatíveis com a liberdade individual e os inclui em uma política de saúde democrática (...). A pandemia que está começando pode desencadear esses medos estruturantes ...

Como proteção contra futuras pandemias, Attali propôs a criação de…

...uma força policial global, um armazenamento mundial e, portanto, uma tributação mundial. Nós chegaremos então muito mais rápido do que teria permitido apenas a razão econômica, lançando as bases para um verdadeiro governo mundial.

• Comentários que se juntam aos que David Rockefeller teria feito durante uma recepção na ONU em 23/09/1994:

Estamos às vésperas de uma transformação global... Tudo o que precisamos é de uma grande crise e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial.

Rockefeller realmente fez esse discurso? Não temos como prova-lo. Mas, em suas Memórias15, declarou com todas as letras o seu ativismo em favor da Nova Ordem Mundial:

Alguns até acreditam que nós [a família Rockefeller] fazemos parte de uma cabala secreta trabalhando contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando minha família e eu como internacionalistas que conspiram para construir uma política global mais integrada, bem como uma estrutura econômica -- um mundo único, se quiserem. Se esta é a acusação, tenho orgulho de ser culpado disso.

O objetivo anunciado pelo The Great reset não é esse?

• É oportuno lembrar as palavras do primeiro diretor geral da OMS, um dos protagonistas na crise atual? Seu nome era George Brock Chisholm e realizou na Califórnia uma Conferência sobre educação em 11.09.1954:

Para estabelecer um governo mundial, é necessário retirar dos espíritos seu individualismo, sua lealdade às tradições familiares, seu patriotismo nacional e seus dogmas religiosos.

Esta afirmação, da qual não temos a fonte, é corroborada pela biografia que lhe dedica a Wikipédia e por outras reflexões de Chisholm16. A observação de nossas sociedades sugere que este objetivo foi alcançado. É chegada a hora de passar para o último ato?

 

Conclusão

O terreno tornou-se escorregadio. Mas esses fatos, essas declarações alimentam inquietudes, dúvidas, medos e rumores. É de se admirar que alguns pensem que COVID-19 seria uma criação francesa, exportada para a China? Que o propósito de toda essa comoção seria de alimentar as finanças internacionais? uma maneira de amordaçar e tomar as populações em mãos e controlar o crescimento planetário da população? um modo de avançar em direção a um governo mundial em que todos as estruturas estariam prontas? 

É surpreendente, para dizer o mínimo, que nenhum dos 197 Estados do planeta não faça eco a essas dúvidas para pôr em questão o que parece ser o maior embuste deste início de século. Esta unanimidade planetária de governantes em silêncio é no mínimo suspeita!

 

                                                                                  (Revista da A.F.S. Autor: Y. Tillard - Tradução Permanência)

  1. 1. Evento organizado sob o título de Evento 201 (https://www.lemonde.fr/lesdecodeurs/article/2020/02/06/coronavirus-la-fondation-gates-a-t-elle-organiseune-simulation-de- the-end-of-2019-epidemic_6028667_4355770.html)
  2. 2. http://osonscauser.com/medias-pourquoi-10-milliardaires-controlent-ils-notreinformation/ (https://www.pinterest.fr/pin/723812971336429584/)
  3. 3. De acordo com o The Guardian. Informações verificadas no site da Fundação Gates.
  4. 4. L’OMS a offert un pot-de-vin de 20 millions de dollars pour empoisonner leur médecine du COVID-19 – Président de Madagascar | Le journal participatif et citoyen ! (cagou.com)
  5. 5. Bill Gates offered House of Reps $10m bribe for speedy passage of compulsory vaccine bill – CUPP alleges - Daily Post Nigeria
  6. 6. https://www.lefigaro.fr/conjoncture/le-coronavirus-met-l-economie-mondialeen-danger-avertit-l-ocde-20200302
  7. 7. The guardian.com (26.03.2020)
  8. 8. DNDi = Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas
  9. 9. Forum Publishing (edições do World Economic Forum em Davos)
  10. 10. Comunicado de imprensa completo do WEF em https://journalintegration.com/big-reset-single-summit-start-2021 /
  11. 11. mandatos de Antonio Guterres, Secretário-Geral da ONU
  12. 12. Christian Rosecroix… O site (https://fr.wikipedia.org/wiki/Georgia_Guidestones) permite até uma visita guiada!
  13. 13. Comentários verificados pelo autor desta resenha, que possui a versão digital desta edição (novembro de 1991, p. 13).
  14. 14. Aaron Russo (1943-2007). A entrevista está disponível na internet.
  15. 15. David Rockefeller - Mémoires (Éd. De Falloy, 2006, 606 p., 23 €, p. 405)
  16. 16. https://quotepark.com/fr/auteurs/brock-chisholm/

Nada será como antes (I)

NADA SERÁ COMO ANTES (I)

- O mundo depois da COVID -

 

 

Um mal que espalha terror,

Mal que o Céu em sua fúria

Inventa para punir os crimes da terra,

O COVID (já que deve-se que chamá-lo por seu nome),

Capaz de enriquecer em um dia o Aqueronte,

Faz guerra aos humanos.

Nem todos morrem, mas todos são atingidos ...1

 

 

Este último verso prende nossa atenção uma vez que o frisson da morte adquiriu dimensões globais.

A mensagem de alerta internacional de profissionais da área de saúde para governos e cidadãos do mundo lançado pela United Health Professionnals2, recebe a cada dia novo apoio: “Parem o terror, a loucura, a manipulação, a ditadura, as mentiras e a maior falcatrua sanitária do século XXI". Em uma escala mais modesta, a Dra. Nicole Delépine, em um recente fórum do France-Soir3, lançou a questão: Fim de uma epidemia ou de um pânico organizado. Por quê.

Por falta de competência, não nos cabe mais do que uma opinião pessoal. Não podemos nos posicionar sobre assuntos que devem ser reservados a profissionais de verdade, e não a ´cientistas de opereta´, a ilustres anônimos encerrados em um comitê científico ou a profissionais de redes de televisão.

Contudo, o constante assédio da mídia, o zelo frenético das autoridades para intervir, nos conduzem a refletir e tentar entender o que está em jogo nesta agitação planetária4.

 

1. Algumas observações e perguntas

 

1.1. O Grande espetáculo

Com grande espalhafato de imagens e repercussão televisiva, pudemos assistir os fechamentos de aeroportos, as crônicas do obituário diário, os transportes TGV-COVID, a repetição incessante da mídia sobre a utilidade dos hospitais de campanha ou do plano Branco e Azul, a implementação abortada de drones de vigilância...

 

1.2. Origem do vírus

Natural ou projetado em laboratório? Este debate sobre a origem do vírus não é sem importância porque é uma fonte de interrogações para a pessoa comum: Se houve manipulação, por qual motivo? mera pesquisa ? objetivo curativo, político? O que é evidente é que o COVID-19 é atualmente objeto de consideração, tanto de autoridades locais como de organismos internacionais, a exemplo do que diz Klaus Schwarb, fundador e presidente executivo da World Fórum Econômico (WEF), mais conhecido como Fórum de Davos5"A pandemia apresenta uma oportunidade rara e limitada de repensar, reinventar e reerguer nosso mundo do zero."

O Prof. Luc Montagnier, Prêmio Nobel de Medicina de 2008, foi alvo de duras críticas por haver afirmado:

Este vírus (natural) recebeu inserções, mas os autores receberam ordem de não dizer nada... Há um encobrimento geral. Até mesmo cientistas são comprados ... Todos repetem em uníssono: o vírus foi produzido pela natureza. Isso é falso. Aí está uma grande mentira6

O Prof. Joseph Tritto7, praticante de microcirurgia, especialista em biotecnologia e nanotecnologia, presidente da Academia Mundial de Ciências e Tecnologias Biomédicas (WABT, sob a égide da UNESCO) confirma em seu livro "A quimera que mudou o mundo" a posição do Professor Montagnier.

A posição dos Professores Montagnier e Tritto recebeu recentemente o apoio da doutora Li-Meng Yang, virologista chinesa que pesquisou o COVID-19 a pedido de seus superiores no laboratório da Universidade de Hong Kong, referência da OMS. Ela fugiu da China em 28 de abril de 2020, para afirmar que estamos enfrentando um vírus modificado, criado no laboratório de Wuhan... e para não ser assassinada8. Por que ficar em silêncio sobre isso?

 

1.3. Periculosidade e mortalidade

Sem entrar em disputas de números e métodos de cálculo... as estatísticas mostram que o número de mortos em comparação ao de infectados é um pouco maior do que influenza sazonal (0,1-0,2%), mas bem abaixo de 1%.

