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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Ir. Michel André (1)

A humildade de São Pedro

Irmão Michel André

Uma das últimas aparições de Cristo, antes de Sua Ascensão, é relatada por São João no último capítulo de seu Evangelho e aconteceu às margens do rio Tiberíades. Aqui estão alguns versos sobre ela:

“Após comerem (após a segunda pesca milagrosa, Jesus os fez fritar peixe no fogo), Jesus disse a Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas mais que estes?’ Ele respondeu e Lhe disse: ‘Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo’ Ele perguntou uma segunda vez: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’ Pedro Lhe respondeu: ‘Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo’ Ele perguntou uma terceira vez: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’ Pedro se contristou por Ele ter perguntado a terceira vez e respondeu: ‘Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que Te amo’ E Jesus lhe disse: ‘Apascenta minhas ovelhas’” (Jo 21,15-17). O que significa dizer: sede Pastor, o chefe de todos os Bispos e Padres, representados pelas ovelhas.

Nesse comovente diálogo, não sabemos o que é mais admirável: o tato de Jesus ou a humildade de seu apóstolo.

Voltemos um pouco no tempo. Os quatro evangelistas escrevem sobre a tripla negação de Pedro, embora nenhum deles a tenha testemunhado. Poderíamos sequer jamais saber desse acontecimento! Portanto, foi de Pedro (e apenas dele) que tomaram conhecimento de sua queda!

E isso explica por que os detalhes são relatados de maneira diferente pelos quatro evangelistas. É interessante notar que as maldições só se encontram em Mateus e Marcos (discípulos de São Pedro). O Evangelho de São Lucas é mais discreto; o de São João é mais ameno ainda.

Pedro não conseguiu guardar sua queda em segredo. Ainda que apenas para mostrar sua tristeza profunda, teve de confessar esse triste acontecimento.

A narração, então, foi feita de maneiras diferentes pelas pessoas por 10, 20, 40 anos. Uma coisa é certa: em três ocasiões, Pedro negou ser discípulo de Jesus! Assustador!

E ele quis que sua negação fosse conhecida por toda a Igreja, pois ela tinha sido uma das maiores causas dos sofrimentos de Cristo!

Imaginemos a dor atroz que Pedro sentiu após a morte do Salvador; ele, o apóstolo escolhido entre os doze para ser o líder, havia negado seu Mestre!

Agora, foi porque ele O amava mais que tudo que Pedro seguiu Jesus para o palácio do Sumo Sacerdote. Se Pedro tivesse amado Jesus menos, teria permanecido escondido, teria fugido junto com os outros apóstolos após a prisão no Getshêmane e jamais teria ido ao palácio para tentar ouvir alguma novidade.

Sabemos de São Lucas que, após a terceira negação, o Salvador olhou para Pedro, perdido na multidão. A gentileza desse olhar, cheio de misericórdia, foi mais insuportável que qualquer admoestação verbal. Pedro saiu do palácio imediatamente e chorou copiosamente!

Mas era tarde demais: não podemos apagar o passado. E Pedro havia cometido uma falta irreparável!

Ele estava inconsolável: “A última coisa que Jesus viu de mim foi minha negação; as últimas palavras que me ouviu proferir foram: ‘não conheço este homem!’ Minha covardia aumentou o horror de Seu sofrimento. Ela foi mais cruel para Ele que os sofrimentos atrozes de Suas mãos e Seus pés traspassados pelos cravos na cruz!” Pedro não teria como consertar sua queda!

Reparemos que o apóstolo não mostrou a extensão de sua humildade ao admitir a seus amigos e companhias sua tripla ofensa.

O tamanho de sua humildade reside no fato de que, apesar de indigno – e ele estava ciente de sua indignidade – permaneceu no posto que seu Mestre lhe havia confiado.

O que teríamos feito em seu lugar? Teríamos renunciado; teríamos fugido de Jerusalém e nos escondido em algum lugar remoto, para esconder nossa vergonha...

De acordo com os critérios do mundo, Pedro deveria ter desaparecido para pagar por seu pecado...

Um exemplo típico da falsa honra humana, que é hipnotizada e centrada em si mesmo até no arrependimento. Ao invés de enxergar no pecado o ultraje feito a Deus, só enxergamos a confusão, a degradação, que é orgulho puro; orgulho ferido e rancor! O oposto do arrependimento.

Pedro, o traidor, lembrou-se da advertência de seu Mestre: Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos (Lc 22, 31-32).

A fé e o amor de Pedro não foram obscurecidos por seu pecado, pois ele era humilde. Ele permanece em seu posto, cheio de tristeza, mas fiel.

