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Pe. Juan Carlos Iscara, FSSPX (3)

É lícita a caça ou a pescaria? Moralmente falando, é preciso obter permissão legal para pratica-las?

Deus deu ao homem domínio sobre todas as criaturas, incluindo animais, o que permite que sejam usados pelo homem para propósitos justos, como alimentação, vestimenta, experimentos científicos, trabalho e mesmo lazer. Caçar e pescar por esporte enquadra-se nesse aspecto de lazer e recreação. Por outro lado, crueldade desnecessária com animais é pecaminosa, não porque viola supostos "direitos" dos animais (que não existem na realidade, pois apenas seres racionais podem ser sujeitos de direitos), mas porque macula a dignidade do homem como ser racional e como administrador da criação de Deus.

Como Deus deu os animais para o uso de todos os homens e também das gerações futuras, as autoridades civis — ministros temporais de Deus — têm o dever de garantir que os animais serão preservados, e não arbitrariamente eliminados, o que facilmente ocorreria se não houvesse regulações.

Nos nossos tempos, esse dever é exercido através das leis civis que regulam o tempo, o lugar e a espécie de animais que podem ser caçados ou pescados. Essas leis são impostas para cuidar de certos elementos particulares do bem comum dos homens — a preservação da vida selvagem, que foi criada para todos nós, e a garantia da vida humana e da propriedade.

Sendo esse o caso, as leis civis regulando a caça e a pesca esportivas são verdadeiras leis, de acordo com a definição tomista: "uma ordenação da razão, criada para o bem comum e promulgada pela autoridade responsável pela comunidade".

Portanto, sim, se alguém pratica pesca ou caça esportiva, há um dever moral de observar essas leis. Elas vinculam a consciência — ou seja, negligenciá-las e feri-las é um ato pecaminoso. Apesar disso, nem todas elas vinculam sob pena de pecado mortal, mas a depender da gravidade da matéria.

Se eu viajar para um lugar remoto no fim de semana, tenho que me deslocar por horas a fio para ir à Missa?

Pela lei natural e pela lei positiva divina, devemos render culto a Deus. A lei eclesiástica determina que essa obrigação deve ser cumprida assistindo à Missa nos domingos e nos dias santos. Esse preceito vincula sub gravi (ou seja, sob pena de pecado mortal) a todos aqueles que atingiram a idade da razão (sete anos de idade). Além disso, qualquer pessoa obrigada a obedecer a uma lei também está obrigada a fazer esforços para evitar qualquer obstáculo ao seu fiel cumprimento.

Como uma lei não pode obrigar ao impossível, a Igreja reconhece que, em certas circunstâncias, alguém pode ser escusado de observar a lei. Assim, uma causa moderadamente grave pode nos escusar de assistir à Missa em um domingo. As principais causas, normalmente, são: 

  1. impossibilidade física ou moral, como, por exemplo, em caso de doença, grande distância de uma Igreja, condições de tempo perigosas, risco de séria perda material, etc; 
  2. caridade que nos obrigue a ajudar o próximo, como, por exemplo, tomar conta de uma pessoa doente, ou estar presente para evitar que alguém caia em pecado; 
  3. obrigação imposta por certas funções ou ofícios, como, por exemplo, soldados, enfermeiras, bombeiras, etc, enquanto em serviço.

Mas, embora Deus não espere de nós que façamos o impossível, Ele espera que suportemos alguns inconvenientes ou obstáculos aos nossos planos para que consigamos cumprir Sua vontade.

Portanto, não nos é lícito criar um obstáculo ao cumprimento da lei, exceto se houver uma causa grave proporcional.

Relaxamento e recreação são, certamente, necessidades humanas legítimas, bem como dons de Deus. Mas, como existem várias formas de relaxar, devemos escolher aquela que não nos force a ausentar-nos da Missa dominical.

Portanto, se escolhemos uma atividade recreacional que nos impossibilite assistir à Missa dominical, a razão para isso deve ser de uma gravidade proporcional à gravidade do preceito eclesiástico. Um motivo dessa gravidade proporcional poderia ser, por exemplo, se acampar num local remoto for aconselhável como a maneira mais útil de fortalecer os laços de uma família que corre o risco de desabar. Outros motivos de gravidade proporcional poderiam ser, por exemplo, se não tivermos oportunidade de tirar férias anuais em outro período, ou se for o caso de uma viagem ao estrangeiro que jamais teremos a oportunidade de fazer novamente.

Em todo caso, devemos evitar fazer de nossas atividades recreacionais o ponto de partida da programação do nosso fim de semana, relegando pensar em Deus e na Missa a um momento posterior.

A Missa é um dom de Deus, e assistir a ela é um privilégio incrível para nós, especialmente na atual crise da Igreja, em que há um número decrescente de Missas e de fiéis indo à Missa para render a Deus o culto que Lhe é devido.

Portanto, não devemos tentar encontrar desculpas para não ir [à Missa de preceito], mas, ao contrário, fazer esforços para ir à Missa mesmo em outros dias da semana.

Com que frequência devo me confessar?

Em consonância com a lei divina, a Igreja enfatiza a necessidade de confessar todo e cada pecado mortal de que se lembre após exame diligente e adequado, com todas as circunstâncias que podem alterar a espécie do pecado. Nos tempos presentes, como consequência da obrigação de receber comunhão ao menos uma vez por ano, temos, também, por preceito eclesiástico, a obrigação grave de confessar, ao menos uma vez por ano, quaisquer pecados mortais ainda não acusados em confissão válida.
 
A Igreja não exige nada mais — nem uma frequência maior, nem a confissão dos pecados veniais — mas tanto a Igreja quanto todos os autores espirituais aconselham e encorajam-nos a duas coisas adicionais. Em primeiro lugar, buscar a absolvição dos nossos pecados mortais o quanto antes e tão frequentemente quanto preciso.
 
Em segundo lugar, também somos aconselhados e encorajados à confissão devocional mesmo de nossos pecados veniais. Como o Concílio de Trento estabelece:
 
"Pecados veniais, que não nos privam da graça de Deus, e nos quais caímos com maior frequência, podem retamente e com benefício ser acusados na confissão, como torna clara a prática das pessoas devotas. [Também] podem não ser declarados sem [que configure] qualquer falta, e podem ser expiados de várias outras formas".
 
A prática piedosa da confissão frequente assegura um progresso mais rápido no caminho da perfeição. Por exigir um exame frequente da consciência e o conhecimento de nossas fraquezas, aumenta o autoconhecimento e o crescimento na humildade; "nossos maus hábitos são corrigidos, a negligência e a tibieza encontram resistência, a consciência é purificada, a vontade fortalecida, um salutar autocontrole é atingido, e a graça é aumentada em razão do sacramento em si" (Pio XII, Mystici Corporis).
 
Se para os religiosos a lei canônica requer a confissão semanal, e para os sacerdotes, ao menos a cada duas semanas, para leigos, confissão “frequente" geralmente significa mensal, de acordo com as possibilidades e as necessidades dos indivíduos.
 
Para avançar na perfeição espiritual, a confissão frequente, ordinariamente, exige um confessor regular. Ele será a pessoa mais qualificada para sugerir a frequência adequada ao desenvolvimento espiritual e às possibilidades físicas e morais do penitente.
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