De acordo com os últimos números divulgados pela OMS9, em 13 de agosto de 2020, dos 192 membros atuais da OMS, os quatro países europeus que mais aderiram ao lockdown (Itália, Espanha, Bélgica e França) estão entre os dez países que apresentaram a taxa de mortalidade por COVID-19 mais elevada do mundo.

Vemos atualmente a queda do número diário de mortes por COVID que fora liturgicamente anunciada todas as noites; estranhamente, durante este período, câncer, AVC, doenças crônicas... desapareceram!

O CDC americano (Centro para Controle e Prevenção de Doenças) declarou que a COVID-19 não é mais contagiosa e mortal do que outras epidemias do passado.

 

1.4. Inconsistências e reviravoltas das decisões de governamentais

Sobre o início da "guerra contra COVID-19", podemos nos lembrar...

... das declarações dos governantes sobre a inutilidade da máscara, o que é confirmado por muitas vozes médicas; hoje parece que caminhamos para o uso obrigatório!

... do confinamento, das multas por haver feito uma caminhada... sozinho na floresta sem máscara, mas tolerância em relação a encontros festivos... ou manifestações;

... do distanciamento no metrô, inexistente na SNCF10 que, no entanto, transforma seus funcionários em fiscais...

O Le Monde11 fala em “decisões políticas evolutivas” (!!!). Com o que isso rima?

 

1.5. Liberdade de expressão e de ação dos profissionais regulamentados

"Cancelamentos" orquestrados por indivíduos prepotentes -- jornalistas, "especialistas", políticos -- que expressam suas opiniões enquanto desqualificam outros que, por sua vez, apóiam-se em fatos, experiência e conhecimento. 

Perigo de crime de opinião: o professor Toubiana disse na BFMTV12 estar sendo pressionado pelo fato de afirmar posições contrárias a ideologia em vigor. Por quê?

Os cientistas seriam comprados, de acordo com o professor Montagnier, e parece que muitos meios de comunicação também o sejam (ver nota 6). Por quê ? Por quem ?

 

1.6. Medidas de saúde contestadas

Uso generalizado da máscara: A OMS especifica em seu relatório Conselhos sobre o uso de máscaras no contexto de Pandemia de COVID-1913:

Hoje, o uso generalizado de máscaras por pessoas saudáveis ​​na comunidade, não é ainda apoiado por evidências científicas diretas ou de alta qualidade e há benefícios e danos potenciais a serem tomados em consideração.

No canal LCI14, o Prof. Toubiana, epidemiologista, doutor em física, pesquisador do INSERM, disse em 20 de agosto que a máscara era inútil ao ar livre, e psicologicamente muito prejudicial. O que o atual Ministro da Saúde15, para quem o vírus está cada vez mais ativo, contesta violentamente.

Idosos: Medidas draconianas (máscaras, isolamento de idosos em asilos, confinamento generalizado, barreiras - com controles policiais meticulosos e às vezes difíceis, multas etc.) tomadas para proteger "pessoas frágeis" - dependentes e residente em asilos - resultou nesta população: 12.769 mortes de 25.531 registradas em 6 de maio de 2020.

• Confinamento: não há consenso sobre a eficácia do confinamento generalizado16. O Dr. Michel de Lorgeril especifica que o confinamento nunca foi praticado na história da medicina e Não existem estudos sobre o confinamento e sua utilidade para fazer face a uma pandemia. Além disso, a taxa de contaminação é maior em países onde o confinamento foi objeto de uma decisão cabal.

Distanciamento: De acordo com a revista médica BMJ17, o Massachusetts Intitute of Technology e a Oxford University argumentam que regra de distanciamento (entre duas pessoas) seria obsoleta porque devemos levar em consideração a ventilação das instalações, a potência da voz… para estimar o dano de gotículas respiratórias. O que parece ser a confirmação do bom senso!

Hospitais: Devido aos planos Branco e Azul, a capacidade hospitalar, quase totalmente reservada para os "covidados" teve por conseqüência a suspensão do tratamento de doenças crônicas, câncer, AVC... levando, portanto, a óbitos. Além disso, os depoimentos públicos da equipe de enfermagem, o uso de emprego parcial em clínicas particulares comprova a desproporção da decisão.

 

1.7. Tratamentos da doença

De acordo com dados da OMS de 13 de agosto, os países com menos mortes atribuídas ao COVID-19 são principalmente aqueles que mais realizaram testagens, realizaram quarentenas específicas e/ou usaram amplamente a hidroxicloroquina: Islândia (30 / milhão de hab), Marrocos (15), Senegal (14), Grécia (12), Japão (8,4), Cuba (7,7), Coréia (6), Nigéria (4,6), Singapura (4,6), Malásia (3,8), Qatar (1).

Na França, a liberdade de prescrição de remédios foi posta sob controle. Em 27 de março de 2020, o CNGE (Conselho Científico do Colégio Nacional de Docentes Generalistas) recomendou que clínicos gerais não prescrevessem derivados de quinina para os cuidados da COVID-19. “Essa exigência seria contrária à ética médica18"... e pode acarretar em sanções da ordem dos médicos. A proibição tem sido ameaçadora desde então.

Mas, de acordo com o Prof. Montagnier:

A ciência mostra as verdades, mas não se acredita mais nelas. Essas verdades estão sendo transformadas de acordo com as necessidades da economia. Ver um Ministro da Saúde da França para proibir um medicamento que parece agir sobre este infame vírus, é absolutamente espantoso, absurdo. Embora as revistas científicas tenham se retratado [caso da Lancet19] ele não se retratou. Ele continua. Então, quem é que nos governa? É um mundo louco... Os médicos não têm o direito de prescrever20.

Desde março, muitos especialistas, diferentes hospitais e institutos de pesquisa, propuseram tratamentos médicos que provaram ser eficazes, pelo menos em muitos casos, mas que nunca foram levados em consideração por governantes e outros comitês ad hoc que, por sua vez, interditaram o uso de drogas utilizadas há mais de 30 anos.

 

1.8. A salvação da humanidade através da vacina por vir

Os "Especialistas" defendem a vacina aos sete ventos, apesar do parecer de muitos virologistas e médicos licenciados em sentido contrário. Emmanuel Macron21, apoiador de uma política vacinal muito autoritária, afirma:

 "... afirmamos agora que uma vacina contra COVID-19, assim que ela for descoberta, beneficiará a todos, pois será um bem público global."22

Bill Gates converteu-se de empresário em pregador infatigável da vacina em nome da justiça social. Por quê ?

 

1.9. Um segundo ataque da besta?

Prof. Laurent Toubiana: “Não há epidemia de infecção de COVID-19, há uma epidemia de ansiedade. " (BFMTV).

Contra tudo o que é afirmado diariamente, "não haverá segunda onda", afirma o professor Toussaint, correndo o risco de se desacreditar. Por quê ?

O Professor Christian Perronne, infectologista, denuncia os subterfúgios, as mentiras, as manipulações ... das quais ele fornece provas em seu livro "Há algum erro que eles não tenham cometido?" 23. Tendo em vista milhões de testes, a generalização progressiva do uso de máscara… conseguinte ao discurso em 31 de agosto em RMC, C. Perronne falou de delírio total... Por que essa obstinação das autoridades?

< a seguir >

(AFS 271, Tradução: Permanência)