Quando, portanto, vamos reconhecer que mesmo nossos pecados estão abarcados pela misericórdia de Deus?

Pedro não mentiu quando declarou, no cenáculo, que estava pronto para morrer por Jesus. E veio a morrer de forma terrível no martírio.

Mas, enquanto isso, Deus preparou para ele uma morte mais difícil: morrer para si mesmo! Sua honra humana precisava ser quebrada, e era necessário que não restasse mais nada nele que enxergasse como sendo sua lealdade, sua coragem, sua grandiosidade.

Ele não poderia ser mais que um pobre homem sem méritos. Então, morto para si mesmo, viverá apenas por Jesus e para Jesus.

Foi assim que Nosso Senhor o reabilitou publicamente: Simão, filho de João, tu me amas mais que estes?

“Estes” são seus irmãos de apostolado, dos quais ele errou ao dizer no cenáculo: “Ainda que estes Te abandonem, eu jamais O abandonarei!”

Portanto, que falta feliz que o purificou de seu orgulho. Ele responde de maneira simples agora, sem se comparar com os outros: “Senhor, Tu sabes que eu Te amo”

Ele aprendeu a lição, e o Mestre, agora, não mais fará referência aos outros em sua segunda pergunta.

Mas por que uma terceira vez? Nosso Senhor não duvida de sua sinceridade, pois, em duas ocasiões, o confirmou em seu papel de pastor.

Pedro entende. Seus olhos mal conseguem conter as lágrimas. Mas, sem revolta, abandona-se ao Seu Juiz: “Senhor, Tu sabes todas as coisas; Tu sabes que Te amo”

Que exemplo para nós! Nossos pecados, irreparáveis em si mesmos, foram abarcados pela morte de Cristo!

Tomemos nota de que com gentileza e clemência Jesus tornou Seu perdão conhecido.

Se as três perguntas representam as três negações nunca foi mencionado.

Nós, quando ofendidos, só sabemos falar de admoestar o ofensor. Nosso Senhor ofendido só pensa em resgatar o amor do culpado.

Outra coisa: Jesus não tenta obter promessas para o futuro. Ele não fala a Pedro do passado ou do futuro.

Que diferença comparado com os julgamentos dos homens que, para perdoar, exigem promessas, condições, garantias!

Pedro, publicamente reabilitado, agora está apto a viver novamente como apóstolo fiel, mas Jesus não busca a garantia de sua fidelidade no futuro: Ele a busca no presente, nos sentimentos presentes de Seu discípulo.

Seríamos os desgraçados mais ingratos se concluíssemos, diante desse caso, que o pecado é uma ninharia e que tudo estaria perdoado assim que mudássemos de comportamento.

Não: entre a negação de Pedro e seu perdão algo capital, maravilhoso aconteceu, que alguns tendem a esquecer até na Missa...

A morte e a ressurreição de Cristo aconteceram.

Todos os nossos pecados, todas as nossas negações resultam no Calvário e só são perdoadas pela morte de Cristo. E só temos a garantia dessa reparação na ressurreição de Jesus Cristo.

Lembremos o que dizia São Paulo: “Se Cristo não tivesse ressuscitado dos mortos, vós ainda estaríeis em pecado”

O pecador só é reabilitado porque condena completamente seus pecados, que causaram a morte de Cristo e porque Cristo o absolve de seus pecados e o lava em Seu sangue.

E só podemos estar mortos para o pecado se Jesus Cristo viver em nós através de Sua graça.

Portanto, evitemos fazer promessas a Deus baseados apenas na nossa coragem: quantas vezes fracassamos nessa seara!

Ao invés, escutemos Jesus fazer a cada um de nós a mesma pergunta que fez a Pedro: não “Vós fostes ingratos e não Me amastes”, nem “Vós Me amareis para sempre?” mas “hoje, aqui e agora, vós Me amais?”

Trata-se de imitar a humildade e Pedro e não confiar em nós mesmos; trata-se de substituir nossa presunção por um amor humilde e fervoroso a Ele, que nos trouxe o perdão – por Sua Cruz – porque Ele nos ama com um amor divino.

Trata-se de dizer a Jesus toda manhã: “Senhor, Vós somente sabeis o futuro; Vós me conheceis melhor que eu mesmo, Vós sabeis que eu quero, hoje, amar-Vos com todo o meu coração e trabalhar e viver para Vos agradar por Vosso amor”

(Rector´s letters - St. Thomas Aquinas Seminary, set/21)

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