  1. 1. A partir de: Os animais doentes da peste por J. de La Fontaine.
  2. 2. https://covidinfos.net/wp-content/uploads/2020/08/FR-international-alert-message.pdf
  3. 3. http://www.francesoir.fr/opinions-tribunes/crise-du-coronavirus-en-franceepidemie-terminee-versus-panique-organisee-pourquoi
  4. 4. NB (Nota bene): O leitor encontrará nas linhas que se seguem, fatos, acontecimentos, citações devidamente referenciadas recolhidas a fim de preparar uma entrevista para a associação Prefeitos pelo Bem Comum. Guardamos este texto para uma apresentação oral, acreditando ser útil na confusão atual.
  5. 5. reunião anual seleta de personalidades políticas, econômicas e midiáticas que "fazem" o mundo.
  6. 6. https://www.medias-presse.info/le-professeur-luc-montagnier-denonce-lesmensonges-sur-le-covid-19-meme-les-scientistiques-sont-achetes/123737/
  7. 7. http://www.francesoir.fr/societe-sante/covid-19-lorigin-du-virus-lanalyse-du-prtritto-confirme-celle-du-pr-montagnier
  8. 8. Veja https://lesobservateurs.ch/tag/dr-yan-limeng/
  9. 9. Mortalidade por COVID-19 por milhão de habitantes: Bélgica 854, Grã-Bretanha 687, Espanha 611, Itália 582, Suécia 571, EUA 493 e França 464. -- (N. da P.), hoje o número de mortos por milhão nesses países aumentou consideravalmente
  10. 10. A Société nationale des chemins de fer français (SNCF) é uma empresa ferroviária francesa, controlada pelo Estado.
  11. 11. https://www.lemonde.fr/societe/article/2020/08/29/six-mois-de-consignes-sur-lemasque-en-france_6050316_3224.html
  12. 12. Canal francês de televisão - N. da. P.
  13. 13. Conselhos sobre doença coronavírus (COVID-19) para o público: quando e como usar máscaras (Organização Mundial da Saúde, abril de 2020).
  14. 14. LCI, ou La Chaine Info, é uma rede de televisão comercial aberta francesa - N. da. P.
  15. 15. Journal du Dimance (23.08.2020).
  16. 16. https://michel.delorgeril.info/ethique-et-transparence/science-du-confinementou-confinement-de-la-science/comment-page-1/
  17. 17. L’Obs et AFP (28.08.2020)
  18. 18. https://www.cnge.fr/conseil_scientifique/productions_du_conseil_scientifique/covid_19_y_t_il_une_place_pour_lhydroxychloroquine/
  19. 19. Ver Idriss Aberkane (Valores Atuais de 06.04.2020). Negligência escandalosa das autoridades que tomaram imediatamente decisões contra a hidroxicloroquina sem verificar - o que seria imperdoável a este nível - a fiabilidade do falso estudo publicado no periódico "científico" The Lancet, ou desejo manifesto de manipulação?
  20. 20. https://www.medias-presse.info/le-professeur-luc-montagnier-denonce-lesmensonges-sur-le-covid-19-meme-les-scientifiques-sont-achetes/123737/
  21. 21. Presidente da França - N. da. P.
  22. 22. Mensagem de E Macron para a Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI), pelo 20º aniversário da sua criação (Londres 04.06.2020).
  23. 23. Albin Michel (2020, 16,90 €)

O Evangelista Marcos indica que Maria duvidou da missão de Cristo. Isso não foi um pecado?

Prof. Felix Otten, O.P., e C.F. Pauwels, O.P.

Diz-se que Maria jamais pecou, nem poderia pecar. Mas o Evangelista Marcos indica que Maria duvidou da missão de Cristo. Isso não foi um pecado?

Maria, certamente, estava livre de várias tentações como resultado de sua Imaculada Conceição. Portanto, não havia más inclinações nela, as que consistem no descompasso entre o que há de mais elevado e o que há de mais baixo. Em nós, o corpo, frequentemente, é um agente de pecado, pois ele puxa para baixo a mente e, frequentemente, rebela-se contra as potências elevadas da alma. E, é claro, não havia nada disso em Maria, porque ela não havia sido contaminada com o pecado original, razão pela qual não havia o referido descompasso. Portanto, ela não poderia ser tentada por um desejo das potências baixas contra as elevadas. Ela poderia, porém, ser tentada nas potências mais elevadas da sua alma, na sua mente e na sua vontade, assim como até mesmo Cristo foi tentado pelo demônio.

Mas ser tentado e pecar são duas coisas diferentes. Que Maria nunca tenha cometido um pecado é absolutamente claro para os teólogos católicos, ainda que a Igreja jamais tenha se pronunciado oficialmente sobre isso. Maria, como dizem, era sem pecado. Mas Maria também era impecaminosa, isto é, ela não poderia sequer cometer um pecado?

Essa, obviamente, é outra questão completamente diferente. A maioria dos teólogos sustenta que Maria não poderia pecar. A razão não é que ela era livre do pecado original, pois Adão e Eva também foram criados livres do pecado original e, ainda assim, pecaram. Devemos buscar a razão na plenitude de graças que Deus lhe deu em atenção a sua maternidade divina. Por isso e, portanto, por um auxílio especial de Deus, a vontade de Maria sempre escolheu o bem.

E, agora, quanto à história do Evangelista Marcos: ele não diz, de modo algum, que Maria teria duvidado de Cristo. Ele anuncia, primeiramente, no terceiro capítulo, versículo 21, que os parentes de Cristo “foram O prender, porque diziam: Ele está louco” Então, aparentemente, havia parentes de Jesus que não acreditavam em Sua missão. Quem eram essas pessoas não está esclarecido; eles podem ter sido tios, primos e, talvez, parentes mais distantes ainda. Após, somos informados de algo completamente diferente, a saber, que Jesus entrou num debate contra escribas de Jerusalém acerca de exorcismos. E, então, é dito ao final do capítulo, “Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando fora, mandaram-nO chamar”. Se eles conversaram com Ele e sobre o que, isso não nos é dito.

Não é certo que essa conclusão está conectada com o início do capítulo que menciona a dúvida de alguns dos parentes de Cristo. E, portanto, não é sabido por que a mãe e irmãos de Cristo vieram. Mas, ainda que fosse verdade que Maria fosse com parentes descrentes de Cristo, isso não implica que ela compartilhava da descrença deles. Tal infidelidade da parte de Maria conflita com tudo o mais que sabemos sobre ela. Por que deveríamos aceitar tal conclusão de um texto discutivelmente ambíguo?

Introdução ao segundo domingo do advento

João enviou dois dos seus discípulos a dizer-Lhe: És Tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?

A liturgia deste domingo está cheia do pensamento de Isaías, o Profeta por excelência da vinda do Salvador. São Paulo, na Epístola, e Nosso Senhor no Evangelho, fazem ver que os oráculos do grande Profeta encontram plena realização com a Vinda do Messias. Não se limita apenas a este domingo a importância dada a Isaías pela liturgia do Advento. Não há dia em que, em Matinas, não se leia algum passo das suas profecias; são todas dele as lições do Sábado das Quatro Têmporas; e no Natal a liturgia serve-se ainda das suas palavras para cantar o Emanuel nascido da Virgem, a alegria da nova Jerusalém que agora abrange todo o mundo e as divinas grandezas do Príncipe da Paz.

Em Roma, a estação era na basílica de S. Cruz em Jerusalém, onde se conserva uma grande parte da verdadeira Cruz trazida de Jerusalém.

Isaías havia predito: “Uma vergônea sairá da raiz de Jessé e de sua raiz elevar-se-á uma flor” (1ª lição de Matinas). “Esta vergônea, explica S. Jerônimo, é a SS. Virgem, e a flor seu Filho Jesus, nosso Salvador”. (3ª lição). Ao recordar-nos as Escrituras que tanto ajudam a nossa esperança e a nossa fé, a Igreja convida os que são chamados à mesma glória e viveram na unidade da caridade.

Comentando o Evangelho em que Jesus claramente afirma ser “Aquele que há de vir” como o provam os milagres feitos por Ele e preditos por Isaías, São Gregório faz notar que os judeus estavam prontos a reconhecer um Messias que operasse maravilhas, mas nunca um Messias que pudesse também sofrer. A cruz foi para eles um escândalo, cujas vítimas foram eles próprios” (7ª lição de Matinas). Acolhamos nós a Jesus na humildade do Presépio, para que Ele nos receba também, um dia, em seu reino de glória, quando nos vier julgar.

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Introdução ao primeiro domingo do advento

“Vede a figueira e toas as árvores: quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o estio. Assim também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus”

Durante todo o Tempo do Advento a Igreja não perde de vista o duplo aparecimento do Salvador: Seu nascimento em Belém, cujo esplendor sempre atual se deve estender até o fim dos tempos, e seu regresso no Juízo Final para “condenar às chamas os pecadores e convidar os justos à bem-aventurança” (Hino de Matinas). A Missa do dia de hoje fala-nos destas duas vindas de Jesus: de misericórdia e de justiça. Alguns passos referem-se indiferentemente a ambas (Intróito, Oração, Gradual, Aleluia), outros fazem apenas alusão ao nascimento do Salvador na humildade do Presépio (Comunhão, Pós-comunhão), e outras finalmente falam da sua vinda como Rei em todo o esplendor do seu Poder e Majestade (Epístola e Evangelho). O acolhimento que fizermos a Jesus, agora que Ele nos vem salvar, ditará o que Ele nos há de fazer quando nos vier julgar. Preparemo-nos, portanto, para a festa do Natal por meio de santas aspirações e pela emenda de nossa vida, para estarmos preparados para o julgamento final do qual dependerá, por toda a eternidade, o nosso destino. Tenhamos confiança, pois “nenhum dos que esperam em Cristo será confundido” (Intróito, Gradual, Ofertório).

Era na Basílica de Santa Maria Maior que todo o povo de Roma estacionava outrora no primeiro Domingo do Advento, para assistir à Missa Solene celebrada pelo Papa. Escolhia-se essa Igreja por ter sido Maria quem nos deu Jesus e por se conservarem aí as relíquias do Presépio no qual a SS. Virgem colocou o seu Divino Filho.

“Que a alma entorpecida desperte, e não rasteje mais pela terra; eis que Jesus vem das alturas dos Céus; uma estrela nova resplandece dissipando as trevas da noite” (Hino de Laudes). A vida cristã é uma preparação contínua para a última vinda do Salvador.

“A salvação está perto”, “o dia aproxima-se”, diz a Epístola. “Aproxima-se a vossa redenção”, “o Reino de Deus está próximo”, ajunta o Evangelho. O Juiz Divino virá dentro em pouco, pois que a morte espreita-nos e, diante de Deus, mil anos são como um dia apenas. Nesta segunda vinda, Cristo virá dar a cada um segundo as suas obras. Será a coroação da obra de Cristo e o triunfo da sua redenção.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Introdução ao vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (Evangelho)

 

O ciclo litúrgico termina com esta última semana do ano eclesiástico, e com ela a história do mundo, que nos veio revelando desde a origem, no Advento, até o seu termo final no último Domingo de Pentecostes.

O Breviário e o Missal chamam a nossa atenção para o fim do mundo e para o Juízo Final. Eis que o Senhor vai sair do seu lugar — diz o Profeta Miqueias nas lições de Matinas. Descerá e pisará os altos da Terra. Destruirá as montanhas. E os vales fundir-se-ão como a cera na chama e como as águas que rolam para o abismo. E fará tudo isto por causa do crime de Jacob e dos pecados da casa de Israel. Depois de fulminar Israel com estas ameaças, o Profeta revela-lhe a promessa da salvação. Cristo nascerá em Belém, e o Seu reino, o reino da Jerusalém celeste, não terá fim. Os profetas Nahum, Abacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias, que se leram durante a semana, confirmam o vaticínio de Miqueias. E Jesus no Evangelho começa por evocar a profecia de Daniel, que anuncia a ruína total e definitiva do Templo e de Israel pelas armas romanas. Aquela abominável desolação era o castigo que o povo merecera por haver elevado ao auge a sua infidelidade, rejeitando a pedra angular, que era Jesus Cristo. E nós sabemos perfeitamente como a profecia se realizou alguns anos depois da morte do Salvador. A angústia foi tal que se o assédio durasse mais algum tempo nenhum judeu teria escapado da morte. Deus abreviou, porém, aqueles dias, para salvar os que se convertessem depois de prova tão rude. Assim acontecerá no fim do mundo. “Tunc”, então, quer dizer, quando Cristo voltar, as tribulações serão mais angustiantes ainda. De novo reinará a abominação da desolação, porque “o homem da iniquidade e da oposição levantar-se-á, segundo a palavra do Apóstolo, contra tudo o que se diz Deus e como tal se adora, e ousará sentar-se no Templo e exigir que lhe prestem honras de divindade”. Mas ainda aqui Deus abreviará estes dias terríveis por causa dos eleitos. Virá então o Senhor, não como da primeira vez, apagado e humilde num recanto da Terra, mas coroado de glória e fulgurante como o relâmpago. Os eleitos voarão ao seu encontro como as águias. Os cataclismos no céu e na terra darão o sinal da Sua vinda e todas as tribos verão o estandarte flutuante da Redenção e o Filho do Homem que se aproxima com grande poder e majestade. “Quando os maus desejos se apoderam de vós, comenta São Basílio, quereria que pensásseis naquele tribunal terrível onde devemos todos comparecer. Conduzidos um a um, nós, que estamos aqui a falar, daremos conta, na presença do Universo, de todas as ações da nossa vida. E então aqueles que pecaram gravemente nesta vida ver-se-ão cercados de Anjos terríveis e disformes que os arrastarão para o abismo do opróbrio e da confusão eterna. Isto deveis temer e, penetrados deste temor, servir-vos dele como dum freio para coibir a alma dos vícios e do pecado”. E a Santa Igreja, insistindo no pensamento do Santo Doutor, exorta-nos, pela boca de São Paulo, a andar de maneira digna do Senhor, e a frutificar em toda a espécie de boas obras, para que, fortalecidos com a graça divina, soframos com alegria e paciência as contrariedades da vida, dando graças ao Pai que nos deu parte na herança do Seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo.

No fim dos tempos, tendo vencido totalmente os inimigos, que ressuscitarão para o castigo, e feito Rei incontestável dos eleitos, que esperavam a sua vinda para entrar de corpo e alma na glória, Cristo deporá nas mãos do Pai o reino que conquistou por meio do Seu Sangue, como homenagens perfeita da Cabeça e dos membros. E será então a verdadeira Páscoa, a passagem plena à terra da promessa, a conquista e a ocupação definitiva da Jerusalém celeste, onde, nesse Templo que não é de indústria humana, louvaremos o nome de Deus para sempre.

Jesus veio na humildade a primeira vez; à segunda virá glorioso. O Seu primeiro advento teve por fim preparar o segundo. Os que O acolheram no tempo, serão por Ele acolhidos na eternidade. Os que O rejeitaram no tempo, serão igualmente rejeitados por Ele na eternidade. É por isso que os Profetas não separam os dois acontecimentos; são dois atos do mesmo drama. Por este motivo também o Senhor não separa a ruína de Jerusalém do fim do mundo, porque o castigo que dispersou os judeus deicidas é figura do castigo eterno que está reservado aos iníquos que rejeitaram o Salvador. O primeiro se deu, o segundo há de se dar também.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

Se Maria é Imaculada, como Jesus é o seu salvador?

Cristo é o Salvador do mundo e o Salvador de todos os homens. Ainda assim, se a Igreja Católica ensina que Maria é imaculada, portanto sem mancha, como, então, Cristo pode ser o salvador de Maria?

Muitos compreendem equivocadamente a doutrina católica da Imaculada Conceição de Maria. Essa doutrina sustenta, apenas, que Maria, devido a sua eleição como Mãe de Deus por uma graça especial do Altíssimo, foi tornada livre do pecado original. Isso é uma crença antiquíssima da Igreja Romana que foi solenemente declarada artigo de fé pelo Papa Pio IX em 1854 e proclamada nos seguintes termos:

“Declaramos […] que a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro momento de sua conceição, por uma graça e um privilégio especiais de Deus Todo-Poderoso e tendo em vista os méritos de Jesus Cristo, o Salvador da raça humana, foi mantida livre da mancha do pecado original, [a doutrina do pecado original] foi revelada por Deus”

A solução da acusação levanta, a saber, que, de acordo com a doutrina católica, Maria não precisaria de Cristo como seu Salvador está evidente nas palavras em itálico da citação acima da declaração solene de Pio IX de que Maria, de fato, foi salva por Deus. Nesse sentido específico, Maria foi salva do pecado original por Deus. Como descendente de Adão, Maria deveria ter sido manchada pelo pecado original assim como todas as outras pessoas que já viveram.

E Deus fez todas essas coisas tendo em vista os méritos de Cristo. Assim como os justos da Antiga Aliança também foram salvos retroativamente pelos méritos de Cristo, assim também Maria, de fato, foi salva por Cristo, mas, novamente, de uma maneira mais sublime do que a da nossa salvação. A salvação dela consistiu não em remover o pecado original que já estava lá, mas em prevenir toda a contaminação pelo pecado. E é por isso que Maria, acertadamente, chamou Deus de seu “Salvador” no Magnificat.

A razão pela qual ela foi salva de maneira tão especial foi que ela foi escolhida para ser a mãe de Cristo. Apesar disso, a maneira sobrenatural do nascimento de Cristo, a saber, de uma mãe virgem, não tem nada a ver com a Imaculada Conceição de Maria. Esse é outro privilégio completamente diferente de Maria.

O sacrifício de Cristo no Calvário e a Missa

O sacrifício de Cristo no Calvário trouxe a salvação para todos os povos de todos os tempos, e, ainda assim, a Igreja Católica Romana ensina que Cristo é oferecido na Missa diariamente. Isso não nega o sacrifício da Cruz e a Epístola de São Paulo aos Hebreus?

Poderíamos pensar que o sacrifício da Santa Missa seria uma negação do sacrifício da Cruz se a Missa fosse um sacrifício diferente do sacrifício da Cruz. Mas não é o caso de acordo com a doutrina católica. A Igreja, claramente, ensina que o sacrifício da Santa Missa é o mesmo sacrifício da Cruz e difere apenas na maneira de oferecimento. O mesmo Cristo, que Se sacrificou cruentamente pelo povo no Calvário, sacrifica a Si mesmo na Missa.

O sacrifício da Missa também poderia ser considerado uma negação do sacrifício da Cruz se ele tivesse a mesma intenção. Também não é o caso, Afinal de contas, na Cruz, Cristo trouxe a salvação e todas as graças para os homens. Na Santa Missa, os méritos do sacrifício da Cruz já foram adquiridos e estão sendo tão somente aplicados e distribuídos ao povo. São duas coisas diferentes. E é belíssimo que a Santa Missa seja a comemoração mística do sacrifício da Cruz. Portanto, a lembrança dele é, assim, mantida viva entre os homens e, portanto, as graças conquistadas através do sacrifício do Cruz são dadas aos homens através dela.

E, portanto, o sacrifício da Missa não é uma negação do sacrifício da Cruz. Os textos de São Paulo, com os quais os protestantes querem provar que não há nenhum outro sacrifício além do sacrifício da Cruz, estão no 9º Capítulo da Epístola aos Hebreus, versículo 12 especificamente: “Mas Cristo […] com seu o seu próprio sangue, entrou uma só vez no Santo dos Santos, depois de ter adqurido uma redenção eterna”; versículo 25: “E não entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo”; e versículo 29:  “Assim também Cirsto se ofereceu uma só vez”. Aqui, o Apóstolo contrasta os sacrifícios repetidos dos hebreus da Antiga Aliança com o sacrifício único de Cristo, que trouxe a salvação de uma vez por todas. Esses textos não se referem, de maneira alguma, ao sacrifício da Missa. E, é claro, os católicos aderem integralmente ao ensinamento de São Paulo, pois nós não defendemos que o sacrifício diário da Missa traz uma nova redenção. Ademais, os numerosos sacrifícios dos judeus não podem ser comparados com a Missa, pois aqueles sacrifícios eram apenas figuras do sacrifício da Cruz. A Santa Missa, porém, foi instituída por Deus para compartilhar conosco os frutos do sacrifício da Cruz.

De Deus não se zomba: a erupção da Montanha Pelée

Pe. N.-P

Eis a narração do drama que sucedeu em 8 de maio de 1902 na Martinica: a erupção da Montanha Pelée1 destruíra num piscar d’olhos a cidade de Saint-Pierre, e matou 40.000 almas das 100.000 com que a ilha contava nessa data. Ao visitar as ruínas da cidade, imaginamos qual não fora a violência do cataclismo.

Os partidários do P.A.C.S. 2 e doutras abominações modernas (aborto etc.) lucrariam se meditassem neste acontecimento, pois que há muito tempo já dizia o profeta Oséias: “Quem semeia vento, colhe tempestade” (Os. 8, 7); mais perto de nós escrevia São Paulo aos Gálatas: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba” (Ga. 6, 7).

Não acreditemos na obsolescência das palavras eternas, só porque Deus se cala. “Retarda-se a pena, porque Deus é bom – escreveu Joseph de Maistre em Os adiamentos da justiça divina – mas ela é certa, porque Deus é justo.”

Parece que essas verdades permitem a boa compreensão da terrível catástrofe de 8 de maio de 1902.

Depois de visitar, em Saint-Pierre o pequeno museu que reúne alguns objetos e fotografias da cidade após a destruição, perguntei a uma jovem antilhana morena que me servia de guia se os habitantes da Martinica não consideravam o cataclismo como um castigo. Sem hesitações respondeu-me ela que sim. Perguntei-lhe então qual seria a provável causa do castigo. Essa moça, de cerca de trinta anos, disse-me que a religião era desprezada e os ministros dela insultados, e acrescentou que durante o carnaval de 1902 parece que haviam matado um padre.

 

Sinais premonitórios

A Montanha Pelée é um maciço que ocupa o nordeste da Martinica, e cujo ponto culminante, Morne le Croix, antes da erupção tinha 1350m de altitude.

Havia dois séculos que as duas crateras deste local estavam inativas: o lago das Palmas, na vertente atlântica, e o fosso da Lagoa Seca, batizado em oposição ao lago sempre cheio, na vertente oposta desta mesma serrania. Em 5 de agosto de 1851 a cratera da Lagoa Seca dera sinais de vida: jatos de fumo e cinzas foram lançados a no máximo cem metros de altura.

Em 1902, a partir do mês de fevereiro, um cheiro forte de enxofre se sentiu, em primeiro lugar, ao redor da vila de Rivière Blanche. As serpentes e os pássaros abandonaram os flancos da montanha; os bois e as ovelhas arrebentavam as amarras quando os levavam a pastar nas encostas da Montanha Pelée; amiúde os cães latiam durante a noite.

Apareceram fumarolas pouco abaixo do cume; os objetos prateados cobriram-se duma tingidura azulada que se espalhava em raias.

Tais fenômenos duraram até sexta-feira, 25 de abril. Naquele dia, entre sete e oito horas da manhã, escutou-se um estrondo subterrâneo, logo seguido dum abalo. Duas horas depois, uma fina cinza azulada, cheirando a enxofre, começou a cair sobre a vila do Prêcheur. Ao meio-dia, de novo, a terra tremeu duas vezes.

Na segunda-feira, 28 de abril, ouviu a montanha rugir, enquanto colunas de vapor escapuliam dele. O débito do córrego Branco aumentou até chegar a triplicar o volume habitual.

Na véspera, em Saint-Pierre, acontecia o primeiro turno das acirradas eleições legislativas. As paixões estavam exacerbadas e a febre política ocupava os espíritos mais que o crescimento insólito dum rio vizinho ou a presença ameaçadora dumas nuvens de cinza que, demais a mais, ainda não haviam atingido Saint-Pierre. Os resultados do primeiro turno auguravam a vitória dos “republicanos”. Decerto os antigos moradores se lembravam desses fenômenos, já ocorridos há 51 anos: a montanha cuspira uma cinza inofensiva e voltou a dormir sem mais histórias.

Les Colonies, a principal folha socialista de Saint-Pierre, publicava em suas colunas de 30 de abril, na pluma do Sr. Hurard, seu diretor anticlerical:

Para nós, ilhéus da Martinica, abril foi duplamente trágico. Nós vimos duas erupções: uma nos espíritos e outra na Montanha Pelée; uma eleitoral e outra física; uma nos discursos, na propaganda, no rum, no dinheiro e nos boletins eleitorais, e outro da coluna de cinzas... Que a montanha se contente em fumaçar e lançar cinza, porém, com mil demônios!, que ela não se ponha a tremer! Os corações trepidariam e dançariam também, mas seria por causa do tremor... Para nós essa cinza é um poema: ele já está escrito em nossa imaginação e, se nós o escrevêssemos, o intitularíamos “A Cinza do Vulcão”. E que labaredas não poríamos entre as cinzas!

A Montanha Pelée, ao notar que os bons costumes foram embora daqui, quis simplesmente nos pregar uma peça. Querido abril, já que vais repousar, dorme bem! E tu, maio, sê bem-vindo!

O mês de maio acordou em meio a um espetáculo desolador. A paisagem estava recoberta de cinzas, nenhum pássaro havia nas árvores, reinava silêncio absoluto... De tempos em tempos, um estalido seco anunciava a queda dum galho, vencido pelo peso das cinzas. Enormes colunas escuras escapavam da montanha.

Na manhãzinha de 2 de maio os rugidos se multiplicaram e, por volta de 16h, uma coluna de vapor bem preta, intumescida e sulcada de raios, apareceu no pico da montanha. As cinzas continuavam a cair e, pela primeira vez, Saint-Pierre ficava recoberta.

Na madrugada de 2 para 3 de maio os habitantes da localidade de Morne Rouge acordaram no meio da noite por conta da mistura duma espécie de canhonaço subterrâneo, um tremor de terra e um estrondo altíssimo, tudo acompanhado dum como que ronco contínuo, semelhante ao rugido do leão. Todos saíram das casas. A montanha estava coroada dos raios que partiam da cratera. O pânico tomou conta dos habitantes, que se precipitaram para a igreja; os confessionários foram tomados de assalto. A mole de gente ficou lá, esperando a morte, até de manhã.

Debaixo duma chuva de cinzas, que espalhava um forte odor de enxofre, conta Mons. Parel, quis eu visitar Sainte-Philomène, o Prêcheur e Morne Rouge, que são as localidades mais próximas do vulcão. Esses três povoados estavam cheios de camponeses que fugiam das montanhas em direção ao litoral; as igrejas, abertas desde a véspera, não se esvaziavam; os curas não paravam de batizar, confessar e alimentar a coragem do povo descontrolado.

Em 3 de maio o governador Luís Mouttet deixou Fort-de-France a fim de examinar a situação pessoalmente. Quando chegou a noite, ele já estava tranqüilo, em razão das informações recebidas: o vulcão não se manifestava há meio século, não convém se alarmar além do necessário!

A “Sociedade de Ginástica” de Saint-Pierre, que havia organizado para o domingo uma grande excursão à montanha, refrescava a memória dos sócios nestes termos, numa nota publicada na imprensa:

Quem nunca foi aproveitar o panorama magnífico que se oferece aos olhos do espectador admirado, a 1300 m de altitude; quem deseja ver a bocarra por onde está escapando – nestes últimos dias – um fumo espesso que está metendo medo nas pessoas das vilas do entorno, tem de aproveitar esta ocasião especial. Se fizer bom tempo, os excursionistas vão passar um dia muito agradável, do qual lembrarão por muito tempo...

A curiosidade e o entusiasmo dos voluntários esfriaram após a erupção que aconteceu durante a noite. Adiou-se a excursão sine die. O domingo, dia 4 de maio, foi relativamente calmo.

Às nove horas celebrou-se a missa; no sermão o Pe. Maury, exortando os paroquianos à penitência, exclamou:

O fogo e a lava estão lá, meus irmãos, o fogo e a lava estão lá... Deus os sustenta sobre as vossas cabeças, pronto para derramá-los sobre vós, se não vos converterdes nem fizerdes penitência!

Na segunda-feira, 5 de maio, por volta de meio-dia e meia, um rio de lama negra e incandescente, com uns doze metros de altura, saiu da cratera e, como uma avalancha, num piscar d’olhos deslizou pela montanha e cobriu a Destilaria de rum Guérin, as quintas dos proprietários e os pavilhões de empregados. Somente a chaminé da usina, qual mastro de navio fantasma, ainda permaneceu visível por algumas horas em meio ao mar de lama que engolira cento e cinqüenta pessoas.

No momento da avalancha o mar, como que assustado, se retirou da enseada de Saint-Pierre. Logo em seguida, as vagas retornaram, já agora como montanhas, e invadiram a cidade, espalhando a consternação. Os habitantes começaram a fugir para os lugares altos, mas vinte minutos depois tudo retornara à ordem.

A comoção atingiu aqui o auge. Algumas famílias partiram em direção à ilha de Santa Lúcia, muitos outros em direção a outras comunidades onde parentes e amigos podiam recebê-los provisoriamente...

As autoridades se esforçaram em declarar às pessoas que não havia motivos de preocupação!

Atendendo a um pedido do prefeito o governador Mouttet e o coronel Gerbault, ambos acompanhados das esposas, foram à ilha e permaneceram em Saint-Pierre, o que lhes custaria a vida.

A “Comissão Científica” que o governador nomeou declarara na véspera do desastre para toda a cidade de Saint-Pierre, ao cair da noite e ao som dos tambores “... que a posição relativa das crateras e dos vales, ambos desembocando no mar, permite afirmar que a segurança de Saint-Pierre não corre riscos.”

As autoridades afixaram essa consulta solene em Fort-de-France três horas após o desastre! O criador zomba da ciência dos homens. O futuro só a Deus pertence.

Na tarde desse dia de 7 de maio o capitão dum barco italiano ancorado na enseada teve melhor inspiração: apressou-se ele em buscar seus papéis, que estavam com o contratante que o mandara retornar ao dia seguinte: “Pois sim! Eu vou é embora”, respondeu ele, e apontando a Montanha Pelée acrescentou: “Na Itália, quando a gente vê o Vesúvio fumaçar desse jeito, todo mundo trata de fugir rapidinho!”... No dia seguinte os quatrocentos barcos que estavam ancorados na enseada, exceto um, foram incendiados e engolidos.

A folha Les Colonies, no seu número de 7 de maio, quarta-feira – o derradeiro, que havia de encerrar a sua carreira – escrevia: “... A emigração de Saint-Pierre fica a cada momento mais intensa... Os vapores da Cia. Girard estão sempre lotados. A média de passageiros da linha Fort-de-France, que era de 80 por dia, elevou-se para 300 nestes últimos três dias. Confessamos que não entendemos a razão do pânico. Onde poderíamos ficar melhor do que em Saint-Pierre?”

Apesar dos discursos confiantes, escreveu uma testemunha, muitos tinham medo, e foi com terror que viram a noite chegar. Para aumentar a apreensão, a cidade inteira se viu mergulhada nas trevas, pois a luz elétrica, por causa dos fenômenos magnéticos que procediam do vulcão, não estava funcionando.

Estamos a algumas horas da catástrofe. Depois de tantos sinais premonitórios (tremores de terra, chuva de cinzas e de lapíli, cheiro de enxofre, água quente nos rios, ressecamento súbito do lago das Palmas, destruição da usina Guérin...), é espantoso que os habitantes de Saint-Pierre não fizessem uma idéia mais justa do perigo a lhes ameaçar. A montanha não parou de dar avisos convincentes.

Por que não evacuaram a cidade?

É difícil responder em nome de todos, declarou uma testemunha, pois evidentemente cada um reagia segundo o seu temperamento.

Sem dúvida, muitos achavam que teriam tempo de fugir das lavas, caso o vulcão se enfurecesse de todo. Pensavam outros que o derrame do imenso rio de lama acalmara o vulcão e a crise já havia passado.

Algumas pessoas, com medo dum maremoto, procuravam fugir para os “lugares altos”. A causa desse temor foi a erupção da ilha de Cracatoa: o vulcão do distrito de Sonde havia quicado como uma bomba gigantesca e provocado um extenso maremoto.

Abandonar a casa era decerto expô-la à pilhagem e arriscar-se à ruína.

Para um bom número de pessoas, as crianças, as pessoas dependentes, os doentes e os enfermos certamente foram um obstáculo à fuga.

Seria demasia pensar que o espetáculo assustador desse monstro furioso provocava uma espécie de fascinação? Não é impossível.

Enfim as eleições que sempre inflamavam a ilha fizeram naquele ano a temperatura social subir a graus jamais vistos; o segundo turno do escrutínio deveria acontecer no domingo seguinte, a 11 de maio. Para que houvesse eleitores, o povo teria de permanecer na cidade, por isso convinha tranqüilizá-lo; o relatório da comissão científica decerto contribuiu para isso!

 

A catástrofe

Em 8 de maio de 1902, após uma noite de tormenta e rugidos surdos, Saint-Pierre acordou tarde nesse que era o dia da Ascensão. Bulcões negros e compactos obscureciam o céu.

O vapor “Rubi”, que zarpou às 6.30h em direção a Fort-de-France, foi tomado de assalto por inúmeros viajantes. Ele foi literalmente invadido por ondas humanas que se dependuravam em todas as partes do navio. Vários habitantes, assustados com a noite que acabavam de passar, resolveram partir.

Os carrilhões soaram em todos os campanários, conclamando os fiéis para os primeiros ofícios da Ascensão.

De repente se escutou um estrondo terrível. Era 7.50h, a hora fatal que ficou inscrita no relógio encontrado no hospital dos Padres de São João de Deus. Um barulho, comparável ao de centenas de apitos que silvassem ao mesmo tempo, preencheu o ar, e uma nuvem vaporífera, intumescida, espessa, negra e sulcada de raios resvalou do vulcão entreaberto, e num piscar d’olhos precipitou-se por sobre a cidade – cobrindo-a, sufocando-a e abrasando-a – e deslizou até ao mar, onde se dilatou e inchou em forma de montanha de cinzas e fogo.

Depois de passar pela cidade, a nuvem parou bruscamente ao se deparar com um vento violento em sentido contrário. Foi só então que se pôde vislumbrar o véu negro e impenetrável duma fumaça opaca que cobria a infeliz cidade e donde a intervalos jorrava milhares de labaredas.

Na hora fatal o telefonista de Fort-de-France, Sr. Lodéon, estava já havia algumas horas conversando com seu colega de Saint-Pierre, quando de repente este se calou ao começar a pronunciar uma palavra; naquele instante, enquanto todas as campainhas do escritório se puseram a soar, o Sr. Lodéon sentiu de súbito um violento choque elétrico e ouviu um estertor de agonia e o barulho dum enorme colapso. A comunicação estava interrompida – e por uma boa razão!

Estava terminada a obra de destruição. Setenta segundos bastaram para apagar Saint-Pierre do mapa.

Daí então uma chuva de cinzas finas amortalhou o drama. A cidade era toda um braseiro, com muros derruídos e calcinados, e um pasmoso acúmulo de cascalhos e árvores carbonizadas. Nenhum dos 40.000 habitantes que viveram o drama escapou, mas foram queimados, asfixiados, destroçados e eletrocutados num instante.

As fotos da cidade destruída nos remetem imediatamente às de Hiroshima após a bomba atômica. Dá-nos a impressão que um gigantesco sopro devastara Saint-Pierre: a estátua de Nossa Senhora do Bom Porto, protetora dos marinheiros, foi encontrada a vários metros de sua base. Pesava ela a ninharia de 5 toneladas e costumava ficar a 5 km da cratera!

Sob efeito do calor, um dos sinos da catedral se deformou deveras. Exposto no museu do vulcão, talvez seja o objeto que provoque a maior impressão, ajudando-nos a imaginar a força do cataclismo; este sino, que pesa uma tonelada, parece que o esmagou um “punho de ferro”!

Só um dos 400 barcos que estavam na enseada no momento do cataclismo – o Roddam – escapara do desastre. Temos o relato dum dos passageiros da embarcação:

Quando a coluna de fogo e lava se abateu sobre a cidade, elevou-se um grande clamor de gritos de desespero e angústia. Este clamor lúgubre e pungente foi tão imenso que chegou a ultrapassar em volume o estrépito da inundação e o rugido do vulcão.

Víramos uma mole de gente se precipitar na praia, mas os desgraçados não conseguiam correr por muito tempo dentro do fogo que os envolvia – eles caíam como moscas; e quem conseguia chegar até a beira do mar, onde as pessoas acreditavam estar em segurança, foi num átimo engolido e arrastado por um imenso lamaceiro. Além disso, a inundação começou a ferver e as pobres vítimas eram ao mesmo tempo afogadas e assadas.

Dez toneladas de cinza incandescente cobriram a embarcação, apesar da distância que a separava da costa. Ela chegou a Santa Lúcia num estado lamentável; a bordo só se via mortos e moribundos: não houve um sequer que não tivesse sofrido queimaduras.

Mas por que seria um castigo o drama de 8 de maio de 1902?

Nestes últimos tempos o filme Titanic suscitou inúmeros artigos, porém nenhum deles jamais mencionou as inscrições blasfemas riscadas no casco durante a construção; jamais mencionou que a destruição do navio antes do término da primeira viagem poderia ser a resposta divina aos ataques dos homens.

Do mesmo modo, não se encontrará mencionada em nenhuma obra recente ou folhetos informativos uma explicação semelhante para a erupção de 1902, contudo ela persiste na mente dos anciões, e até os nem tão anciões já ouviram falar dela – como prova a guia antilhana da visita ao museu do vulcão...

 

A espada de fogo

Durante o ano precedente à catástrofe que acabamos de relatar aconteceram no Convento de Livramento presságios sinistros, sinais assustadores, pressentimentos e intuições dolorosas.

Nove meses antes da erupção duas irmãs que residiam em Saint-Pierre viram – no mesmo dia, embora estivessem separadas – uma espada de fogo pairar acima da cidade, como se impedida por mão invisível. Amedrontadas ambas se perguntavam, cada uma para si só, qual o significado daquilo... Como estivessem consternadas, elas guardaram o segredo até a hora da recreação. Então uma delas disse às irmãs reunidas: “Oh! Eu vi uma coisa extraordinária e assustadora!” A outra religiosa, testemunha do prodígio, lhe ripostou: “Duvido, cara irmã, que tenhas visto algo de mais extraordinário e assustador do que eu.” Instadas pelas intrigadas religiosas a se explicarem, ambas revelaram a visão claríssima duma espada de fogo pairando acima da cidade de Saint-Pierre.

Na mesma época se passou um fato extraordinário em Morne Rouge, numa outra casa da comunidade. Por vários dias seguidos “uma de minhas irmãs e eu – conta a Irmã Margarida Maria – encontramos os baldaquinos de nossas camas cobertos de grandes manchas vermelhas semelhantes a sangue. Trocaram-se as cortinas três vezes e três vezes se reproduziu o mesmo fenômeno: o baldaquino duma das camas estava particularmente manchado. A comunidade ficou estupefata. ‘Qual o sentido desse fato estranho?’, perguntavam-se as religiosas umas às outras... talvez seja prenúncio de martírio. “Pessoalmente, se considerarmos o crescimento progressivo da perseguição religiosa, vejo nisso um presságio de massacre...”

Ainda no convento de Livramento, em Morne Rouge, durante os três meses que precederam o cataclismo, escutavam-se de noite pelos corredores soluços, suspiros e orações; nos dias gordos do carnaval esses fenômenos se reproduziram até durante o dia: em vários pontos do convento se percebiam sons de soluços. Na Terça-Feira Gorda, no momento em que a comunidade fazia as orações de reparação na igreja, a Reverenda Madre Superior, que em razão duma doença ficara numa das salas da comunidade, escutou um choro à porta. O gemido foi tão forte que ela mandou a religiosa que lhe cuidava verificar se havia alguém no corredor... mas não encontrou ninguém.

Ainda há relatos de outros fatos misteriosos: uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes, que exibia um semblante alegre, sem mais assumiu uma expressão melancólica; num convento de religiosas ouvia-se o estridor de pratos quebrando-se; um lampião começou do nada a saltitar.

Um castigo... para punir qual crime?

Quando perguntei isso, a jovem guia do acanhado museu de que já falei não me respondeu:

- “para os brancos por causa da escravidão...”. Aliás, este ano festejamos os 150 anos da abolição da escravidão;

- nem “para punir os costumes licenciosos”. As uniões ilegítimas, é verdade, eram de longe as mais numerosas e a rua das “mulheres-damas”, muito freqüentada. A última instrução do Mons. de Cormont foi um comovido apelo aos diocesanos, a fim de lhes exortar à regularização das uniões ilegítimas e ao respeito da lei do casamento.

Não, ela mencionou sem pestanejar os pecados contra a religião.

Na obra de Louis Garoud, Três anos na Martinica, lê-se o seguinte:

...Nem as saturnais romanas nem as bacanais gregas jamais ofereceram um espetáculo semelhante; nunca na festa dos loucos, na Idade Média, exibiram-se tais mostras de exultante depravação. A imaginação não pode conceber semelhantes loucuras humanas nem delírio tão contagiante...

Saint-Pierre, classificada como a 101ª cidade da França no quesito de luxo e conforto, alimentava todos os vícios que os deleites podem engendrar. A fé não era tão-somente ignorada mas desprezada e insultada em público por um grupelho instigado pela “loja” de Saint-Pierre, poderosa e militante que era.

Algumas testemunhas afirmam que o Mons. de Cormont teve de encurtar a procissão de Corpus Christi do ano anterior [à catástrofe] devido às pedras e aos insultos lançados sobre o cortejo!

Mons. de Cormont teve de deixar a Martinica alguns meses antes da catástrofe para que se acalmassem os ânimos. Com efeito, suscitou-se uma vivíssima polêmica, pois ele queria promover um de seus novos párocos, ao passo que um mais antigo ambicionava o cargo... e cada qual com seus partidários!

Quando Mons. de Cormont estava partindo, certas pessoas - incitadas pela franco-maçonaria – chegaram a lhe jogar pedras. O prelado se voltou para eles e disse: “Vós nos lançais pedras, o vulcão lhas devolverá”. Isso aconteceu em 10 de abril!

No livro Peregrinação fúnebre às ruínas de Saint-Pierre U. Moerens escrevera a pág. 60:

Uma imprensa violentíssima e ímpia se esforçou em descristianizar esta terra desgraçada. Com uma visão estreita e um espírito intolerante, os responsáveis pela missão de dirigir a opinião pública eram infatigáveis – por qualquer ou sem nenhum motivo – em disseminar a blasfêmia e em lançar o desprezo sobre tudo o que havia de mais respeitável e sagrado.

A obra dos sectários deu frutos. Mas ao que parece foi a profanação ignóbil da Sexta-Feira Santa, em 28 de março de 1902, que provocara a cólera de Deus.

A partir do testemunho dum martinicano, ela foi noticiada com o título de “O Cristo no Vulcão”, em 5 de setembro de 1902, num dos maiores jornais parisienses:

Foi em 28 de março deste ano, Sexta-Feira Santa. Nossa alegre cidade colonial acordou neste lusco-fusco tão calmo e cheio de frescura das manhãs dos trópicos. Atrás das varandas entreabertas a gente percebe as donas de casa que se apressam em pôr tudo em ordem para irem à igreja. O sol sobe suavemente no horizonte. Chega a hora do almoço, e as pessoas vão quebrar o jejum, mas ao estilo créole3: bacalhau com arroz.  Entrementes um grupo barulhento vai em direção a um dos principais hoteis da cidade, onde preparavam um festim. São eles os representantes do livre-pensamento que, a fim de provar sua independência de espírito, vão promover uma comezaina com as comidas mais gordurosas e suculentas, em contraste com a abstinência universal. Eles abriram e esvaziaram rapidamente inúmeras garrafas, e quando já estavam bastante avinhados, a banda diabólica começou a andar pelas ruas da pequena capital, vociferando palavras sujas e ridicularizando a imagem do Cristo que estavam carregando.

Ei-los já fora da cidade, a caminho da montanha. Diante deles a elevação se erguia majestosa, com seu pico irregular se destacando contra o fundo azul do céu; por catorze vezes, em meio a blasfêmias infames, a tropa se detivera para parodiar a Via Crucis e achincalhar as cenas da Paixão, que naquele momento a Igreja pesarosa cantava. E eles continuam a subir, mais e mais excitados, inventando a cada trecho da caminhada mais blasfêmias horríveis. Finalmente chegam ao cume... Contornam o lago de águas tranqüilas e vão até a boca escancarada do vulcão e ali, numa sarabanda infernal, entre berros e momices, atiraram no fundo do abismo a imagem Daquele que, havia dezenove séculos, morrera na cruz para resgatar as almas dos condenados. No dia da Ascensão, entre estertores de morte e gritos de espanto, o vulcão respondia aos escarnecedores do Cristo e remetia a cruz aos céus.

Com efeito, no ano de 1902 o dia 8 de maio, quinta-feira, caia no dia da Ascensão... Acaso?

É claro, os livre-pensadores não tinham nenhum interesse na história: consideraram-na uma invenção dos católicos, uma fábula que hoje em dia já ninguém conta.

Verdade ou fábula?

Mélanie, a criança que viu Nossa Senhora em La Salette, autenticou esse triste acontecimento, ante a interrogação do Pe. Combe.

- Tu já sabias que iria acontecer a catástrofe?

- Sim, [respondeu Mélanie].

- Foi a aparição de 1846 que te alertou?

- Não [responde ela].

Convinha lhe tirar essa informação [insiste o Pe. Combe], mas ela se limitava a responder ou sim ou não.

- Tu viste bem a erupção, fala.

- Ah, padre! Eu estava lá.

Na sexta-feira, dia 16 de maio de 1902, anota o Pe. Combe:

Percebi no fogareiro, entre os papéis a queimar, uma carta de participação do falecimento da Sra. X, em cujo verso Mélanie escrevera a previsão dos vindouros castigos da Martinica:

“Nós não roubamos mas compramos e arrancamos das mãos de Deus. Ele não vai se contentar em advertir as criaturas racionais, às quais outrora dera tantas provas de amor; mesmo quando sua justiça exige de sua glória a vingança da misericórdia ultrajada, o bom e divino mestre trata de advertir com certa discrição sobre sua justiça. Ele há de enviar tremores de terra incomuns. É o que fará nas Antilhas Francesas. Durante uns seis dias haverá pequenos abalos entremeados dalguns grandes. Infelizmente os homens têm ouvidos e não escutam. Enfim, no dia 8 de maio, o fogo devorador cairá sobre uma das principais cidades da Martinica, Saint-Pierre, e a devorará e cobrirá de cinzas e de todos os tipos de destroços. Para além da destruição da cidade, outras três localidades também terão vítimas, afora os prejuízos materiais. O fogo não se recolherá à sua caverna: doze dias após o cataclismo, Fort-de-France e outras cidades também hão de chorar.”

- Escreveste esta meditação no dia 8, antes da erupção [pergunta-lhe o Pe. Combes]? Até aqui, só a cidade de Saint-Pierre foi destruída; já se fala de 30.000 vítimas.

- Pois são 40.000 [responde Mélanie].

- Já que previste a destruição de Saint-Pierre, podes me dizer o nome dessas localidades que vão compartilhar o mesmo destino [indagou o Pe. Combes]?

- Curbet ou Curbá, é algo assim [respondeu Mélanie].

Por ocasião duma nova catástrofe, que vitimou cerca de mil pessoas, os jornais (Le Pèlerin, de 14 de setembro de 1902) divulgaram – depois duma pesquisa feita no local – que a catástrofe do mês de maio já se estimava em 40.000 mortos.

Na quinta-feira, dia 22 de maio, anotou o Pe. Combe:

Eu desejava uma predição cuja anterioridade se provasse materialmente, e eis que meu desejo se cumpre: um telegrama chegou hoje de manhã: “Os cabogramas oficiais sobre a erupção de 19 e 20 de maio são mui sucintos, não obstante sabe-se que a vila de Carbet, situada na costa a poucos quilômetros de Saint-Pierre, foi em parte destruída.”

Fui até ela perguntar: - Que crimes terríveis, além da impureza, puderam atrair sobre a população – considerada catolicíssima – um semelhante flagelo?

Ela me contou que “na Sexta-Feira Santa passada, uma imagem de Cristo de cerca de um metro foi arrastada com uma corda pelas ruas de Saint-Pierre, e logo depois pela montanha vertente acima, até que a chutaram dentro duma fenda”.

- Esse sacrilégio foi obra duma multidão de homens e mulheres, para que atraísse a maldição de Deus sobre toda a região [raciocina o Pe. Combe].

- Somente duns poucos [explica Mélanie], mas os demais habitantes não os detiveram, e um grupo de crianças os seguia. Aquela vertente da montanha desmoronou no dia da Ascensão. Como Deus pode infligir tal castigo? está pensando o Sr. Isso lá é justiça? Nos tempos de fé verdadeira, também aconteciam profanações. A diferença era que as profanações eram apontadas, o poder civil condenava com rigor essas pessoas; já outras eram punidas de modo miraculoso. No caso da Martinica, a profanação foi pública, e a permitiram; até as crianças iam atrás do cortejo; entre a Sexta-Feira Santa e a Quinta-Feira da Ascensão, alguém teve notícias de que se fizeram orações de reparação ou de que o clero houvesse organizado procissões e penitências públicas para desarmar a cólera de Deus? [Ver: A Aparição da Virgem Santíssima, de M.-H Bourgeois – fita cassete nº 4b.]

Depois da destruição de Saint-Pierre, ainda tiveram de esperar dois dias antes que se pudesse pôr os pés sobre a cinza ardente que recobria o solo da cidade destruída. (Esse fato torna inconcebível a sobrevivência dum prisioneiro numa cela, como afiançavam ser o caso de Louis-Auguste Cyparis, que o circo Barnum durante anos exibiu como atração: “O homem que escapou de Saint-Pierre”.)

Um detalhe do testemunho das primeiras pessoas que se aventuraram a pisar na ilha parece confirmar que o cataclismo era um castigo da impiedade:

No meio do caos da ruína, já não reconheciam a geografia da cidade, que lhes era contudo bem familiar. Em todo lugar se amontoavam cadáveres carbonizados e putrefatos, exalando um odor pestilento que viciava o ar... Na catedral um confessionário ainda estava de pé – intacto. Não longe dali, num pano de muro, um cartaz mal fora chamuscado pelo fogo, ao passo que os demais em redor estavam completamente carbonizados: “Cristo no pelourinho! A Virgem no estábulo!”, dizia a inscrição assustadora, pois o espetáculo que se oferecia aos olhos afigurava-se a resposta a essa blasfêmia.

Uma coluna de 300m de altura permaneceu erguida sobre o pico do vulcão durante vários anos, mas com o tempo se esboroou e desapareceu. À noite ela ficava “incandescente”, o que não deixava de ser impressionante. Não seria o dedo de Deus assinalando a justiça divina: “Quem semeia vento, colhe tempestade’?

Nos dias 16 e 20 de maio novas erupções fizeram novas vítimas: alguns curiosos e sobretudo saqueadores que como urubus vinham despojar os cadáveres de seus bens. Após o dia 20 de maio encontraram-se algumas pessoas mortas, deitadas sobre um saco cheio de pratarias que se dispuseram a carregar; havia um outro sobre um cadáver, de quem parecia estava arrancando uma jóia!...

A erupção do dia 20, fortíssima, teve um efeito sanitário: ela sepultou os cadáveres, evitando assim o desenvolvimento de epidemias.

A última erupção devastadora foi a de 30 de agosto de 1902, que destruiu a vila de Morne Rouge, fazendo 2000 vítimas. A igreja foi totalmente destruída mas, em meio às ruínas, os sobreviventes encontraram meio enegrecida a estátua de Nossa Senhora do Livramento miraculosamente conservada. Ela permaneceu de pé e intacta sobre o pedestal, que não ficou abalado.

Desde então, os martinicanos fazem, no dia 30 de agosto, uma procissão solene em honra de sua padroeira.

Durante a tempestade, contemple a estrela, invoque Maria.

 

  1. 1. Litteris: Montanha Pelada ou Descascada [N. do T.]
  2. 2. O Pacto Civil de Solidariedade (Pacte civil de solidarité ou tão-somente P.A.C.S.) é um contrato de união civil entre dois adultos (de mesmo sexo ou sexos opostos) que regula a vida em comum de ambos, conferindo a cada membro direitos e responsabilidades, embora com força obrigante menor que a do casamento. [N. do T.]
  3. 3. A expressão créole se refere às culturas ou línguas mistas, nascidas do contato entre os europeus (neste caso, franceses), os africanos e a população local. {N. do T.]
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